Banner da lição da escola bíblica vigentePara se se ter uma vida espiritual saudável, a busca diária através da oração e da leitura bíblica não é algo opcional. Se quisermos permanecer de pé espiritualmente, mesmo sendo bombardeados todos os dias pelo inferno e todos os tipos de tentações, é imprescindível buscar na fonte eterna, que é Cristo Jesus, forças para cada dia de batalha. Cada cidadão do Reino de Jesus deve tomar sua carne, suas vontades e lançar-se de vez, sem olhar as circunstâncias adversas.

Receba os Devocionais

BEM-AVENTURADO aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.

Como podemos ser reconciliados com o Deus Santo quando pecamos?

Beda, monge inglês medieval (672-735 d.C.), contou uma bela história sobre um poderoso rei que possuía quatro filhas. Elas chamavam-se Misericórdia, Verdade, Justiça e Paz. Esse monarca também tinha um filho, muito sábio, e um criado, a quem amava e havia conferido elevadas honras, sem qualquer merecimento de sua parte.

Certa vez, o criado, o qual era orgulhoso e vaidoso, recebeu uma ordem a cumprir. Porém, sem demora, desobedeceu e colocou a culpa em seu senhor. Por causa disso, foi lançado à prisão e condenado a sofrer as mais terríveis torturas. Misericórdia, tendo a qualidade de seu nome, pediu ao pai que o tratasse com clemência; afinal, era o pai da Misericórdia. Verdade, a outra filha, argumentou que o pai havia estabelecido uma punição e, se não a cumprisse, não poderia ser o pai da Verdade. Justiça reuniu sua voz à Verdade, lembrando que a transgressão de sua lei não poderia ser tratada senão com justiça. Por causa da discussão entre Misericórdia, Verdade e Justiça, a Paz, que não vive onde há discussão, foi embora de casa.

O rei viu-se em um dilema, pois precisava agradar à Misericórdia e à Verdade, à Justiça e à Paz. O filho sábio apresentou-se ao pai e prometeu-lhe resolver o problema do servo transgressor. Após longa jornada, em que foi acompanhado por Misericórdia, libertou o homem do cativeiro, trouxe-o de volta para casa e ainda o coroou com duplicada honra. Graças à obra do filho, o servo foi reconciliado com a família real. Com a situação resolvida, a Paz pôde retornar.

Tal parábola ilustra o que Deus faz para nos conceder perdão, sem denegrir um dos atributos. Fala da justiça que, mesmo sem qualquer merecimento por parte do pecador, é imputada sobre ele, por pura graça, pelo Senhor. A graça perdoadora e a felicidade, que dela brota no coração do salvo, são os tópicos em destaque no Salmos 32 nosso estudo de hoje.

CONTEXTO HISTÓRICO DO SALMO

O Salmos 32 é o primeiro de um conjunto de 13, reunidos como ‘maskil’, isto é, Salmos de instrução espiritual. Este é, então, um texto didático, ou com a finalidade de ensinar. Os comentaristas acreditam que este, assim como o Salmos 51 foram escritos pelo rei Davi, após o evento com Bate-Seba.

A história, narrada no livro de 2 Samuel 11 em resumo, é a seguinte. Quando Davi começou a reinar sobre Jerusalém, muitas vitórias militares lhe foram concedidas por Deus. Ele amava o Senhor e tinha, em seu coração, o desejo de construir-lhe um templo.

Certa vez, enquanto o exército estava na guerra, Davi, ao andar sobre o terraço do palácio olhou abaixo e viu uma mulher chamada Bate-Seba, esposa de um soldado heteu (Urias), banhando-se. Urias estava na guerra, e Davi aproveitou-se da ocasião para chamá-la a fim de terem relações sexuais. Essa decisão resultou em outras escolhas erradas que, por fim, terminaram em consequências terríveis para eles e suas famílias.

