Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.    

1 Coríntios 15:27 

  E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.    

1 Coríntios 15:28 

INTRODUÇÃO

   Ao olharmos isoladamente o verso-chave, podemos nos questionar: Como pode ser isso? Como pode um Deus estar sobre, além e fora da Sua criação e, ao mesmo tempo, ser tudo em todos? E ainda, como pode o homem conhecer e entender esse Deus? No mesmo sentido, temos na Carta aos Efésios 4:6:” “...um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efésios 4:6 - NAA). Deus está acima de todos, submete todos e ainda age por meio do ser criado, estando em todos. Há que se ressaltar que Deus, ao mesmo tempo, está em tudo e em todos e acima de tudo e de todos.

   O estudo sobre a natureza de Deus, em si, já parece uma tarefa impossível. Diante da relatividade, finitude e caráter falho do Homem, não se pode iniciar qualquer análise ou estudo sobre Deus e Sua Natureza sem a certeza de que nada pode ser dito ou pensado sem a ajuda d´Ele. O que se coloca diante de todo aquele que deseja conhecer Deus é a necessária busca por Sua Revelação. Assim, não se pode fazer qualquer afirmação sem o uso fundamental da Bíblia como Revelação de Deus. É claro que a própria Bíblia afirma que se conhece Deus por meio de Sua criação. Que a “obra de Suas mãos” revelam-no. Entretanto na Palavra escrita é onde está a revelação especial de Deus, onde Seu plano de amor, justiça e graça é revelado.

    A Bíblia não tenta provar que Deus existe, admite a Sua existência, pois é a revelação escrita de Deus e começa com: “No princípio criou Deus”, mas devemos voltar à pergunta inicial: podemos conhecer a Deus? Sim, é a resposta. Deus não poderia ser conhecido se não existisse e não teria Se revelado se não pudesse ser conhecido. Entretanto, nem todo homem conhece a Deus. A Bíblia revela que podemos conhecer a Deus, mas não completamente, pois dependemos da Sua Revelação. Por outro lado, também diz que, ao homem natural, é impossível conhecer a Deus, do mesmo modo que aquele que foi regenerado. Só há um sentido em que todos conhecem a Deus, mesmo o homem natural, não regenerado: quando Deus Se revela para justiça.

   Assim diz o Apóstolo Paulo: “a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:18-22).

    A Bíblia também diz que os ímpios não conhecem a Deus: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente” (Romanos 1:23-25). O Apóstolo Paulo diz que os gentios “não conhecem a Deus” (1 Tessalonicenses 4:5), referindo-se ao conhecimento espiritual que só o crente possui.

   Essa é uma das consequências do pecado, todos podem conhecer a Deus, mas nunca de modo sufi ciente para reconhecê-lO e adorá-lO. Mesmo tendo todas as evidências, os fatos, a revelação por meio da criação, os homens naturais não tiram as conclusões corretas a respeito de Deus. Necessitam, assim, para conhecer a Deus, de modo a reconhecê-lO e adorá-lO, de uma nova revelação e de uma nova visão: a revelação das Escrituras e a visão dada pela regeneração espiritual, oriunda exclusivamente do Espírito Santo.

   Com isso, não há como discorrer sobre os Atributos de Deus e do Seu Ser sem amparo bíblico. Afinal, como falar do Absoluto senão por meio da Sua revelação especial no Texto Sagrado e guiados pelo Espírito Santo? Deus se mostra para o homem tanto pelas obras criadas como, de modo especial, pela Escritura e por Jesus Cristo, a imagem visível do Deus invisível, aquele que possui a “plenitude da Divindade”. Assim, a caminhada deve se dar estritamente amparada nos textos bíblicos, que apontam e revelam expressamente a natureza e o Ser de Deus, bem como Jesus Cristo, a Sua revelação visível aos homens.

   Neste ponto é que podemos fazer uma outra pergunta: como se dá essa relação entre Deus e Sua criação, notadamente quando se trata de revelação, sustento, relacionamento e salvação? Como Ele pode estar em toda parte e em tudo sem, no entanto, Se confundir ou depender da Sua criação? A resposta resumida sobre o relacionamento de Deus está calcada em dois conceitos: o de imanência e o de transcendência de Deus.

