Banner da lição da escola bíblica vigentePara se se ter uma vida espiritual saudável, a busca diária através da oração e da leitura bíblica não é algo opcional. Se quisermos permanecer de pé espiritualmente, mesmo sendo bombardeados todos os dias pelo inferno e todos os tipos de tentações, é imprescindível buscar na fonte eterna, que é Cristo Jesus, forças para cada dia de batalha. Cada cidadão do Reino de Jesus deve tomar sua carne, suas vontades e lançar-se de vez, sem olhar as circunstâncias adversas.

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  Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.    

INTRODUÇÃO

   A morte de Jesus ocupa lugar principal na fé cristã desde que a Igreja nasceu. O apóstolo Paulo já afirmava: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3). “É um fato real que a morte de nosso Senhor na cruz é mencionada diretamente 175 vezes no Novo Testamento e indiretamente muito mais vezes. Isso por si mesmo é notável e impressionante e mostra a importância que é dada a ela nas Escrituras do Novo Testamento”. É um assunto profundo, por isso não se pretende explorar no presente estudo todos seus pormenores, mas sim lançar luz sobre ele apresentando textos bíblicos que dão embasamento para cada item abordado, é de fundamental importância que o leitor analise com a devida atenção a cada citação bíblica, busque conhecer com maior profundidade possível o assunto aqui abordado e acima de tudo procure aplicar cada verdade na sua própria vida. Que este estudo sirva de inspiração, alento, consolo e fortaleça a fé de cada um, dando certeza que a morte de Jesus é não apenas um evento histórico, que ficou em um passado distante, mas que faz parte de nós e de quem somos, e de certa forma é a nossa própria história, pois na cruz de Cristo todos fomos representados, e por Ele levado até à presença do Pai. Vejamos a seguir alguns pontos relevantes para o entendimento do assunto proposto nessa lição.

 

UMA MORTE ANUNCIADA

   Deve-se considerar que a morte de Jesus não foi um acontecimento acidental como alguns ainda são levados a crer. Independente das teorias propostas ao longo da História da Igreja sobre sua morte, parte-se da premissa de que não foi aleatório, pois as Escrituras asseguram que tais acontecimentos já haviam sido preditos com séculos de antecedência. A caminho da aldeia de Emaús, já ressurreto, Jesus afirma “não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”(Lucas 24:26). E após isso, o texto afirma que: “Começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras”(Lucas 24:27). Textos como, por exemplo, 1 Pedro 1:10-12, 2 Pedro 1:16-21 e 1 Coríntios 15:3-4 nos dão conta de que os primeiros cristãos viam a morte de Jesus como algo já anunciado, e, portanto que jamais poderia ter sido apenas por questões circunstanciais de seu tempo. Abaixo algumas profecias e seu devido cumprimento em Jesus.

 

PROFECIA
CUMPRIMENTO
Lançariam sorte sobre Sua túnica (Salmos 22:18).
Ofereceriam-Lhe vinagre (Salmos 69:21).
Zombariam d’Ele (Salmos 22:7-8).
Seria colocado entre ladrões (Isaías 53:12).
Seria sepultado por um rico (Isaías 53:9).
Seus ossos não seriam quebrados (Salmos 34:20).
Entregaria o espírito a Deus (Salmos 21:5).

 

 

   Conforme já exposto, os eventos que cercaram a morte de Jesus, e até mesmo em alguns detalhes, foram anunciados e tiveram seu devido cumprimento, assim não se pode admitir a hipótese de uma morte “acidental”, pelo contrário, fazia parte do plano redentor de Deus mesmo “antes da criação do mundo”(Apocalipse 13:8).

   Além dos relatos do Antigo Testamento e sua confirmação pelos Apóstolos, o próprio Jesus fala sobre como Ele deveria morrer. ( Marcos 8:31-32, Mateus 12:40 Marcos 10:32-34, João 12:20-33, Mateus 20:17-19). As Escrituras confirmam que Jesus não só tinha plena consciência de que Sua missão incluiria a morte na cruz, bem como tinha discernimento para saber quando a hora de Sua morte era chegada, pois na Sua última Páscoa Ele sabia “que era chegada a sua hora de passar desse mundo para o Pai” (João 13:1), em sua oração sacerdotal Ele exclama “Pai, é chegada a minha hora”(João 17:1).