Descobriu-se que a mulher havia engravidado. Para remediar a situação, Davi mandou buscar Urias da guerra, sugerindo-lhe que retornasse para casa. Seu plano era que o homem tivesse relações com a esposa, a fim de pensar que o filho era seu. O plano sairia perfeito, e a transgressão de ambos ficaria encoberta. Porém, Urias não aceitou voltar para casa, pois não considerava justo o fazer enquanto seus companheiros se mantivessem na feroz batalha. Ele acreditava que era seu dever lutar por Israel.

Repare que o rei havia ficado ocioso em seu palácio, enquanto Urias, que sequer era israelita, lutava em favor do povo judeu. Por fim, Davi ordenou a Joabe, comandante do exército israelita, que colocasse Urias na linha de frente da guerra, para que fosse morto.

Quando o combatente morreu, Davi tomou Bate-Seba por esposa. Ele poderia ter pensando que ninguém descobriria o que havia feito e, assim, tudo estaria resolvido. Mas Deus viu e enviou Natã, um dos profetas, para adverti-lo. Natã contou a Davi uma parábola por meio da qual o rei reconheceu o seu erro. “Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. Disse Natã a Davi: Também o SENHOR perdoou o teu pecado; não morrerás.” (2 Samuel 12:13)

Ele, verdadeiramente, arrependeu-se de suas obras ímpias e, como fruto de seu arrependimento, escreveu os Salmos 32 e 51. O Salmos 51 é a sua oração de confissão, enquanto o Salmos 32 é o seu cântico de remissão. Vamos analisar agora mais detalhadamente o texto do Salmo em estudo.

DEUS É O JUSTIFICADOR DO HOMEM (v. 1-5)

O Salmos 32 é aberto com a expressão bem-aventurado, cujo significado é feliz. O uso desse termo não poderia ser mais adequado, em virtude das bênçãos que o homem graciosamente recebe de Deus.

A Bíblia apresenta-nos uma visão dupla a respeito do homem. Ao mesmo tempo que somos criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-28), estamos afastados d’Ele por causa da nossa pecaminosidade (Romanos 3:23). Deus coroa-nos de glória e honra (Salmos 8:5); porém, Ele tem de encobrir o Seu rosto de nós, por causa de nossas iniquidades (Isaías 59:2).

Nossos pecados separaram-nos do Senhor, e nada que possamos fazer pode consertar isso. Nossas melhores obras, mesmo feitas com o maior esforço de agradar a Deus, não passam de trapos de imundície (Isaías 64:6) diante da santidade e majestade do Criador! Por isso, o apóstolo Paulo declara que “é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus” (Gálatas 3:11), não por haver qualquer imperfeição na Lei divina, pois ela é “santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom”, (Romanos 7:12); mas, sim, por estar enferma pela nossa carne (Romanos 8:3).

Como pode o homem, então, obter o perdão divino? A resposta é a doutrina mais fundamental do Cristianismo: por meio da GRAÇA! A graça divina é o Seu favor imerecido ao homem. Somos “justificados, gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.” (Romanos 3:24). É puramente por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz que podemos ter esperança de salvação. Jesus “foi traspassado por nossas transgressões e moído por nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e por suas pisaduras fomos sarados.”. (Isaías 53:5)

Nos dois primeiros versos do Salmo, o rei Davi utiliza três termos hebraicos para falar do pecado. Pesha (transgressão) é a palavra mais forte do Antigo Testamento para a maldade pessoal, significando rebelião ou altatraição. Chattah (pecado) significa errar o alvo. Avon (iniquidade) indica depravação ou distorçãomoral. Deus perdoa (nasa) nossa rebelião, o que quer dizer que a remove de nós; e cobre (kacah) o pecado, indicando que é apagado ou oculto. Assim, não nos imputa ou atribui culpa.