   A Bíblia, como revelação, traz o ensino da relação entre Deus e a criação. Do mesmo modo, ensina que a criação é algo diferente de Deus, mas provém d´Ele e pertence a Ele, estando Deus presente em toda a criação. Ele não faz parte da criação, porque ele a fez e a governa. Assim, Deus é muito maior e essencialmente diferente do que a criação, Ele é transcendente. O que significa que Deus é infinitamente maior e “além” da criação, sendo independente dela, não podendo ser confundido com a criação, mas não sendo alheio a essa mesma criação.

   Ao mesmo tempo, Deus é completamente envolvido na criação, porque a criação é continuamente dependente para sua existência e funcionamento. O termo usado quando se fala sobre a intervenção de Deus na criação é a palavra imanente que signifi ca a presença de Deus na criação é “permanente”, mas não há confusão de essência, pois Deus está na criação, mas não se confunde com ela. Nosso Deus não é uma divindade abstrata longe da criação e sem interesse nela. A Bíblia é a história do “Deus que intervém” em toda Sua criação e na vida de todos os homens, especialmente na vida das pessoas que n´Ele acreditam. O Livro de Jó diz que até os animais e as plantas dependem de Deus: “Em suas mãos está a vida de todo ser vivente, e o sopro que anima todos os seres humanos” (Jó 12:10).

 

O ATRIBUTO DA IMANÊNCIA DE DEUS

   A Bíblia revela tanto a imanência quanto a transcendência de Deus, apresentando-O muito próximo do homem, como criatura feita a Sua imagem e semelhança, bem como descreve toda a criação como revelação da Sua existência e poder, conforme podemos verificar em Atos dos Apóstolos 17:27-28: “não está longe de cada um de nós: porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (vv. 27,28)22. Há uma relação de proximidade, mas, ao mesmo tempo, de diferença essencial entre a criatura e o Criador, pois Ele está além e sobre toda a existência e atividade da criação.

   Encontram-se na Bíblia descrições de atos, vontade, poder e presença de Deus, que colocam todo o sustento e controle da criação e dos acontecimentos sob o governo e a soberania de Deus. Esses relatos apontam sempre para uma proximidade entre o Criador e a criação, chegando à identificação entre o ser criado moral (homem) com o Criador quando lemos “façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. Essa identificação, no entanto, não torna a criação como possuidora de divindade, tampouco reduz Deus à criação, fazendo-o dependente da criação para existir.

   Desse modo, quando lemos nas Escrituras:

• “Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca” (Salmos 95:4-5).

• “Os seus relâmpagos iluminam o mundo; a terra viu e tremeu. Os montes derretem como cera na presença do SENHOR, na presença do Senhor de toda a terra” (Salmos 97:4-5).

• “Ele ordena a escuridão, e faz-se noite; todas as criaturas na terra, no mar e no ar esperam dele que lhes dê o seu sustento em tempo oportuno” (Salmos 104:20 27).

• “a sua mão e farta os desejos de todos os viventes” (Salmos 145:16).

• “Ele cobre o céu com nuvens, prepara a chuva para a terra, faz produzir erva sobre os montes, dá o sustento aos animais e aos filhotes dos corvos, quando estes clamam, dá neve como lã, esparge a geada como cinza, lança o seu gelo em pedaços; manda a sua palavra e os faz derreter, faz soprar o vento e correr as águas” (Salmos 147:8-9,16-18);

• “Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar, e chama a todas as hostes pelo nome” (Isaías 40:22-26);

• “Ele faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45); • “Ele alimenta as aves do céu, e veste a erva do campo com beleza” (Mateus 6:26-30);

• “Nenhum passarinho cai em terra sem a vontade dEle, e os cabelos das nossas cabeças estão todos contados por ele” (Mateus 10:29-30);

• “Mesmo a sorte que se lança no regaço é determinada pelo Senhor” (Pr 16:33);

• “O coração do rei é na mão do Senhor como ribeiros de águas: que o inclina a todo o Seu querer” (Pr 21:1), podemos assegurar que a Bíblia demonstra a imanência de Deus em toda criação e toda atividade dos seres criados se deve a Sua presença e poder. Com isso, Deus não está somente em todas as coisas, mas há uma relação entre a criatura e o Criador. Todas as virtudes e atos da criatura remetem a Ele, notadamente as virtudes do homem, criado a imagem e semelhança d´Ele. Na imanência demonstrada nas Escrituras, Deus não está longe ou separado da criação, mas atua constantemente nela.

