Nossa declaração:

“Cremos que a Ceia do Senhor rememora a paixão e a morte do Redentor da humanidade, até que Ele volte, e é um símbolo da comunhão cristã e um penhor da renovada lealdade ao nosso Senhor ressurreto.”

“Cremos também que o lava-pés foi praticado e ordenado por Jesus, e que como um ato de fé, humildade e amor, deve anteceder a comunhão da Ceia do Senhor.”

Este estudo tem por escopo uma meditação mais aprofundada sobre um dos mais significativos memoriais da redenção dos descendentes de Adão — a Ceia do Senhor. Neste ensejo, nos limitaremos na reflexão sobre (i) a essência desta ordenança, (ii) seus antecedentes históricos, (iii) sua prática no desenvolvimento da Igreja Cristã, (iv) os diferentes conceitos doutrinários e teológicos que dão suporte à sua milenar preservação e, (v) enfim, o aspecto devocional desta ordenança de Cristo. Configura-se desnecessário, por outro lado, o dispêndio de tempo para discutir a periodicidade que a Igreja deva adotar na celebração da Ceia do Senhor. Há os que defendem a Santa Ceia anual, guardando similitude com a celebração da Páscoa dos israelitas. Há, ainda, os que a praticam duas vezes ao ano (semestral). Outros defendem uma celebração quadrimestral (três vezes ao ano); outros trimestral (quatro vezes ao ano); outros bimestral (seis vezes ao ano); outros mensalmente (doze vezes ao ano); e, por fim, há igrejas que a celebram semanalmente (cinquenta e duas vezes ao ano). Proclamamos ser inócua tal discussão pelo simples e irrefutável fato de que a Bíblia silencia a este respeito.

Ao referir-se à Santa Ceia do Senhor, o dedicado Pastor André Garcia Ferreira, com aguda clareza, afirmou ser ela a atividade eclesiástica mais celebrada no Corpo de Cristo — a Igreja. Ela é parte essencial de todas as Igrejas, sejam elas grandes, sejam pequenos grupos. Trata-se de um ato sagrado, ordenado por Deus, no qual o Senhor Jesus apresenta-Se a nós e eleva-nos ao celestial e invisível. (...). Como é de todos consabido, na tradição dos povos, nas mais diferentes civilizações, desde remotas eras, o compartilhamento de refeições tem servido para solidificar os vínculos de fraternidade, amor e respeito mútuos.

De acordo com a Mishnah (ver Pesahim, 10, ed. Soncino, Talmude, p. 532-623), o ritual da ceia pascal se dava do seguinte modo: (1) O chefe da família ou do grupo que celebrava a ceia misturava a primeira taça de vinho e a passava para os outros, pronunciando uma bênção sobre o dia e sobre o vinho. (2) Em seguida, o chefe realizava um ritual de lavagem de mãos. (3) A mesa era então posta. Os alimentos servidos na refeição pascal consistiam do cordeiro pascal, de pães asmos, de ervas amargas, alface e outros legumes e um molho saboroso chamado “charoseth”, feito de amêndoas, tâmaras, passas de figo, especiarias e vinagre. Nessa fase, alguns dos vegetais eram comidos como entrada. (4) A segunda taça de vinho era então passada ao círculo de pessoas, e o chefe da família explicava o significado da Páscoa. (5) A primeira parte da Páscoa, “Hallel”, que consistia dos Salmos 113 e 114, era cantada. (6) Os participantes, em seguida, comiam a refeição da Páscoa. O chefe da família dava graças e partia os pães asmos e distribuía uma parte a cada hóspede. Partes do cordeiro pascal eram comidas. (7) A terceira taça de vinho era passada, e a bênção sobre a refeição, proferida. (8) A quarta taça de vinho era passada, após a qual todos se uniam na segunda parte do “Hallel”, que consistia dos Salmos 115 a 118. A Teologia Cristã proclama que a instituição da Santa Ceia, ou, da “Ceia do Senhor”, nos dizeres do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11:20 (últ. parte), ocorreu por ocasião da última festa (válida) da Páscoa, da qual Cristo participou.