Mas, para receber o perdão, o homem precisa arrepender-se e confessar as faltas. Davi, por muito tempo, havia se calado quanto a seus pecados, e isso havia pesado sobre o seu vigor físico e espiritual (Salmos 32:3-4). Permanecer em silêncio é um ato de teimosia, uma recusa em se admitir às culpas pessoais. Mas adiar a confissão apenas trazia mais sofrimento. Não apenas a sua consciência acusava-o, mas ele sabia que a mão de Deus pesava, dia e noite, sobre ele (v. 4). Davi ficou fisicamente doente pelo encobrimento do pecado. Uma importante descoberta científica é que nosso estado mental e nossas emoções realmente influenciam na saúde do corpo. Certa enciclopédia explica:

Desde 1940, tornou-se cada vez mais evidente que a função fisiológica dos órgãos e dos sistemas orgânicos está intimamente vinculada ao estado mental do indivíduo e que até mesmo mudanças de tecido podem ocorrer num órgão assim atingido.

Davi estava sendo tocado pela voz do Espírito Santo, aquela voz que nos convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8). Deus faz isso a fim de que nos voltemos para Ele. Apesar de o Senhor sempre ser o maior ferido quando pecamos, ainda assim nos estende a mão, mesmo quando somos rebeldes e preferimos andar pelos próprios caminhos (Isaías 65:2).

Quando ele finalmente confessa seu pecado a Deus (v. 5), sabe que Deus lhe perdoou. E conhece a graça divina que o havia guiado e preservado, desde o começo de sua vida até aquele momento. Conforme seu filho Salomão escreveria, posteriormente: “o que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que as confessa e as deixa alcançará misericórdia.” (Provérbios 28:13) Como Davi, podemos ter certeza de que pecado algum poderá nos afastar de Deus, pois, “se confessamos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9); afinal, “temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1). Jesus é nosso eterno e fiel sumo sacerdote, vivendo sempre para interceder por todos aqueles que O invocam, como vemos aqui:

Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hebreus 4:14-16)

Davi foi perdoado, mas se deve apontar que Deus não impediu que ele colhesse os resultados dos pecados (os quais podem ser lidos ao longo do livro de 2 Samuel). Receber o perdão divino não implica em que não precisaremos arcar com as consequências das más escolhas. O mais importante, contudo, é a restauração de nossa relação espiritual com Deus.

LIÇÕES PARA TODOS (v. 6-10)

Davi aprendeu importantes lições a partir de sua experiência e passa a instruir a congregação. Ele sabia que todo homem que fizesse súplicas ao Senhor seria atendido e receberia a Sua proteção no momento necessário (v. 6). Como disse Charles Spurgeon, “nunca se soube de alguém que tenha ido a Cristo e sido mandado embora”. No transbordar de muitas águas, estaremos seguros em um lugar alto. Não precisamos ter medo da condenação, pois Deus é o nosso esconderijo (v. 7), nosso socorro presente nas tribulações. (Salmos 46:1)

Talvez esteja sendo feita, aqui, uma referência às cidades de refúgio. Indivíduos que estivessem em perigo fugiam para elas, onde poderiam encontrar segurança, e o vingador de sangue não os alcançaria. Isso falava de provisão para os desesperados. Podem vir os desafios da vida; estamos firmados sobre a rocha inabalável.

No verso 8, Deus passa a ser o orador do Salmo, falando a Davi e à congregação. O Senhor apresenta-se como Aquele que pode nos instruir, ensinar o caminho e dar conselhos. Ele realiza isso de diversas maneiras, mas o Seu meio principal é a Sua revelação especial: as Escrituras Sagradas (João 17:17). Às vezes, Deus fala diretamente à nossa consciência, valendo-se do Seu Espírito (Isaías 30:21); em outras, ainda, utiliza pessoas para nos orientar (Atos dos Apóstolos 10:33).