   No mesmo sentido, os frequentes antropomorfismos nas Escrituras demonstram a imanência, demonstrando a proximidade, semelhança e identificação do Criador com a criatura moral (homem). Alguns exemplos: quando Deus fala de si como tendo uma face (Êx 33:20,23); ainda, quando o salmista anseia contemplar a face de Deus na justiça (Salmos 17:15). Também as Escrituras falam acerca dos olhos do Senhor (Salmos 11:4; 32:8; 34:15; Pr 15:3; Hebreus 4:13) e até mesmo das suas pálpebras (Salmos 11:4). As expressões nas Escrituras que atribuem a Deus sentimentos humanos e virtudes das criaturas, inclusive membros do corpo humano, não devem ser interpretadas literalmente. Se isso ocorresse, Deus estaria se confundindo com as coisas e seres criados.

   Deus é perfeito, infinito, eterno, criador e sustentador de tudo que existe, inclusive o homem. Assim, todas as coisas são feitas e sustentadas pela palavra de Deus de tal forma que refletem, ainda que de forma limitada, Sua natureza e Suas virtudes gloriosas. Deus chamou todas as coisas à existência a partir da Sua vontade onipotente. Deus é imanente, pois criou, atua e sustenta o mundo: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas; nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa, pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais. De um só homem fez todas as nações para habitarem sobre a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem Deus se, porventura, tateando, o possam achar, ainda que não esteja longe de cada um de nós; pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dos poetas de vocês disseram: “Porque dele também somos geração.”Portanto, visto que somos geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem” (Atos dos Apóstolos 17 24-29). 

 

A TRANSCENDÊNCIA DE DEUS

   Assim como a imanência de Deus significa que Ele está no mundo e relacionado a ele, também a transcendência essencial de Deus significa que, em Si mesmo Ele é infinitamente exaltado sobre o mundo, e há um abismo intransponível entre o mundo e Seu ser infinitamente glorioso. Ele é Deus. Ele é o absoluto. Ele transcende toda a existência e todas as relações da criatura. Nas Escrituras, a transcendência aponta para a absoluta elevação moral de Deus sobre a criatura. Não há medida de comparação moral entre Deus e o homem, a não ser para determinar o quão distante e insignificante é a moral e justiça do homem em relação a Deus, pois a nossa justiça é “como trapo de imundícia” se comparada como a Justiça de Deus.

   Há necessidade de se falar sobre a transcendência de Deus quando se aborda os atributos e os nomes de Deus. Nesse ponto, portanto, cabe ressaltar que ao falarmos de transcendência não estamos limitando a análise do conceito às questões de espaço-tempo. Deus está no tempo, como Criador do tempo, e para além do tempo, pois não está submetido à cronologia. Da mesma forma, Deus está em todos os lugares do universo sem, no entanto, está submetido ou limitado ao espaço criado. A dificuldade de compreensão completa desse sentido dá-se na medida da nossa impossibilidade de entender o Eterno e infinito, sendo finitos.

   Por essa razão, ao falarmos de transcendência não falamos de espaço, pois é impossível aplicarmos qualquer conceito que ponha limites a Deus. O espaço em si é uma criação. Assim, Deus não está simplesmente fora do nosso espaço, mas é transcendente em relação à essência de espaço, o que significa que a ideia de espaço não é aplicável a Ele. Da mesma forma que a Sua imanência significa que Ele está totalmente, com Sua essência infinita, no universo e em toda parte, relação e momento, Sua transcendência implica que Sua essência plena está além do cosmos e acima de todos os seus tempos (momentos) e relações.

   Se, por um lado, a imanência de Deus significa que Ele está, relativa e parcialmente no tempo cósmico, tempo que vai do alfa de Gênesis 1 ao ômega do dia de Cristo. Por outro lado, a Sua transcendência significa que Ele também existe infinitamente no tempo. Necessário repetir que o tempo é uma criação de Deus, portanto, Ele não pode estar submetido ao tempo, mesmo que Ele atue e tudo transcorra no tempo, na presença d´Ele. Afinal, “mil anos é como um dia para Deus”. Deus não está submetido ao tempo cronológico. O que isso significa então? Significa que Ele é Onipresente, pois está presente em todo e cada momento do tempo. Assim, o Ser de Deus é transcendente ao tempo, porque Ele é essencialmente exaltado sobre todo o tempo e sobre cada momento da existência da criação. Deus é o Eterno.