   E à medida que “Sua hora” se aproximava, foi que Ele teve “a intrépida resolução de ir a Jerusalém” (Lucas 9:51), e para Jesus “ir a Jerusalém” seria mais que uma viagem de deslocamento geográfico, mas sim uma viagem com desdobramentos que culminariam em Sua morte, não uma morte heroica da perspectiva humana, mas em Suas próprias palavras, em Jerusalém Ele seria “entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida; mas, ao terceiro dia, ressuscitará”(Lucas 18:32-33), confirmando também que isso seria o cumprimento de “tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas”(Lucas 18:31).

PROPÓSITO RESGATADOR

   A teoria da morte de Jesus como resgate tem origem ainda no mundo antigo e aparece no Antigo Testamento quando Boaz resgata Rute(Rute 3:4), na história de Oseias e Gomer(Os 3:1-5) e também permeia o mundo do comércio antigo, sobretudo o comércio de escravos. A ideia básica é do resgate feito mediante um preço pago, esse é basicamente o entendimento da palavra grega “lutroo”.

   O ensino bíblico é que o sangue de Cristo foi o preço pago pela nossa redenção conforme textos a seguir: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18-19), e nas palavras inspiradas do Apóstolo Paulo, que sendo Cristo o único mediador entre Deus e os homens Ele “a si mesmo se deu em resgate por todos”(1Tm2:6) e quando na carta aos Hebreus Cristo nos é apresentado como Sumo Sacerdote, afirma que Sua obra salvífica não foi “por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hebreus 9:12). Os textos já mencionados apontam para que a doutrina do resgate seja bíblica e válida, e “aqueles que creram em Cristo são resgatados do maldito mercado de escravos do pecado e do diabo. A obra de resgate de Cristo é necessária por causa da servidão, a qual o pecado nos entregou. Então, isso significa que a morte de Cristo é uma obra de resgate, e a doação de sua vida foi o preço desse resgate”.

   Foi por meio do preço pago por Cristo que fomos resgatados da maldição da lei (Gálatas 3:10-13), da culpa (Gálatas 2:20 Romanos 8:33), do pecado (João 8:32-36) e da morte (João 5:24 Colossenses 1:13). Embora possa haver objeções quanto ao ensino do resgate, não se pode negar que de fato o mesmo tem apoio nas Escrituras e satisfaz ao propósito de Deus, em Cristo nos fazer livres de toda e qualquer prisão na esfera espiritual. Mas a quem esse preço foi pago? Alguns levantaram a hipótese de que teria sido pago ao próprio diabo, e esse tem sido o motivo que alguns tendem a rejeitar a teoria do resgate, a esse respeito Zacarias Severa comenta que “não parece razoável, nem bíblico, que o sacrifício tenha sido oferecido a Satanás. Este não adquiriu nenhum direito sobre a humanidade, e a Bíblia não fala de nenhuma transação que Deus tenha feito com o diabo. Certamente, o preço do resgate foi oferecido ao próprio Deus. Foi Deus que, pela Sua justiça e santidade, sujeitou o pecador ao domínio e às consequências do pecado, obras do diabo, de cujo cativeiro Cristo nos resgatou”

 

PROPÓSITO RECONCILIADOR

   Há duas verdades severas na Bíblia que recai sobre a humanidade como uma declaração condenatória, a saber: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”(Romanos 3:23) e “O salário do pecado é a morte”(Romanos 6:23). Em Adão, todos os homens foram feitos pecadores (Romanos 5:14-17-19) e nesse estado encontram-se sob o juízo divino, a menos que creiam em Jesus (Jo3:36). Assim, é de suma importância compreender esse aspecto reconciliador da morte de Jesus. Franklin Ferreira comenta com muita propriedade a esse respeito e diz que a ideia de reconciliação “vem das relações familiares, e tem o sentido de fazer a paz, trocar inimizade por amizade. Nesse sentido, a reconciliação corre devido ao nosso estado de alienação para com Deus, que é resultante de nossos pecados”. Alguns ensinos sobre a reconciliação são apresentados a seguir:

