Daí em diante Saul olhava com inveja para Davi.

1 Samuel 18:9

De acordo com o dicionário, inveja “é o desejo de possuir um bem que pertence ao outro. É um sentimento de inferioridade e de desgosto diante da felicidade do outro”. Vemos esse sentimento aflorar na vida de Saul quando Davi vence o gigante Golias e o povo passa a admirá-lo mais do que ao próprio rei. Foi a partir daí, que um homem, a princípio seguro de si e com poderes em suas mãos, passou a ter inveja de um jovem pastor de ovelhas.

Saul poderia ter escolhido outro caminho. Ele poderia ter escolhido acolher Davi e ensiná-lo a se tornar um grande homem. Contar suas experiências, seus truques, dar conselhos... Mas ele escolheu deixar a inveja tomar conta de si. Não conseguiu lidar com aquela situação, onde todos os olhares se voltaram para Davi, enquanto ele ficou esquecido. Desde então, o foco da vida de Saul era tirar a vida de Davi.

Davi passou boa parte de sua vida fugindo de Saul. Correndo de um lado para outro a fim de não ser morto. Com certeza foram tempos infelizes em que não podia ter sequer um dia de paz, porque havia sempre alguém procurando acabar com sua vida. Igualmente infeliz foi a vida de Saul, pois tornou-se uma busca incansável pelo mal. Tudo poderia ser diferente, se ao menos, Saul escolhesse o caminho do bem. Se ao menos ele escolhesse matar o sentimento de inveja que crescia dentro de si, ao invés de escolher matar Davi.

Certo dia, Davi teve a oportunidade de tirar a vida de Saul e acabar com a agonia que vinha enfrentando. Ele poderia escolher acabar de uma vez por todas com a angústia de ter que viver fugindo e poder viver sua vida em paz. Em 1 Samuel 24 é possível ler o episódio em que Deus entrega Saul nas mãos de Davi. Ali estava a oportunidade da vingança, a chance de acabar com o inimigo que o perseguia. Porém, o máximo que ele conseguiu fazer, foi cortar a ponta do manto de Saul sem que ele percebesse, e ainda sentir remorso em seu coração.

Davi não conseguiu retribuir o mal com o mal, antes preferiu deixar aquela situação nas mãos de Deus. Ele tinha motivos suficientes para sentir raiva e querer matar Saul, contudo Davi não havia perdido sua confiança em Deus. Ao se encontrar com Saul, ele o trata como rei e tenta explicar que não queria fazer-lhe mal em momento algum (v.11). Nessa hora, Saul chega a chorar e reconhece que Davi é mais justo do que ele próprio. Neste momento, a primeira impressão que temos é de que a perseguição chegaria ao fim, porém, ao continuar a leitura do livro de I Samuel vemos que a perseguição continuou, ou seja, Saul ainda alimentava o sentimento de inveja contra Davi, mesmo depois de Davi tê-lo tratado com bondade.

Essa história só teve fim com a morte de Saul. Infelizmente ele não conseguiu dominar o sentimento de inveja e foi por ela dominado. Enquanto na vida de Davi, vemos obediência e confiança em Deus. Por duas vezes ele poupou a vida de seu inimigo, mesmo sabendo que correria perigo de morte após fazer isso. Davi teve misericórdia de Saul, não pagou na mesma moeda, mas deixou que Deus fizesse o que era melhor.

Nesta história, temos o exemplo da falta de domínio próprio de Saul. Se ele escolhesse olhar para Davi com outros olhos, tudo seria diferente. Mas, por querer para si todos os elogios e admiração que Davi estava recebendo, ele acabou com a sua vida e com boa parte da vida de Davi. Não teve controle sobre o que estava sentindo e levou sua vida para o pior caminho.

Do outro lado, temos o exemplo de domínio próprio de Davi. Como deve ter sido difícil para ele essa situação! Mas em nenhum momento ele quis retribuir com maldade, pelo contrário ele agia com bondade, querendo resolver o problema da melhor maneira. Com certeza isso só foi possível porque sua comunhão com Deus era firme e porque ele entregou essa situação ao Senhor. Davi sabia que quem estava no comando era Deus.

A natureza humana tende mesmo a fazer surgir em nós sentimentos ruins. Por isso é que se diz que temos que alimentar a nossa natureza espiritual e deixar a carnal morrer de fome, como lemos em Gálatas 5:16-21. Vimos o quão ruim e triste é nutrir maus sentimentos em nossos corações, por isso, precisamos aprender a dominar nossos sentimentos. Não devemos esperar que isso seja algo fácil, pois sabemos que não é, mas com disciplina e com a ajuda de Deus, é possível.

Quando algum sentimento ruim estiver apontando em nosso coração, devemos cortá-lo pela raiz e plantar um bom sentimento em seu lugar. Isso se chama domínio próprio, uma parte do fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22-26). É assim que podemos alcançar as mesmas atitudes e pensamentos de Cristo.

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