A Constituição de nosso país garante a todos plena liberdade religiosa e de expressão. Afinal de contas, ela declara que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença” e que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Mas em contradição com esses princípios fundamentais de nossa legislação, uma rede de supermercados tem enfrentado problemas por se colocar na defesa dos valores cristãos. A rede Hirota, com 15 unidades no ABC paulista, é conhecida por seu envolvimento com as igrejas dos bairros onde se localizam seus estabelecimentos.

Na mídia e nas redes sociais, a rede vem sendo atacada por todos os lados. O motivo? Ter distribuído a seus clientes uma cartilha para comemorar o Dia da Família (8 de dezembro). Mas qual o problema com isso? O material apresentava claramente as posições cristãs sobre o casamento, as relações sexuais, os papéis do homem e da mulher, o relacionamento entre pais e filhos e o valor da vida ainda por nascer, destacando versículos bíblicos sobre cada assunto.

O material, com tiragem de 10 mil exemplares, foi uma edição especial do devocional “Cada Dia Especial Família de 2017”, com 31 mensagens do pastor Hernandes Dias Lopes, da Igreja Presbiteriana do Brasil. Seguem alguns dos trechos do material.


“A mulher veio do homem e o homem vem da mulher. Não há superioridade nem inferioridade. Ambos, homem e mulher, foram feitos à imagem e semelhança de Deus. Têm a mesma dignidade e valor aos olhos de Deus. Portanto, o casamento foi instituído por Deus para que o homem e a mulher se completem. O casamento não é uma concorrência, mas uma parceria. Não é o domínio despótico do homem sobre a mulher, mas uma relação de cuidado mútuo, de amor recíproco, de devoção um ao outro, para a plena felicidade de ambos. O casamento nasceu no céu. Não foi uma invenção do homem, mas uma iniciativa divina.” 

“‘Por isso, deixa o homem seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne’ (Gênesis 2:24). Deus instituiu o casamento e estabeleceu critérios sólidos para seu funcionamento. No texto em apreço, três pilares são erguidos: Primeiro, o casamento é heterossexual. O casamento é a união entre um homem e uma mulher, entre um macho e uma fêmea. O casamento homo-afetivo está na contramão do propósito divino e não pode cumprir o seu propósito.”

“A vida não começa a partir do terceiro mês, começa na concepção. O aborto, portanto, é um assassinato e um assassinato com requinte de crueldade. O aborto é transformar o ventre materno, o mais sagrado habitat humano, num patíbulo de tortura. É matar o fruto do ventre. É matar um ser indefeso, envenenando-o, esquartejando-o e arrancando-o como uma verruga pestilenta.”

“A infidelidade conjugal é a principal causa de divórcio, pois além de abrir feridas insanáveis na relação, leva à quebra de confiança. Somente aqueles que querem se destruir cometem tal coisa. O preceito divino é que o cônjuge deve ser um manancial recluso e uma fonte selada. A infidelidade conjugal, apesar de ser a causa de tantas tragédias para a família está sendo promovida e incentivada. Hoje, mais de 70% dos homens e mais de 60% das mulheres já traíram o seu cônjuge até os quarenta anos de idade. Há um colapso nos relacionamentos. Há um estímulo à infidelidade na mídia. As telenovelas e os filmes são produzidos por mentes governadas pelo relativismo moral, que a pretexto de retratar a realidade, promove a decadência moral.”

Por causa dessas declarações, os militantes LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) iniciaram uma verdadeira cruzada contra a empresa, estimulando as pessoas a que parem de comprar no Hirota. Os comentários negativos na página chegaram aos milhares, criticando a postura e os valores defendidos no material distribuído.

Devido à repercussão, o Ministério Público do Trabalho de São Paulo ordenou a suspensão da distribuição da cartilha e informou que tomará medidas judiciais se a ordem for descumprida. Também ordenou que as cartilhas já distribuídas sejam retiradas de circulação. Procurando “defender a liberdade e a diversidade”, o Ministério Público tem procurado censurar ativamente a pregação das convicções cristãs. Isso é claramente uma violação da liberdade de expressão e liberdade religiosa. O reverendo Hernandes Dias Lopes, em uma nota em seu perfil no Facebook, declarou que “...nunca foi nem será nosso propósito polemizar ou atacar pessoas que pensam diferente de nós. Nosso compromisso é com os valores cristãos, conforme estabelecidos na Palavra de Deus, nossa única regra de fé e de prática”.

Relembremos o caso relativamente recente da Exposição Cultural do Banco Santander. Diversas das obras escarneciam da religião cristã (de Cristo, hóstias e de Maria). Outras, promoviam imagens de crianças com frases ligadas à homossexualidade. Uma pintura demonstrava o estupro de uma cabra. Diversas fotos exibiam órgãos e relações sexuais, em um evento sem classificação etária e financiado com dinheiro público! Mas aqueles que se opunham à exposição é que eram inimigos da liberdade de expressão!

O material distribuído pelo mercado não teve a pretensão de ser um ataque pessoal àqueles que não mantêm uma posição cristã sobre a sexualidade, o casamento e a família. Como cristãos, cremos que todas as pessoas são seres valiosos, criados à imagem e semelhança de Deus. Portanto, não defendemos quaisquer ataques, físicos ou verbais, a quem quer que seja. Mas defendemos o nosso direito em manifestarmos publicamente nossas convicções pessoais.

À medida que nossa sociedade se distancia dos padrões morais de Deus, podemos esperar que as posições cristãs venham a ser mais rejeitadas, atacadas e censuradas. Oremos para que Deus nos dê força para ficarmos firmes em defesa da verdade!

E, por causa do meu nome, sereis odiados de todos. Contudo, aquele que permanecer firme até o fim será salvo.

Mateus 10:22

Tendo levado os apóstolos, apresentaram-nos ao Sinédrio para serem interrogados pelo sumo sacerdote, que lhes disse: "Demos ordens expressas a vocês para que não ensinassem neste nome. Todavia, vocês encheram Jerusalém com sua doutrina e nos querem tornar culpados do sangue desse homem". Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!

Atos dos Apóstolos 5:27-29

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