Banner da lição da escola bíblica vigentePara se se ter uma vida espiritual saudável, a busca diária através da oração e da leitura bíblica não é algo opcional. Se quisermos permanecer de pé espiritualmente, mesmo sendo bombardeados todos os dias pelo inferno e todos os tipos de tentações, é imprescindível buscar na fonte eterna, que é Cristo Jesus, forças para cada dia de batalha. Cada cidadão do Reino de Jesus deve tomar sua carne, suas vontades e lançar-se de vez, sem olhar as circunstâncias adversas.

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  E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.    

Não é fácil conseguirmos atribuir uma função ao Espírito Santo no nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus. Os poucos textos que temos nos dão alguma ideia, mas mesmo esses não são completamente esclarecedores. Temos que entender que a encarnação de Cristo é um mistério e que como tal devemos estudá-la. Também a própria Trindade é um mistério e tentar atribuir aos membros dela qualquer atribuição é muito difícil. Nessa semana vamos procurar analisar e compreender a atuação do Espírito Santo na obra da redenção desde o nascimento de Jesus até a Sua ressurreição. 

O ESPÍRITO SANTO E O MISTÉRIO DO NASCIMENTO DE JESUS

Não resta dúvida de que o nascimento de Jesus tem a intervenção direta do Espírito Santo. A Bíblia é clara a respeito disso. Mas é impossível precisarmos como isso se deu claramente. Temos que entender que toda a Trindade se envolveu de alguma forma na encarnação. Em Hebreus 10:5 diz “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste”. Aqui vemos que um corpo foi preparado para Jesus. Era necessário que a segunda pessoa da Trindade se tornasse um de nós. Mas não apenas ter um corpo, mas ser um de nós com a mesma natureza, mesma origem, mesma descendência, mesmas fraquezas (Hebreus 2:17). Ele deveria compartilhar em tudo a mesma experiência que nós experimentamos. Mas nem por isso devemos achar que Jesus era igual a nós. De forma alguma podemos ter essa ideia. Quando fomos concebidos passamos a existir a partir daquele momento. Mas o Deus encarnado já existia desde a eternidade, não passou a existir quando de Sua concepção pelo Espírito Santo (Miquéias 5:2; João 1:1-3, 14; 8:58). Temos que ter muito claro também que Jesus era um ente santo (Lucas 1:35). Ele foi em tudo igual a nós, mas sem pecado. Paulo o coloca como o segundo Adão (1 Coríntios 15:45). Jesus herdou todas as nossas dificuldades físicas e mentais, todas as nossas fraquezas. Mas espiritualmente ele era como Adão antes de sua queda, perfeito. Se não fosse assim Ele não poderia ter sido nosso Salvador porque seria pecador.

Em João 3:16 Jesus é chamado “filho unigênito”. Isso tem um significado muito importante para nós. O termo unigênito vem do grego μονογενης monogenes que pode significar único do seu tipo ou filho único. É uma palavra derivada das palavras gregas μονος monos – único, sozinho, desamparado, destituído de ajuda; e γινομαι ginomai – vir à existência, receber a vida, ser gerado. Neste sentido, Jesus foi o unigênito, pois Ele é o único nascido da forma como foi, gerado pelo Espírito Santo, o único gerado de sua espécie. Totalmente humano, totalmente Deus.

Essa diferença se deu pela atuação direta do Espírito Santo que Lhe formou e Lhe deu um corpo formado em santidade. Grande mistério é esse assunto, tentar explicar é como tentar colocar o oceano dentro de um copo. Isso é impossível. Mas assim como podemos colocar parte do mar em um copo, assim podemos tentar explicar um pouco a obra do Espírito de Deus na encarnação do Senhor. Basta-nos aceitar que o nascimento é de procedência direta do Espírito Santo conforme o relato bíblico nos afirma de forma clara e direta.

O ESPÍRITO SANTO E SUA ATUAÇÃO NA VIDA DE JESUS

O homem Jesus não foi em nada diferente de nós humanos. Como já vimos, Ele se tornou verdadeiramente homem, embora permanecesse verdadeiramente Deus. Filipenses 2:6-8 nos mostra que Jesus esvaziou-se e tornou-se servo. Era participante de todas as nossas fraquezas, porém era santo desde o nascimento não conhecendo o pecado. Quando esteve entre nós Jesus padeceu nossas fraquezas. Sentiu fome, sentiu frio, sentiu medo, padeceu de dor. No deserto foi tentado pelo diabo após ficar quarenta dias sem comer e sentiu-se fraco por isso. Ele chorou quando sentiu tristeza e temeu a morte como todos, os homens nascidos neste mundo. Porém isso não o torna igual a nós. Somos tentados em nossas concupiscências, Jesus não. Ele mesmo disse “Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e ele nada tem em mim;” (João 14:30).