   De fato, a Bíblia descreve Deus de forma que poderíamos pensar n´Ele como estando infinitamente estendido tanto no espaço como no tempo. É dito que Sua residência é o céu: “Porventura Deus não está na altura dos céus? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão!” (Jó 22:12). Muitas vezes passa a impressão que há uma distinção não só de conceito, mas de espaço, levando o leitor menos atento a pensar num Deus distante, como em Eclesiastes 5:2 por exemplo. Porém, a conclusão que devemos tirar, diante da Palavra Revelada, é que muito acima de nós, no mais alto dos céus, mas, ao mesmo tempo, próximo de nós e de toda a criação. O que se deve enfatizar é que o Seu Ser, Sua essência está além de todos os limites conhecidos de espaço e de tempo.

   E aqui, devemos salientar que, mesmo o termo transcendência é antropomórfico, no sentido que é uma construção humana, dentro dos limites de conhecimento, linguagem e entendimento humano. Faz-se necessário, portanto, entendermos a transcendência de Deus como sendo em relação à Sua Essência, ou seja, “referindo-se à supereminência absoluta e infinita do ser divino com relação a toda a criação”. Poi isso, “Embora estando muito próximo de nós em sua imanência, ele está longe de nós em sua transcendência. Embora estando por um ato do seu próprio arbítrio numa relação imediata com toda a criação, ele permanece em si mesmo absoluto. Embora sendo como nós, ele é “o Outro”. Ele é Deus”.

 

JESUS, A IMAGEM DE DEUS

   A aproximação, a semelhança e a afinidade com a criação são de tal ordem, que Deus assumiu a forma humana, o infinito uniu-se com o fi nito, o Eterno prendeu-se ao tempo, esvaziando-Se da glória e tomando o lugar do ser criado para redimi-lo e aproximá-lo definitivamente a Si. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós (e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai), cheio de graça e de verdade” (João 1:14). Ele é o Emanuel, “Deus conosco”.

   Aqui está a marca distintiva e única da religião cristã. Não temos um Deus distante, mas um Deus conosco, que nos aproxima d´Ele, aproximando-Se de nós. Como entender a Sua eternidade, amor, graça e empatia e o relacionamento com a criação? Jesus é a resposta cristã para essas questões sobre Deus, Sua natureza, eternidade e relacionamento com a criação, notadamente com o homem. Afinal, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3). Esse Verbo Divino manifesta-Se e encarna, gerando uma aproximação por amor e graça salvífica.

   O Verbo Divino, Deus Filho, é alguém que está na mais profunda intimidade e proximidade com Deus, o Pai, e que manifesta a mais íntima realidade de quem Deus é, pois “Ele é o resplendor da Glória e a expressão exata do seu Ser”, conforme está descrito na Carta aos Hebreus 1:3. Isso se dá porque o Verbo é Deus. Ele é de Deus “o Amém, a testemunha fi el e verdadeira, o princípio da criação de Deus” (Apocalipse 3:14), pois todas as coisas foram “criadas n´Ele”. E é neste ponto que está a revelação suprema, que revolucionou as mentes e corações. Não há Deus no céu que seja diferente de Jesus, afinal, “quem vê a Mim, vê o Pai”, pois “Eu e o Pai somos um”, disse Nosso Senhor Jesus Cristo em João 14:9 e 10:30. Jesus, Deus Filho, revela Deus, o Pai plenamente. Essas passagens não apontam apenas para a unidade de essência, mas para a revelação do Pai, pelo qual os discípulos perguntavam.

   Ao enfatizarmos essa intimidade e relação com o Pai, não correríamos o risco de excluirmos a Trindade? Essa identidade plena dá espaço para o Espírito Santo? A resposta à primeira pergunta é não, pois não há perfeita identidade e revelação sem a presença do Espírito Santo. Afinal, quando Deus profere a frase “Esse é o Meu Filho Amado em quem me comprazo” (Mateus 3:17), tal ato não ocorre sem a presença e a glória do Espírito de Deus. Assim, não há que se questionar a Triunidade quando enfatizamos que Jesus é a imagem de Deus. Do mesmo modo, vemos que a identidade essencial e a manifestação visível do Deus invisível, em Jesus Cristo, só se efetivam na presença e atuação do Espírito Santo

   Com isso, a Bíblia deixa claro que Jesus Cristo, além de ser o Verbo Divino é, ao mesmo tempo, o eterno Filho de Deus. Ele é o Verbo Divino, o Cordeiro morto desde antes da fundação do mundo e é o Filho Eterno, eternamente amado pelo Pai. O Verbo Divino fala da intimidade e o Filho Eterno fala de relacionamento, identidade e revelação visível. Pode-se notar tais pontos no mesmo Evangelho de João no capítulo 17:24, que diz: “Pai, a minha vontade é que, onde eu estou, também estejam comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo”.