   As Escrituras afirmam em 2 Coríntios 5:18-20: “Ora, tudo provem de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. A palavra reconciliação, em seu original grego “katalasso”, significa basicamente “troca”, comumente usada no mundo antigo para se referir à troca de moedas; no texto acima, ela tem o sentido de “mudar de posição” ou “trocar inimizade por amizade”, pois devido ao pecado, o homem se tornou “inimigo” de Deus (Romanos 5:10), assim, coube ao próprio Deus a iniciativa dessa reconciliação, Ele nos reconciliou consigo mesmo, removeu a culpa e ainda nos deu esse “ministério”, a saber, por meio do Evangelho cabe a nós proclamar que Deus reconcilia, traz para perto d’Ele e restabelece a harmonia com aqueles que prontamente ouvem Sua voz e creem nAquele que Ele enviou. É ainda oportuno o que Albert Barnes comenta a esse respeito:

“Eles violaram Suas leis. Eles eram seus inimigos. Mas, por meio do plano de salvação, eles foram levados a um estado de concordância, ou harmonia, e estavam unidos em sentimento e em alvo com ele. Duas pessoas que foram alienadas pelo preconceito, pela paixão, ou pelo interesse, são reconciliadas quando a causa da alienação é removida, de qualquer lado que possa ter existido, ou se de ambos os lados, e quando eles deixam de lado sua inimizade e se tornam amigos. Desde então, eles estão de acordo e vivem juntos[...]. O homem estava alienado de Deus. Ele não tinha amor por ele. Ele não gostava de seu governo e leis. Ele procurou seu próprio prazer. Ele era orgulhoso, vaidoso e autoconfiante. Ele não estava satisfeito com o caráter de Deus, ou com suas reivindicações ou seus planos. E da mesma forma, Deus estava descontente com o orgulho, a sensualidade, a rebelião, a altivez do homem. Ele estava descontente com o fato de Sua Lei ter sido violada, e esse homem havia abandonado seu governo. Agora, a reconciliação só poderia ocorrer quando essas causas de alienação fossem postas de lado, e quando Deus e o homem fossem trazidos à harmonia; quando o homem deveria deixar de lado seu amor pelo pecado, e deveria ser perdoado, e quando, portanto, Deus poderia consistentemente tratá-lo como um amigo.

Naturalmente, toda a mudança que ocorre deve ser da parte do homem, pois Deus não mudará, e o propósito do plano de reconciliação é efetuar tal mudança no homem a ponto de fazê-lo de fato reconciliado com Deus. Havia, de fato, obstáculos à reconciliação por parte de Deus, mas eles não surgiram de qualquer relutância em se reconciliar; de qualquer relutância em tratar sua criatura como sua amiga; mas eles surgiram do fato de que o homem havia pecado e que Deus era justo; que tal é a perfeição de Deus que Ele não pode tratar tanto o bem como o mal; e que, portanto, se Ele tratasse o homem como Seu amigo, era necessário que de algum modo Ele mantivesse a honra de Sua Lei, e mostrasse Seu ódio ao pecado [...].Mas Deus não mudou. O plano de reconciliação não fez mudanças em seu caráter. Não fez dele um ser diferente do que ele era antes. Muitas vezes há um erro neste assunto; e as pessoas parecem supor que Deus era originalmente severo, impiedoso e inexorável, e que ele foi feito suave e perdoador pela expiação. Mas não é assim. Nenhuma mudança foi feita em Deus; nenhum precisava ser feito; nenhum poderia ser feito[...].

Tal era seu amor original pelo homem, e sua disposição de mostrar misericórdia, que ele se submeteria a qualquer sacrifício, exceto o da verdade e da justiça, a fi m de que ele pudesse salvá-lo. Por isso, ele enviou seu único Filho para morrer - não para mudar seu próprio caráter; não para se tornar um ser diferente do que ele era, mas para mostrar seu amor e sua prontidão para perdoar. “Deus amou o mundo de tal maneira que enviou seu Filho unigênito”.