Mas embora sendo santo e sem pecado, a fraqueza de Sua carne humana decaída desde Adão não Lhe dava nenhuma vantagem. Lembremos que Jesus e Adão (antes da queda) eram santos. Mas Adão não sentia frio, não tinha medo, não sentia dor. Essas coisas só se tornaram uma realidade para ele após a queda. Essa fraqueza passou a todos os homens, incluindo Cristo. Mas para vencer o pecado e a morte Jesus precisava vencer onde Adão caiu. Para isso ele foi sustentado pelo Espírito Santo. O poder vindo do Santo Espírito foi que fez com que Jesus permanecesse sem cometer pecado. Assim como Adão sendo perfeito pecou, Jesus também podia pecar. Mas mediante a habitação sobrenatural do Espírito de Deus Ele foi fortalecido e permaneceu fiel à vontade de Deus, não se maculou com a impureza.

Da mesma forma podemos nós vencer. “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus” (Romanos 8:14). É o Espírito Santo que nos guia em nossas fraquezas e nos sustenta para que possamos vencer nossas inclinações carnais. Assim como Ele sustentou Jesus também fará o mesmo com aqueles que são nascidos da água e do Espírito (João 6:3-8). Da mesma forma, Jesus nada falou de Si mesmo. Como homem teve que Se esvaziar e como homem teve de viver. Até mesmo aquilo que Ele ensinou e praticou veio do Espírito de Deus. Isaías 61:1 diz “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”.

Muitos acham que Cristo operava milagres e ensinava com sabedoria porque era Deus. Mas se Ele tivesse agido como Deus como poderia dizer que faríamos obras maiores que as d’Ele (João 14:12)? Todas as Suas obras foram por intermédio do Espírito Eterno que habitava nEle. Da mesma sorte podemos nós ser também usados pelo Espírito Santo. Após a ascensão de Cristo, muitos milagres foram operados pelos Seus seguidores. Paralíticos foram curados (Atos dos Apóstolos 3:6-8), mortos foram ressuscitados (Atos dos Apóstolos 9:36-41; 20:9-12). Se nos entregarmos nas mãos do Senhor com humildade e fé faremos as mesmas obras do Senhor com o mesmo poder que agiu sobre Ele.

O ESPÍRITO SANTO E SUA ATUAÇÃO NA MORTE DE JESUS

Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:14).

O Senhor Jesus no momento de Sua paixão enfrentou a morte pelo poder do Espírito Santo. Com esse poder Ele pôde suportar todas as agruras desse momento terrível. Não podemos esquecer que nossos pecados foram postos sobre Cristo em algum momento entre a última Ceia e seu sofrimento no Getsêmani. Esses pecados causaram um rompimento entre o Pai e o Filho, algo que nunca havia ocorrido desde a eternidade. A Bíblia diz “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2).

Ora, se os pecados de um único homem ou de uma nação encobre o rosto de Deus para eles, o que podemos dizer de Jesus que recebeu o pecado de toda a humanidade e tornou-se culpado dessas iniquidades como se Ele mesmo as tivesse praticado? Sozinho ele teve que andar pelo vale da sombra e da morte apenas sustentado pelo Espírito Santo. Não houvesse a interferência sobrenatural do Espírito de Deus sobre Jesus e Sua natureza humana teria sido esmagada pelos pecados de todos os homens (desde Adão até nossos dias) que foram postos sobre Ele.