   Não se pode deixar de notar que o Pai Eterno ama, desde “antes da fundação do mundo”, antes de todas as coisas, e desde a eternidade, o Filho Eterno, pois o Filho é o “Amado” (Efésios 1:6), “o meu escolhido, em quem minha alma se compraz” (Isaías 42:1). Jesus é aquele que o Pai anseia glorificar e, assim, o Filho é aquele em favor de quem, e por meio de quem, o Pai faz todas as coisas, o “Alfa e o Ômega”, e para onde toda a criação irá convergir (Colossenses 1:16).

   Desse modo, ao ser revelado como a imagem visível do Deus invisível e, ao mesmo tempo, ser Ele, Jesus Cristo, o Verbo Divino e Eterno, nós como parte do “corpo de Cristo” somos n´Ele fi lhos por adoção e parte dos Seus planos eternos. Ainda, somos parte do povo chamado e escolhido por Deus para sermos herdeiros. A imanência a e transcendência de Deus, em Jesus, coloca-nos no centro da Sua vontade, misericórdia, graça e amor. Por isso, o apóstolo Paulo, na carta aos Coríntios 1 Coríntios 15:27-28.

   No mesmo sentido, na Carta aos Efésios 4:1-8, “Por isso eu, o prisioneiro no Senhor, peço que vocês vivam de maneira digna da vocação a que foram chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor, fazendo tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Há somente um corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança para a qual vocês foram chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz: “Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens” (grifo nosso).

 

CONCLUSÃO

   Diante do que foi exposto, que conclusão podemos chegar quanto às implicações dos atributos da imanência e da transcendência de Deus? Em primeiro lugar, a partir do fato de que Deus está próximo, Ele é “Deus conosco” e controla e sustenta tudo que existe, pois é Senhor sobre todo o universo. Ao mesmo tempo, devemos entender que não somos nada sem Ele e que nossa justiça, sentimentos e valores de nada valem se não formos regenerados pelo Seu Espírito. Devemos estar cientes da absoluta distância moral que temos d´Ele e da necessidade de nos arrepender, tendo somente a Jesus Cristo, Deus Filho, para nos redimir, livrando-nos da execução da Sua Justiça. 4. Não menos importante, necessitamos acreditar e confiar na Sua bondade, misericórdia, amor, justiça e graça, pois já foram reveladas, não só na criação e doação da vida, mas, sobretudo, na redenção e salvação em Cristo Jesus, e assim podemos ter segurança de que todas as coisas estão sob a Sua ciência e poder, mesmo aquelas situações que não entendemos. Em Cristo, nos redime e nos aproxima d´Ele. Ainda, podemos ter paz e confiança que Ele sustenta, suporta e nos dá força para continuarmos nos Seus Caminhos, pois é Ele que nos santifica e preserva, corpo, alma e espírito, conforme descrito na Primeira Carta aos Tessalonicenses 5:22:24. 1. Por fim, estando ou habitando no coração do cristão, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo cuidam de nossa vida, aproximando-nos d´Ele sempre, até que agindo por meio de todos e estando em todos, por meio de Jesus Cristo, será tudo em todos.

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE

 

1. Onde está Deus?

R.

2. Onde e como podemos ver Deus revelado?

R.

3. Como Deus se relaciona com a Sua criação?

R.

4. O que você entendeu por Deus ser imanente?

R.

5. O que podemos dizer sobre a transcendência de Deus?

R.

6. Como, ou em quem, esses atributos se materializaram de maneira especial?

R.

7. Quais as implicações desses atributos para a vida do homem, e para a minha vida como cristão?

R.

Artigos Relacionados

Os nomes de Deus, sábado
  Pai, glorifica o teu nome. .   Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho...
Os nomes de Deus, sexta-feira
  TODOS os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina n&...
Os nomes de Deus, quinta-feira
  Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. .   Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que...
Os nomes de Deus, quarta-feira
  SENDO, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em...