Quando o Senhor fala conosco, não devemos ser como cavalos ou mulas (v. 9). Estes avançam impetuosamente (Jeremias 8:6), e aquelas, teimosamente ficam para trás. Não devemos abrigar nenhum desses comportamentos, pois Deus não deseja colocar cabrestos ou freios em nós para nos obrigar à obediência. Assim como Ele nos ama livremente, devemos corresponder ao Seu amor de forma livre.

Para aqueles que desejam permanecer em seus caminhos ímpios, sofrimento será a sua recompensa final (v. 10); não existirão paz, alegria e salvação estando distantes de Deus. Nas palavras de Agostinho de Hipona, “Senhor, criaste-nos para Ti, e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em Ti.” É por isso que hoje é o dia de buscarmos a misericórdia divina. Deus convida-nos por meio do profeta Jeremias: “Então, invocar-me-eis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte.” (Jeremias 29:12-14)

ALEGRE-SE NA MISERICÓRDIA DO SENHOR (v. 11)

O Salmo encerra com o convite do autor para que os justos unam-se a ele em adoração a Deus. E diz para alegrarmo-nos no Senhor. Devemos sempre celebrar a bondade divina, que nos conduz ao arrependimento (Romanos 2:4).

Como crentes em Jesus, temos todos os motivos para nos alegrarmos. Sabemos, hoje, muito mais do que Davi sobre a obra do Messias, quanto a seu sacrifício e seu ministério de intercessão a nosso favor no céu. Essa alegria é eterna e não depende das circunstâncias exteriores.

Por volta de 1750, John Newton era o capitão de um navio inglês de tráfico de escravos. Homens e mulheres, capturados na costa africana, eram presos sob as plataformas para impedir que se suicidassem durante a viagem. Algumas embarcações carregavam até 600 escravos. Aqueles que ficavam doentes, durante a travessia, eram jogados ao mar.

Em uma de suas viagens, uma forte tempestade abateu-se sobre o navio de Newton, o qual afundou. Desesperado, ele orou a Cristo, implorando salvação. Após ter sobrevivido, estudou para ser pastor e passou os 43 anos seguintes de sua vida como pregador do Evangelho, tendo se tornado um dos maiores defensores da abolição da escravatura. E compôs, então, um dos clássicos hinos da história cristã. Convido você a, por meio desse hino, agradecer a Jesus pela felicidade de ser perdoado:

“Oh, graça excelsa de Jesus! Perdido, encontrou-me! Estando cego, fez-me ver; da morte me livrou!”

“A graça libertou-me assim, e meu temor levou. Oh! Quão preciosa é para mim a hora em que me achou!”

“Mil lutas, dores, tentações caíram sobre mim; porém, a graça salvou-me! Feliz eu sou, enfim!”

“E quando ao Céu em glória eu for, ao lar de paz e luz, para sempre, então, eu cantarei da graça de Jesus!” 

A desobediência pode produzir frutos amargos, mas graças à cruz temos razões para exultar. Nosso passado está perdoado; nosso presente é de alegria; e nosso futuro, de esperança.

CONCLUSÃO

Apesar de todos os seus privilégios, Davi cometeu pecados contra Deus e caiu em ruína espiritual. Mas sua queda no pecado não foi maior do que a misericórdia divina. Onde abundou o pecado, superabundou a Graça.

A história de Davi é a de todos nós; todos pecamos. Todos merecem a punição eterna de Deus. Mas, por meio de Cristo, o abismo entre nós e Deus é transposto. O Seu sangue apaga toda transgressão que venhamos a cometer. As palavras do profeta Jeremias ainda são válidas para nós, mesmo atualmente: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim; renovam-Se a cada manhã. Grande é a Tua fidelidade.” (Lamentações 3:22-23)

Artigos Relacionados

Interpretando a palavra, terça-feira
  E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. .   E, quando ele vier, convencerá...
Os atributos de Deus III, quinta-feira
  Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com ju&...
A volta do Rei, sexta-feira
  Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam...
O Jesus discutido, sexta-feira
  Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu n&...