 

PROPÓSITO SUBSTITUTIVO

   O ensino bíblico sobre a morte de Jesus esclarece que Ele morreu não por Seus próprios pecados, pois Cristo “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1 Pedro 2:22), e ainda, as Escrituras afirmam que “foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4:15). Jesus morreu em lugar dos pecadores “Ele morreu por todos” (2 Coríntios 5:15), e ainda “aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21), o Apóstolo Pedro é enfático ao afirmar que “Cristo sofreu em vosso lugar” (2 Pedro 2:21) e que “carregando ele mesmo sobre o madeiro, os nossos pecados”(2 Pedro 2:24). O profeta João Batista aponta para o Cristo e exclama “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”(João 1:29). Conforme os textos mencionados, a morte de Jesus foi de caráter substitutivo, vicária, pois Ele tomou nosso lugar, e por outro lado Ele substituiu os sacrifícios realizados no tabernáculo durante o Antigo Testamento (Hebreus 7:12-14; 23-26; 28).

   Frankilin Ferreira comenta que “No Antigo Testamento, a propiciação refere-se literalmente ao propiciatório, que era a tampa da arca da aliança, que fi cava no tabernáculo. Nessa tampa, o sangue do sacrifício era aspergido pelo sumo sacerdote no dia da expiação, quando Deus concedia perdão a Israel”. E quanto a isso afirma: “O pecado era tratado mediante um substituto, e o resultado disso é que os pecados do povo eram cobertos e o povo era restaurado a uma posição que podia ser abençoado por Deus. Há uma frase em Hebreus 9:22 que resumiria tudo isso: Sem derramamento de sangue não há remissão[...] os sacrifícios do Velho testamento estavam apontando para a perfeita oferta pelo pecado que estava por vir; eram tipos do Senhor Jesus Cristo em sua morte”. O Novo Testamento ensina com muita clareza que em Cristo somos salvos porque Cristo morreu por nós, como mostra por exemplo os seguintes textos: João 1:29, 1 Coríntios 5:7 Romanos 5:6 Gálatas 1:4 Hebreus 9:14. Não resta dúvida quanto a isso, que “Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos”(1 Pedro 3:18).

   É de fundamental importância o comentário de Zacarias Severa, uma vez que se tem levantado algumas objeções quanto à doutrina da substituição.

“Diz-se que a preposição grega anti pode significar “no lugar de”; mas a preposição huper , que é frequentemente usada quando se fala do sofrimento de Cristo, significa “em favor de”, com vistas ao benefício de, e nunca “no lugar de” ou “ao invés de”. Quanto à preposição anti não há dúvida de que ela significa “ao invés de” ou “no lugar de” (Mateus 5:38; 20:28; Marcos 10:45; Lucas 11:11; Romanos 12:17; 1 Tessalonicenses 5:15; 1 Pedro 3:9; Hebreus 12:16). Mas também huper pode ser empregado com o sentido de “ao invés de”, dependendo do contexto. Em 2 Coríntios 5:14-15,21 e Gálatas 3:13 é difícil negar a ideia de substituição. Portanto Cristo não morreu somente em nosso favor, mas em nosso lugar.

Como Deus poderia punir um inocente no lugar dos culpados? A resposta é que aquele que sofreu foi o próprio Deus que puniu, isto é, Jesus Cristo divino. Isto é possível, moralmente falando. Outra questão é se Deus já teve satisfação pelos pecados dos homens, então perdão não é perdão, mas dever. A resposta é que quem perdoa é o mesmo que sofreu a penalidade, e para que haja perdão ele exige uma condição: arrependimento”.

   Pelo exposto acima reafirmamos tal doutrina, Jesus morreu em nosso lugar e em nosso favor, nesse sentido somos beneficiados por Sua morte vicária na cruz, porem ela só terá efeito em nossa vida mediante arrependimento e aceitação de Seu sacrifício.

