O aborto tem sido uma questão bastante discutida em nossos dias. Infelizmente, mesmo algumas pessoas que se identificam como “cristãs” têm tomado o lado “a favor” nessa discussão. Em outro artigo, delineei 30 razões de cunho científico e social pelas quais os cristãos devem se opor à prática do aborto. Nesse artigo, pretendo explorar o que a Igreja cristã primitiva tinha a dizer sobre o assunto.

Didaquê (70-90 d.C.)

“Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.” (II:2)

Epístola de Barnabé (70-130 d.C.)

“Ama o teu próximo mais do que a ti mesmo. Não mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido. Não te descuides de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes instrução desde a infância no temor do Senhor.” (19:5)

Epístola a Diogneto (120 d.C.)

O texto descreve o estilo de vida cristão, incluindo a afirmação: “Eles geram filhos, mas não destroem a sua descendência. Eles têm uma mesa comum, mas não uma cama comum. Eles estão na carne, mas eles não vivem segundo a carne.” (Capítulo 5)

Clemente de Alexandria (150-230 d.C.)

Clemente de Alexandria, em sua obra Paedagogus, deixou claro o pecado das mulheres que “para esconder sua imoralidade, usam drogas abortivas que levam diretamente à morte, destruindo todos os sentimentos humanos simultaneamente com o feto.”

Oráculos Sibilinos (século II a.C. - século IV d.C.)

Clemente e outros primeiros escritores cristãos frequentemente citavam os Oráculos Sibilinos como a obra de um profeta pagão que havia predito a vinda de Cristo. Mais tarde, os sibilinos foram reescritos para aumentar a proporção do ensino ético cristão. O Oráculo 2 descreve o aborto como contrário à lei de Deus, enquanto o Oráculo 3 ordena que as pessoas criem seus filhos em vez de irritarem a Deus matando-os.

Tertuliano (160-220 d.C.)

“Como o assassinato é absolutamente proibido em qualquer forma, não podemos destruir nem mesmo o feto no útero. Não importa se você tira uma vida que nasce ou destrói alguém que ainda não nasceu. ” (Apologia 9)

Em sua obra Sobre a Alma, Tertuliano declara que “a lei de Moisés, de fato, pune com as devidas penalidades o homem que causa o aborto, na medida em que já existe o rudimento de um ser humano.”

Em Uma Exortação à Castidade, Tertuliano mencionou que havia muitas dificuldades em educar os filhos, mas ele pergunta: “Você está para dissolver a concepção pela ajuda de drogas?” E ele responde sua própria pergunta: “Eu acho que para nós [cristãos] não é mais lícito ferir uma criança no processo de nascimento do que uma já nascida.”

Minucius Felix (166-210 d.C.)

O Octavius de Minucius Felix foi composto em algum momento entre 166 e 210 d.C., em parte para provar que os cristãos tinham uma moralidade mais elevada do que os pagãos. Ao condenar as práticas pagãs, ele  deplora o fato de que “há mulheres que, ao beberem preparações médicas, extinguem a fonte do futuro homem em suas próprias entranhas e, assim, cometem [assassinato].”

Hipólito (170-235 d.C.)

“Mulheres que eram consideradas crentes começaram a usar drogas para se tornarem estéreis e a se amarrarem com força para expulsar o que estava sendo concebido, já que, por causa dos parentes e do excesso de riqueza, não queriam ter filhos de um escravo ou de alguma pessoa insignificante. Veja, então, em que grande impiedade aquele iníquo procedeu, ensinando adultério e assassinato ao mesmo tempo!” (Refutação de Todas as Heresias)

Atenágoras (177 d.C.)

“E quando dizemos que aquelas mulheres que usam drogas para provocar o aborto cometem assassinatos, e terão que prestar contas a Deus pelo aborto, em qual princípio deveríamos cometer assassinato?” (Um Apelo aos Cristãos 35:4)

Ordem da Igreja Apostólica (ou Cânones Eclesiásticos dos Apóstolos)

A obra foi composta por volta de 300 d.C. como um livro de lei para os cristãos. Sua ampla popularidade é evidenciada pelo fato de ter sido traduzida para vários idiomas. Inclui a proibição de que os cristãos matem uma criança, no nascimento ou depois dele.

João Crisóstomo (347-407 d.C.)

“Por que então você abusa do dom de Deus, e luta com Suas leis, e segue atrás do que é uma maldição como se fosse uma bênção, e faz da câmara de procriação uma câmara para assassinato?” (Homilia 24 em Romanos)

Conclusão

Michael J. Gorman afirma em sua obra Abortion and the Early Church: “Todos os escritores cristãos [primitivos] se opunham ao aborto”. Fontes cristãs na Espanha, Itália, Tunísia, Grécia, Egito, Turquia e Síria reconheceram o aborto como proibido por Deus e na mesma categoria de qualquer outro assassinato. Mais do que apenas condenar o aborto e o infanticídio, os primeiros cristãos também forneciam alternativas ao resgatar e adotar crianças que foram abandonadas. Por exemplo, Calisto (223 d.C.) forneceu refúgio a crianças abandonadas, colocando-as em lares cristãos, e Benignus de Dijon (no século III) ofereceu alimento e proteção a crianças abandonadas, incluindo algumas com deficiências causadas por abortos mal-sucedidos. Que os cristãos do século XXI possam aprender com as palavras e o exemplo de nossos irmãos dos primeiros séculos!

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