Em verdade, a narrativa do apóstolo é o registro mais antigo que se conhece da instituição da Ceia, precedendo dois ou três anos a qualquer outra. Foi escrita provavelmente nos princípios do ano 57, vinte e sete depois de sua celebração inicial. Cinco anos antes o apóstolo já a havia ensinado à Igreja de Corinto (l Co 11:23). Argumenta com sua autoridade quando diz: “Eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós” para mostrar como devem ser administrados os elementos comemorativos. Refere-se à fonte de sua informação, “recebi do Senhor” para mostrar que não foi testemunha presencial da instituição. As palavras do apóstolo suportam duas interpretações: ou Paulo recebeu instruções diretas de Jesus ressuscitado, ou lhe foram ministradas por ordem de Cristo por meio de Seus apóstolos que participaram da primeira Ceia. Mateus que foi testemunha de vista e Marcos, companheiro de Pedro, que esteve presente à Ceia também recordaram as mesmas circunstâncias e do mesmo modo o faz Lucas companheiro de Paulo. Com o desejo de cumprir toda a Justiça e honrar a lei cerimonial, que ainda durava, Jesus ordenou tudo o que era necessário para comer a páscoa com os Seus discípulos (Mateus 26:17-19). Como o cordeiro pascoal tinha de ser morto de tarde e comido na mesma tarde, a festa pascoal necessariamente se deu no mesmo dia (Mateus 26:20) [...].

A terminologia é variada. Encontramos fartos escritos históricos na eclesiologia primitiva, no período dos Pais da Igreja (a partir do ano 100 a.D., a saber, imediatamente após a morte do último apóstolo, João), e até mesmo na recente história da Igreja cristã. Deles se extrai a expressão “a Ceia do Senhor” (1 Coríntios 11:20), “a Santa Ceia”, “a Eucaristia”, “o partir do pão” (Atos dos Apóstolos 2:42; 1 Coríntios 10:16), e “a Comunhão” (koinonia). Evidentemente, com a Santa Ceia, Jesus oficializava a inauguração de um Novo Pacto — uma Nova Aliança.

Concordamos com o estimado Professor, o já mencionado Pastor André Ferreira, quando ensina que Jesus, ao longo de Sua jornada nesta Terra, reconheceu e afirmou que o Seu tempo estava próximo e que celebraria a Páscoa com os discípulos. Esta era a primeira festa do calendário judaico, celebrada, anualmente, “no mês primeiro, aos 14 do mês, no crepúsculo da tarde” (Levíticos 23:5). Era a ocasião em que cada família, em Israel, comemorava a libertação do Egito, com o sacrifício de um cordeiro sem mancha. A festa também era a mais antiga dentre os dias festivos dos judeus, já sendo a primeira celebrada na véspera da libertação (...).

A Páscoa era imediatamente seguida pela festa dos Pães Asmos (Levíticos 23:6). Esse evento durava uma semana, o que fazia estender o período inteiro para oito dias. As duas festas eram tão intimamente associadas que o período de oito dias era, às vezes, chamado de “a Páscoa”; ou, às vezes, de “a Festa dos Pães Asmos”. O Novo Testamento usa os termos sem distinção, repetindo o linguajar utilizado comumente. Porém, em termos técnicos, a “Páscoa” refere-se ao 14º dia de Nisã (o primeiro mês do calendário judaico) e a “Festa dos Pães Asmos”, aos sete dias restantes do período festivo, que terminava no dia 21 de Nisã.

A Instituição da Ceia do Senhor e seus Significados

Revela-se muito oportuna, a esta altura, a observação feita pelo Pastor e Professor Warren Wiersbe, ao asseverar que, depois que Judas deixou o salão, Jesus instituiu algo novo, a Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:23-34). Tomou dois elementos do jantar de Páscoa, o pão asmo e o cálice com vinho, e os usou para representar Sua morte. O pão repartido representa Seu corpo, entregue pelos pecados do mundo. O “fruto da vide” (Mateus 26:29) representa Seu sangue, derramado para a remissão dos pecados. O texto não indica que algo especial ou misterioso ocorreu com esses dois elementos. Continuaram sendo pão e “fruto da vide”, transmitindo, porém, um significado mais profundo: o corpo e o sangue de Jesus Cristo.

Nesta moldura, é significativo constatar que, das duas ordenanças de Jesus à Igreja — batismo e santa ceia —, uma delas se refere a uma refeição compartilhada. Sem dúvida, este quadro, a um só tempo, dirige nosso olhar em quatro direções, a saber:

(i) aponta para trás, para o passado, rememorando a Páscoa, que era a comemoração máxima da saída de Israel da terra da servidão, para a terra da promissão. Tudo isso, tipificando Cristo, que, levado à Cruz, consolidou o resgate eterno, a ponto de Paulo declarar que “Cristo é a nossa Páscoa” (1 Coríntios 5:7). É, portanto, um memorial (gr., anamnesin) da morte de Cristo no calvário, para redimir os filhos de Adão do pecado e da condenação. Através de Sua morte podemos obter a remissão de nossos pecados. A Cruz de Cristo é o centro da mensagem cristã. Não há evangelho sem a Cruz de Cristo. Por outras palavras, Cristo é o centro da Santa ceia. Ela, por sua vez, é uma proclamação dramatizada do Calvário. De conveniência ressaltar que o Senhor ordenou que Sua Igreja relembrasse, não Seus milagres, mas Sua morte.