 

PROVA DO AMOR DE DEUS

   Chegamos ao clímax da lição de hoje, tudo quanto estudamos até aqui não faria sentido se não tivesse sido lançado sobre as bases mais sólidas, o puro e incondicional amor de Deus revelado em Jesus. Vejamos, pois, com que clareza as Escrituras nos apresentam tal verdade sublime: 

   “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”(João 3:16). Esse verso tem sido considerado o “Evangelho em miniatura”, nele resume toda a revelação bíblica de Gênesis a Apocalipse, nas palavras de Lutero, Ele “excessivamente e além da medida amou”, é aqui que se encontra a fonte de onde procede a salvação dos homens. Carson comenta que “Mais do que qualquer escrito no Novo Testamento, João desenvolve uma teologia das relações de amor entre o Pai e o Filho, e deixa claro que, quando aplicado a seres humanos, o amor de Deus não é a consequência da amabilidade d’Eles, mas da sublime verdade que Deus é amor”.

   Está em vista aqui o amor de Deus sendo demonstrado de maneira intensa e única, tal qual nunca antes na revelação bíblica, o máximo que os rabinos judeus conseguiam conhecer e expressar era o amor de Deus por Israel, mas no texto acima isso ultrapassa em muito qualquer nação ou povo, pois abrange o cosmos (todo universo), tudo, absolutamente tudo é objeto desse amor. Nas palavras de Bruce “se há uma sentença que resume melhor a mensagem do quarto evangelho, aqui está ela. O amor de Deus não tem limites; ele engloba toda humanidade. Nenhum sacrifício foi grande demais para trazer sua intensidade sem medida a homens e mulheres: o melhor que Deus tinha para dar, Ele Deu – Seu único Filho, tão amado[...] a essência da mensagem da salvação é deixada tão clara que não permite mais dúvidas, em uma linguagem que pessoas de todas as raças, culturas e épocas podem compreender, e é exposta nestas palavras de maneira tão eficaz que, provavelmente, muitos acharam a vida mais através delas do que por meio de qualquer outro texto bíblico”.

   Outra afirmação sobre o amor de Deus vem dos lábios do próprio Jesus ao proclamar que “Ninguém tem maior amor que este: de dar alguém a sua própria vida em favor dos seus amigos”(João 15:13). E nesse sentido, o Apóstolo Paulo diz: “Mas Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). João diz que “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós” (1 João 3:16). O profeta Isaías, sete séculos antes, já havia profetizado a respeito “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas iniquidades; e o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:4-5). A cruz era símbolo do sofrimento, dor, morte e acima de tudo de maldição (Deuteronômio 21:22-23 e Gálatas 3:13) mas mesmo assim, ela foi parte do plano de Deus, pois nela Ele tornou efetivo de forma cabal Seu amor para conosco, é na cruz que vemos não apenas a depravação do homem e quão profundamente o pecado afetou a humanidade, mas o quanto o amor de Deus está para além de toda sabedoria e compreensão humana. Nesse sentido comenta Carson:

“o amor de Deus deve ser admirado não porque o mundo é tão grande e incluiu muita gente, mas porque o mundo é tão mau[...] se é verdade que a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, e se o salário do pecado é a morte, também é verdade, maravilhosamente verdadeiro, que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Os cristãos não nasceram cristãos; eles eram por natureza merecedores da ira. Apesar desse estado desesperador, eles foram vivificados com Cristo por causa do grande amor de Deus por eles, esse Deus que é rico em misericórdia”.

 

 

CONCLUSÃO 

   A morte de Jesus é a base da mensagem cristã, um evangelho que não a proclama é oco, sem poder regenerador. Dela depende nossa fé, através dela fomos reconciliados com Deus, Jesus a sofreu em nosso lugar, e é por ela que temos a dimensão do amor de Deus, compreendemos que somos alguém para Ele, que Se importa com cada ser humano e o busca, o ama e o acolhe, não por este possuir qualquer mérito, mas porque Jesus conquistou na cruz todos os benefícios que o Pai nos concede. 

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

1. Como demonstrar biblicamente que a morte de Jesus não foi acidental?

R. 

 

2. De onde vem a ideia de “resgate” e como isso é compreendido à luz do Novo Testamento?

R.

 

3. De onde vem a ideia de ”substituição” e como ela se relaciona com a morte de Jesus?

R.

 

4. Em que sentido pode ser entendida a afirmação que Deus amou o mundo de “tal maneira”?

R.

 

5. O que os primeiros discípulos já afirmavam sobre a morte de Jesus (2 Coríntios 5:14)?

R.

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