Na atual sociedade, diante dos diferentes posicionamentos ideológicos, somos desafiados, constantemente, a um viver sincero e baseado nos princípios cristãos. Desafios no tocante a nossa fé, do comprometimento com Jesus Cristo e sobre aquilo que cremos. E, diante desses fatos, devemos agir e tomar decisões que estejam em consonância com os princípios apresentados por Deus, na sua Palavra, a Bíblia. Esse desafio se dá na medida do inevitável confronto de valores e pressupostos, o confronto de cosmovisões[1].

No tocante à política, esse desafio parece ser ainda maior, pois as ideias e as ações que se dão em torno mundo político, na esmagadora maioria dos casos, confrontam os valores cristãos. Para comprovar o que foi dito, basta assistir os telejornais e ver a agenda política que mais se discute, que vai desde ideologia de gênero, casamento com pessoas do mesmo sexo, liberação das drogas, até aborto, etc. Além disso, assuntos como: redução ou ampliação do papel do Estado, princípios norteadores nas relações de trabalho, políticas de saúde e segurança são motivados, muitas vezes, por sede de poder, ganância e interesses espúrios.

Portanto, o conceito de política usado nesse texto, inclui, também, as discussões sobre as formas de governo e Estado, além dos modelos de gestão da economia. Nesse sentido, os conceitos de política e ideologia estão completamente ligados e refletem os parâmetros sociais em debate.

A ilusão das ideologias – ideologia, religião e idolatria[2]

Quando se fala em política e ideologia, vem, quase que automaticamente, a imagem das manifestações e discussões sobre preferências partidárias, mas essas são meros resultados de algo mais profundo e anterior, que é a ideologia. O que está por trás de um movimento político pode ser frontalmente contrário à palavra de Deus. É sobre isso que os cristãos devem estar atentos. Ao analisarmos, mais detidamente, algumas das ideologias mais discutidas e suas aplicações no mundo, vemos o quão distorcidas são as ideologias e ações do homem sem Deus.

As ideologias têm trazido sempre uma tentativa de resposta para alguns dos problemas que assolam a humanidade. Há objetivos, tais como: combater a desigualdade, resolver o problema da fome, dar mais liberdade de agir e pensar, garantir mais saúde, segurança e qualidade de vida, etc. De fato, alguns problemas são parcialmente resolvidos, porém nunca totalmente e sempre com “efeitos colaterais”. Na verdade, ao dar ênfase em determinadas características ou objetivos, as ideologias criam ídolos e ela própria se torna uma prática de idolatria[3].

Sem o propósito de aprofundar numa análise detalhada de todas as ideologias, entendemos que, as mais difundidas, como o socialismo e o liberalismo, são os exemplos mais destacados de visões de mundo em conflito entre si e com a Palavra de Deus.

O liberalismo, em suas mais variadas vertentes, elegeu o indivíduo e sua liberdade como “deuses”. Essa base ideológica, ainda que tenha sido responsável por ganhos de liberdade e desenvolvimento, traz uma série de problemas que afrontam os valores cristãos. O homem, sua liberdade e sua vontade são princípios norteadores do que essa ideologia considera como bem. Este é um dos seus principais efeitos colaterais contrários à Palavra: a autonomia do homem, que, no limite, prescinde da vontade de Deus. Ainda, nesse sentido, o individualismo, o egoísmo e a ganância são outros problemas apresentados.

No socialismo vemos, em primeiro plano, o ateísmo como fundamento de toda a análise da história da humanidade, tendo o homem como o único capaz de mudar a história da sociedade em que está inserido. Na sua pregação contra a desigualdade e busca por uma sociedade justa, trouxe o totalitarismo, a ausência de liberdade, a imposição de padrões de consumo e vida, supressão da liberdade religiosa e, por fim e não menos importante, elegeu um “deus”, o Partido. Sem falar nos vários sistemas socialistas implantados e fracassados no mundo, há que se salientar que essa ideologia vem causando problemas onde se pretende implantá-la. Vê-se, ainda, a idolatria a homens, que são, ou foram, ditadores e tiranos.

Pode-se ver, desse modo, que as ideologias, tomadas aqui como exemplos, apresentam algum ou outro aspecto de idolatria que afrontam aos valores cristãos. Há casos em que socialistas e liberais defendem a mesma agenda sobre aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, liberação das drogas, secularismo e laicismo, entre outros. Com isso, pode-se afirmar que as ideologias fundamentam as ações políticas e essas ações, em sua maioria, apresentam-se como resultado de um sistemas de idolatria e são contra a cosmovisão e valores da fé cristã.

Nesse sentido, é importante ressaltar, também, que não há solução humana possível para o problema do mundo. A história ainda não mostrou, nem mostrará, nenhum modelo ideológico ou político-econômico que solucione os principais problemas que assolam grande parte do mundo moderno. A fome, a miséria, a violência, a tirania e as ditaduras de todas as matizes, a perseguição religiosa, os preconceitos, a inveja, a injustiça social e a falta de liberdade para poder exercer plenamente seus direitos são alguns dos problemas que teimam em continuar existindo.

Na mesma linha de raciocínio, cabe salientar que, do ponto de vista bíblico, “o mundo jaz no maligno”, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” e, desse modo, todos os modelos e soluções apresentados ao longo da história só confirmam que não há solução humana possível.

A condição do homem sem Cristo é de queda e afastamento de Deus, sendo, por definição, inimigo de Deus. Como, então, o homem decaído conseguiria agradar a Deus? Como poderia ser justo com o próximo? Como pode, o homem decaído, apresentar obras de justiça e que glorifiquem a Deus? A resposta é: de modo algum! Só para lembrar do que está escrito no livro do profeta Isaías 64:6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.”.

Nesse ponto cabem as perguntas: qual deve ser a atitude do cristão em meio às ilusões e idolatrias das ideologias? Deve restringir-se à sua vida religiosa e familiar? Deve exercer a piedade, vivendo isolado desse mundo, sem participar da vida em sociedade? De maneira nenhuma! A resposta vem diretamente da Palavra de Deus, quando Jesus Cristo no Sermão do Monte nos afirma, segundo o Evangelho de Mateus, no capítulo 5, versos 13 a 16: 

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

Não houve e não haverá, um modelo ideológico salvador ou um político salvador. A Bíblia apresenta apenas um Salvador, Jesus Cristo. A mensagem do Reino e do Rei Jesus é a bandeira do cristão. No entanto, o cristão deve viver com sabedoria, de acordo com os valores e princípios do Reino de Deus, discernindo e confrontando as ideias e mentiras contadas pelo mundo e sua cultura decaída e exercer o seu chamando de levar a verdade do Evangelho a todos.


[1] NASH, Ronald – Cosmovisões em Conflito – escolhendo o cristianismo em um mundo de ideias, Brasília –DF, Editora Monergismo, 2012.

[2] Esse subtítulo é uma referência ao texto do livro: Visões e ilusões políticas – uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas de David T. Koyzis, Editora Vida Nova, 2014.

[3] Koyzis ,David T. Visões e ilusões políticas – uma análise e crítica cristã das ideologias contemporâneas de, Editora Vida Nova, 2014, pp 32-34.

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