(ii) aponta para o presente, quando somos diariamente desafiados a viver uma vida de comunhão (gr., koinonia) com o Senhor e santificação nEle. É, pois, à luz de 1 Coríntios 10:16 e 17, um ato de comunhão com Cristo e com os demais membros do Seu Corpo.

(iii) aponta para o futuro, sim, pois o apóstolo categoricamente afirma que todas as vezes que participamos da mesa do Senhor em santa comunhão, “anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha” (1 Coríntios 11:26). Assim, a celebração da ceia do Senhor é um antegozo do Reino futuro de Deus e do banquete messiânico futuro, quando então, todos os salvos estarão presentes com o Senhor ( Mateus 8:11 22:1-14; Marcos 14:25; Lucas 13:29; 22:17, 18 e 30). Sem dúvida, a Santa Ceia aponta para a Segunda Vinda de Cristo, para a “parousia”.

E, (iv) aponta para o interior de cada adorador. Observe-se que este é um olhar para dentro. É olhar introspectivo. Refere-se ao auto-exame. A exortação do apóstolo é: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão e beba do cálice” (1 Coríntios 11:28). Não há aqui um comando para examinarmos o nosso irmão. Não somos juízes dos outros. Devemos examinar-nos a nós mesmos. Decerto, se examinarmos com mais exatidão a nossa própria vida não teremos tempo para investigar a vida dos outros. Os fariseus eram meticulosos em ver as falhas dos outros, mas muito complacentes com eles mesmos. Com efeito, dentre outras, a lição subjacente que o Senhor pretende nos passar por meio de Sua Palavra, envereda no sentido de que não devemos fugir da Santa Ceia por causa do pecado, mas, sim, fugir do pecado por causa da Ceia do Senhor. Em verdade, a ordem bíblica, é: “Examine-se e coma”. Logo, não está escrito: examine-se e não coma.

No tocante ao mencionado autoexame, há dois perigos contra os quais precisamos ser vigilantes: O primeiro deles é a autocomplacência. O que isso significa? Refere-se ao fato de cultivarmos a atitude de tratar a nós mesmos com demasiada frouxidão e tolerância. Em outras palavras, configura-se pela determinação de sempre ter justificativa para os nossos erros. É fazer vistas grossas ao pecado para eximir-se da culpa. Mas há outro perigo, não menos grave, concernente ao autoexame. É o da autocondenação. Facilmente se constata os integrantes deste grupo, visto que vivem mergulhados em profundo desespero espiritual. O desespero e a incerteza da salvação é tal, que alguns chegam ao ponto de cultivar a autoflagelação espiritual. Logo, não descansam na Graça de Deus e não tomam posse do perdão oferecido na cruz.

Desvendando conceitos teológicos a respeito da Santa Ceia

Construiu-se no ambiente cristão três diferentes interpretações e conceitos sobre a expressão: “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:24).

Pois bem. Para muitos cristãos, o pão é o próprio corpo de Cristo, e o vinho, literalmente é o sangue. Este viés hermenêutico, adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana, recebe o nome de “transubstanciação”. Ensinam, pois, após a oração, na ministração da Santa Ceia, que o pão e o vinho são transformados literalmente no próprio corpo e sangue de Jesus. Tal conceito foi adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana em 1215 e depois reafirmado no Concilio de Trento, em 1551.

Já, para a Teologia Luterana, não ocorre a “transubstanciação” (transformação dos elementos pão e vinho em carne e sangue de Cristo), mas, sim, “consubstanciação”, ou seja, ensinam que o pão e o vinho permanecem inalterados, mas, espiritualmente Cristo está presente no pão e no vinho. Assim, para Lutero, Cristo verdadeiramente Se une às substâncias do pão e do vinho, numa simbologia, porém os elementos do pão e do vinho (corpo e sangue de Cristo) estão presentes apenas espiritualmente, mas os elementos permanecem imutáveis.

Diante destas informações, a pergunta que não cessa de ecoar, é: Qual a doutrina correta a este respeito? Transubstanciação, ou consubstanciação? Proclame-se, alto e bom som, que para nós batistas do sétimo dia, não se trata, nem de transubstanciação, nem de consubstanciação. Vemos o pão e o vinho, única e tão somente, como símbolos do corpo e do sangue de Cristo, dados em sacrifício para a nossa salvação.