Nós quando pecamos nos sentimos horríveis. Muitos até mesmo tiram a vida porque não suportam o peso de suas más obras. É possível imaginar o horror que o nosso Salvador passou com todos os pecados postos sobre Ele? Foi o Espírito Santo que permitiu a obra da redenção ao tornar possível a Jesus Cristo se manter em pé mesmo com o peso dos pecados do mundo todo. Nós podemos reivindicar o mesmo Espírito quando estamos em desespero e pecado. Embora Deus não possa suportar nossos pecados, podemos nos achegar a Ele por meio de Cristo pelo ministério do Espírito Santo. (Romanos 8:27). Por esse poder os santos do passado não temeram a morte. Por meio desse poder suportaram as mais terríveis provações. Mas para sermos tomados por esse poder, necessitamos ser regenerados pelo Espírito de Deus. Não podemos esperar ser sustentados pelo poder do Senhor vivendo uma vida de pecado, isso seria presunção e uma ofensa a Deus.

O ESPÍRITO SANTO E SUA ATUAÇÃO NA RESSURREIÇÃO DE JESUS

A ressurreição de Jesus é uma obra da Trindade. Jesus ressurge dos mortos porque Deus o ressuscitou (Gálatas 1:1), porque o Espírito Santo o trouxe dos mortos (Romanos 8:11) e porque Ele próprio ressurge pelo Seu poder (João 2:19; 10:17-18). Não podemos separar a obra do Espírito Santo dos demais membros da divindade. Aqui Eles agem em pleno conjunto demonstrando a unidade da Trindade. Mas o Espírito teve sim uma parte fundamental como em todo o ministério de Jesus desde o Seu nascimento até a Sua morte. Dessa forma Abraham Kuyper diz:

O mesmo Espírito Santo que executou a Sua obra na concepção do nosso Senhor, que atendeu ao desdobrar-se da Sua natureza humana, que pôs em atividade cada dom e poder nEle, que consagrou-O ao Seu ofício como o Messias, que O qualificou para cada conflito e tentação, que capacitou-O para expulsar demônios, e que O suportou durante a Sua humilhação, paixão e amarga morte, era O mesmo Espírito que executou a Sua obra na Sua ressurreição… (Abraham Kuyper; A Obra do Espírito Santo)1

Novamente aqui temos que entender o grande mistério da morte e ressurreição do Salvador. Há coisas que não temos como explicar, apenas aceitamos pela fé porque a Bíblia assim afirma que aconteceu. As heresias entraram dentro do Cristianismo porque homens ímpios não aceitaram a revelação Bíblica e ficaram tentando explicar o inexplicável, tentaram entrar em um campo obscuro que Deus não revelou. Se o Senhor achou por bem não explicar certos aspectos da encarnação, vida, morte e ressurreição de Jesus devemos ser humildes e assim aceitar sem contestar e sem tentar criar ideias antibíblicas.

O mesmo Espírito pode nos vivificar de nossas iniquidades. “E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Romanos 8:11). Deus quer nos recriar, fazer nascermos novamente, ressuscitar-nos de nossa morte espiritual. Cabe a nós aceitar esse convite de amor e permitir que o Espírito de Deus faça em nós a obra de restauração e novo nascimento da nossa nova vida em Cristo (Gálatas 2:19-20).

CONCLUSÃO

Concluímos a lição dessa semana reforçando que Jesus nasceu e viveu como homem e Seu ministério foi sustentado pelo poder do Espírito Santo. A vida sem pecado, Sua mensagem cheia de poder e Seus milagres não provinham de Sua natureza divina, mas da atuação do Espírito do Senhor. Sua morte foi sustentada pelo Espírito Santo e Sua ressurreição teve a participação de toda a Trindade. Infelizmente muitos não aceitam esse mistério e infelizmente criam heresias que desviam a muitos ou então afastam-se dos caminhos do Senhor por não aceitarem que a mente humana não é capaz de absorver a infinidade de Deus e teimam em querer explicar aquilo que é inexplicável.

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

  1. Qual o papel do Espírito Santo no Nascimento de Jesus Cristo?
  2. O fato do Espírito Santo ter participado diretamente do nascimento de Cristo faz com que Jesus seja diferente dos outros homens?
  3. Qual o papel do Espírito Santo na vida de Jesus desde seu nascimento até sua idade adulta?
  4. As obras milagrosas e os ensinamentos de Jesus provinham d’Ele como Deus ou eram manifestas por intermédio do Espírito Santo?
  5. Qual a importância do Espírito Santo no sofrimento e morte de Jesus?
  6. O Espírito Santo teve alguma parte na ressurreição de Jesus?

Notas de Rodapé

1 KUYPER, Abraham. A Obra do Espírito Santo, p. 158. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1rci4by9AyLgED5rAb5YXulCKSfMFToaY/view

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