A Santa Ceia é um “sacramento”, ou é uma “ordenança”?

O Dicionário Houaiss, erroneamente, define “sacramento” como sendo um rito sagrado instituído por Cristo para dar, confirmar ou aumentar a graça [São sete: batismo, confirmação, comunhão, penitência, extrema-unção, ordem e matrimônio]. Historicamente o vocábulo “sacramento” (lat., “sacramentum”) está ligado a um juramento que o soldado romano fazia ao ingressar no exército. Compulsado o livro “Teologia dos Princípios Batistas”, encontro a oportuna informação: Tertuliano (160 - 230 a.D.) foi o primeiro a chamar o Batismo e a Ceia do Senhor de “sacramentos”. Sendo o primeiro teólogo a escrever em latim, ele influenciou o vocabulário dos autores que o seguiram. Tertuliano conhecia um “sacramentum” como o juramento feito pelo soldado romano ao entrar no exército. O cristão faz semelhante juramento, pensou Tertuliano, quando se batiza e participa da Ceia. Os cristãos de fala latina aceitaram a linguagem de Tertuliano, e o termo passou para as línguas modernas.

A palavra “sacramento” eventualmente deixou de significar “juramento”, embora os dicionários ainda a registrem na sua mais antiga acepção. O sacramentos passaram a significar meios da graça, garantias da presença de Deus. Conforme a definição clássica, “sacramento é um sinal visível de uma graça invisível”. (...). Surgiu dúvida, todavia, quanto ao número de sacramentos. Será que o batismo e Ceia do Senhor são os únicos meios de graça? Esta questão foi discutida durante alguns séculos. O teólogo Pedro Lombardo (1100 a 1164), em seu manual “Sentenças”, apresentou uma lista de sete sacramentos, que foi eventualmente oficializada. Desde então, a Igreja Católica Romana reconhece sete meios de graça: Batismo, Confirmação ou Crisma, Penitência ou Confissão, Comunhão, Ordem, Matrimônio e Extrema- unção.

Conforme a doutrina católica romana, os sete sacramentos garantem a presença de Deus nos passos importantes da vida, desde o nascimento até a morte. Cada sacramento confere a graça e produz um efeito indelével. Por este processo meio mecânico, a Igreja assegura a salvação aos seus fiéis. O sacramento opera por sua própria natureza (“ex opere operato” — independente do ato realizado). Sua validade em nada depende da fé do recipiente: basta que não haja impedimento de sua parte. Zwínglio (1484 a 1531) e Calvino se afastaram do sacramentalismo mais do que Lutero e os anglicanos; somente os anabatistas, porém, rejeitaram plenamente o sacramentalismo.

Os batistas rompem com a doutrina da graça sacramental. A salvação é pela graça, mas o meio da graça é a fé (Efésios 2:8). Felizmente, nem todas as igrejas que usam a palavra “sacramento” creem na salvação através de cerimônias. Na melhor das hipóteses, porém, o termo “sacramento” é ambíguo, e, por esta razão, os batistas preferem substituí-lo.

A rejeição da palavra “sacramento” remonta ao início do movimento batista. A Primeira Confissão Batista de Londres (1644) reconheceu o Batismo e a Ceia do Senhor como “ordenanças”. A Segunda Confissão Batista de Londres (1677) inseriu muitos trechos diretamente da Confissão de Westminster (1646), mas mesmo nestes trechos os batistas substituíram a palavra “sacramento” por “ordenanças”. Hoje alguns batistas, sob a influência do movimento ecumênico, usam o temo “sacramento”, mas a palavra “ordenança” caracteriza o vocabulário batista.

Anote-se, por último, que uma ordenança (gr. dikaiona) tem o sentido de regulamento, ou uma ordem, ou uma forma de ordenar algo por alguém. Este é, pois, o conceito que nós batistas em geral adotamos. É um símbolo que concretiza uma ideia abstrata. Portanto, é um rito simbólico que põe em destaque as verdades centrais da fé cristã, e que é obrigação universal e pessoal. O batismo e a Ceia do Senhor são ritos que se tornaram ordenanças por ordem específica de Cristo.

Como a IBSD se relaciona com o Lava-pés?

Nem todas as igrejas cristãs praticam o lava-pés por ocasião da celebração da Santa Ceia. Ressalvadas algumas exceções, porquanto o assunto é controvertível, os batistas do sétimo dia no Brasil, alicerçados em João 13:1-17, entendem e ensinam que a celebração da Santa Ceia alcança sua completude quando integrada pela cerimônia do lava-pés. Uma análise das circunstâncias e do contexto, faz-nos crer que o Salvador, decerto, desejava celebrar a festa da Páscoa a sós com os doze. Sabia que era chegada a Sua hora. Ele próprio era o cordeiro pascal e, no dia em que se celebrava a Páscoa Ele devia ser sacrificado. Estava prestes a beber o cálice da ira; devia logo receber o final batismo do sofrimento. Algumas horas tranquilas Lhe restavam, porém, e essas deviam ser empregadas em benefício dos amados discípulos.

Ente eles havia a disputa sobre qual seria o maior. Tal espírito de disputa e desarmonia, por certo muito entristecia o Salvador. Os discípulos não entendiam a Teologia profética do Messias sofredor. Pensavam apenas no Messias vitorioso, que formaria Seu poder assentando-se no trono de Davi. Portanto, sendo assim, ansiavam por uma posição mais destacada e elevada no Reino que logo se estabeleceria. A cultura daquela região e daquela época firmou-se na prática consuetudinária de que um escravo lavava os pés dos hóspedes em uma festa. Os discípulos conheciam isso e, por certo, aguardavam para ver quem era o mais rebaixado deles para assumir o papel do escravo.

Mas, quão espantados ficaram! Sim, Jesus assumiu o papel do escravo: “Levantou-Se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-Se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (João 13:4-5). Na sequência, ordenou que Seu exemplo fosse seguido (vs. 12- 17).

Concordamos com o Pastor Doutor Hernandes Dias Lopes quando afirma:

Era costume que, antes de se assentarem à mesa, as pessoas lavassem os pés. Os discípulos tinham vindo de Betânia. Seus pés estavam cobertos de poeira. Eles não podiam assentar-se à mesa antes de lavar os pés. Esse era o serviço dos escravos, principalmente do escravo mais humilde de uma casa. Jesus estava no cenáculo com eles. Ali não havia servos. Jesus esperou que eles tomassem a iniciativa de lavar os pés uns dos outros. Mas eles eram orgulhosos demais para fazer um serviço de escravo. Ninguém tomou a iniciativa. Aliás, os discípulos abrigavam no coração a dúvida de quem era o mais importante entre eles (Luc. 22:24 a 30). O vaso de água, a bacia, a toalha-avental, dispostos ali, à vista de todos, os acusavam. (...). Mesmo assim, ninguém se mexia. Eles pensavam que privilégios implicava grandeza, reconhecimento, aplausos e regalias. Jesus, porém, reprova a atitude deles, mostrando-lhes que, entre os que O seguem, mede-se a grandeza de qualquer um pelo serviço prestado. D. A. Carson diz corretamente que os discípulos ficariam felizes em lavar os pés de Jesus; eles não podiam conceber, entretanto, a ideia de lavar os pés uns dos outros, visto que essa era uma tarefa normalmente reservada aos servos inferiores. Pares não lavam os pés uns dos outros, exceto raramente e como sinal de grande amor.

Foi no meio de tais homens que se sentiam muito importantes, entre eles Judas Iscariotes, o traidor, que Jesus Se levanta. Mesmo sabendo que era o Filho de Deus e que tinha vindo do Céu e voltava para o Céu, Jesus cinge-se com uma toalha, deita água em uma bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha. Jesus repreende o orgulho dos discípulos com Sua humildade. Jesus mostra que, no reino de Deus, maior é o que serve. A grandeza no reino de Deus não é medida por quantas pessoas estão a seu serviço, mas a quantas pessoas você está servindo.

Considerações Finais

A Santa ceia, dentre outros significados, constitui um vívido memorial de nossa redenção. Devemos dela participar com consciência leve diante de Deus. Sua celebração é revestida de solenidade, mas não pode ser confundida com uma cerimônia fúnebre. Conquanto fale de morte, ela, paradoxalmente, celebra a vida — a vida eterna. Afinal, Jesus ressuscitou! Podemos sintetizar os argumentos em prol da Santa ceia com lava-pés, afirmando que esta prática:

Por último, podemos encerrar a matéria exposta, concordando com o Pastor Hernandes D. Lopes quando, citando William MacDonald, alardeia que a Ceia do Senhor é o elo entre as Suas duas vindas, o monumento de uma, a garantia de outra. Nesta toada, não se pode furtar à constatação de que a Santa Ceia é, também, um ato de ação de graças (gr., Eucharistia) por Seu sacrifício por nós.

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