LOUVAI ao SENHOR. Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, que em seus mandamentos tem grande prazer.

Salmos 112:1 

                                                    INTRODUÇÃO

           

            O livro dos Salmos é um livro poético. O maior livro das Escrituras. O Salmos 112 é uma poesia acróstica alfabética que apresenta os caminhos e a felicidade da pessoa que teme o SENHOR e se regozija em obedecer aos Seus Mandamentos e é a continuação do Salmos 111 formando um segundo padrão do Sl. 111, provavelmente com a intenção de ser seu complemento. O acróstico desse Salmo é composto pelas letras do Alfabeto Hebraico.

            Este tipo de Salmo é denominado “panegírico”- discurso em louvor de alguém-, que, no caso é, segundo o espírito do Salmos 1 o justo diante de Deus. Desse modo, tanto o Salmos 111 quanto o Salmos 112 mesmo sendo acrósticos alfabéticos, são incomparáveis, pois cada “meio verso (em hebraico) passa para mais uma letra do alfabeto hebraico”. Segundo comentaristas, os versículos correspondentes dos dois salmos tendem a compartilhar temas idênticos, o que podemos observar na leitura de ambos.

            Há que se entender que os Salmos nos ensinam como deve ser o caráter do povo que agrada a Deus. O caráter do salvo é importante? Claro que sim.

            Estes salmos descrevem o caráter do homem que agrada Deus e o resultado espiritual e material daqueles que agradam a Deus e vivem de acordo com os Mandamentos, conselhos e preceitos de vida exarados na sua Palavra.

 

QUEM É FELIZ E ABENÇOADO?

            O fundamento para uma vida abençoada, bem-sucedida, é apresentada na introdução deste Salmo, logo após o convite para o louvor: “Aleluia! Quão feliz é feliz a pessoa que teme ao SENHOR e tem grande prazer em seus mandamentos!”( v.1, BKJ Atualizada). Ele é um homem “íntegro” (v. 2), generoso, pronto para ajudar aqueles que passam por necessidades, “empresta com generosidade” (v. 5) e a bênção de Deus está sempre em sua vida.

            Esta descrição é uma passagem que antecipa e faz paralelo com o Sermão do Monte, onde Jesus define o padrão estabelecido por Deus para aqueles que são Seus filhos. A verdadeira generosidade não se mede pelo valor ou a quantidade dos presentes, mas sim pela atitude com que a doação é realizada. Temos o exemplo supremo de Cristo, em Seu sacrifício no Calvário. Com os olhos no sacrifício de Cristo, obedecer aos Seus mandamentos torna-se um “grande prazer” (v. 1).

 

 

QUAL O RESULTADO IMEDIATO DE SER TEMENTE A DEUS E AMAR OS SEUS MANDAMENTOS?

            Esta pessoa, segundo o verso 2, terá, como primeiro resultado da sua obediência, uma descendência ou linhagem abençoada e poderosa, em Deus. Como entender tal afirmação? É importante compreender a importância de ter filhos naquele tempo, pois feliz é o “homem” que tem filhos, conforme descrito no Salmos 127

            Uma família de homens íntegros é a garantia de uma vida próspera em Deus. Uma linhagem que é protegida pelos seus varões. A bem-aventurança de um clã, naquela época, estava também na força dos braços dos homens daquela linhagem ou família. Essa realidade era básica para a manutenção e sustento das famílias. Homens íntegros que protegem suas famílias e garantem o sustento de todos. Do mesmo modo, as mulheres sábias e íntegras edificavam seus lares, conforme podemos ver no Salmos 128 e em Provérbios 14:1.

            Ainda há como resultado, conforme apresentado no verso 3, prosperidade material e justiça. Uma justiça que “permanece para sempre”. Neste caso, fica claro que tanto as prosperidades materiais quanto a “justiça eterna” são provenientes da relação com Deus e pelo amor aos Seus mandamentos.

            Pode-se comparar as bênçãos dos versículos 2 e 3 com as maldições contra os ímpios no Salmos 109:3-13, apontado uma nítida distinção entre os justos e os ímpios. Esta distinção extrema é característica dos escritores da literatura de sabedoria israelita. E este tipo de contraste está nitidamente exarado no Salmos 112 Do mesmo modo, a comparação do caráter do homem bom, no versículo 5, é semelhante à descrição feita no Salmos 15

 Neste ponto, podemos identificar que a prosperidade material não é resultado de uma barganha com Deus, mas, antes de tudo, é resultado de uma vida centrada Nele e nos Seus mandamentos. Uma vida de afeição a Deus e à Sua Palavra. Essa afeição ou prazer na Sua Lei e mandamentos traz como resultado a prosperidade. Estamos, assim, diante de uma Lei espiritual. O homem íntegro que ama a Deus e obedece aos Seus mandamentos terá, necessariamente, prosperidade. Isso não significa ficar milionário ou fazer fortuna como querem fazer crer os mercadores da fé, que tentam apresentar o resultado de prosperidade material como fruto de um “sacrifício”, “sacrifício de tolos”.

            A prosperidade vinda da parte de Deus é, sobretudo, o suprimento de todas as necessidades, pois o “justo não mendigará o pão” e, conforme o próprio Senhor Jesus nos exorta em Mateus, no capítulo 6:

 

25Portanto, vos afirmo: não andeis preocupados com a vossa própria vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as roupas? ...

...32Pois são os pagãos que tratam de obter tudo isso; mas vosso Pai celestial sabe que necessitais de todas essas coisas. 33Buscai, assim, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas34Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará suas próprias preocupações. É suficiente o mal que cada dia traz em si mesmo.” (BKJ – Atualizada, grifo nosso)

 

 

A LUZ EM MEIO AS TREVAS – O CONTRASTE ENTRE O JUSTO E O ÍMPIO

            O homem temente a Deus e obediente não está imune às adversidades e problemas deste mundo tenebroso. No entanto, é chamado de “feliz” ou “bem-aventurado”, abençoado por ser aquele que se regozija em obedecer aos mandamentos de Deus. É nesse contexto que encontramos a exortação de nosso Senhor Jesus para que todo aquele que crê Nele seja sal e luz, conforme encontramos em Mateus 4:14-16.

            Em um mundo contaminado pelo pecado, cheio de adversidades (“trevas”, v. 4, “más notícias”, v. 7, e “adversários” , v. 8, NVI). O que mais se ouve e vê nos noticiários são más notícias. A instabilidade e a ansiedade assaltam as pessoas deste século, transformando as angústias em doenças da alma.

            Para descrever o homem íntegro e justo, o autor usa a seguinte expressão: “Não viverá temeroso, esperando más notícias” (v.7, BKJ). E é neste ponto que reside o problema da maioria das pessoas. As pessoas sonham com estabilidade. A armadilha dessa carência e insegurança é tornar os carentes dessa estabilidade escravos por prazeres, ganho material e outros ídolos. É importante salientar que essa é a grande diferença entre os tementes a Deus e os descrentes: a prosperidade material dos primeiros é fruto de bênção pela intimidade e amor a Deus e à sua Palavra; para os outros (descrentes) a prosperidade é escravizadora e nem sempre alcançada. Mesmo que os descrentes alcancem prosperidade, sempre irá faltar a “justiça eterna”. O que almejamos? A resposta é: almejamos estabilidade espiritual e emocional que muitas vezes nos falta. E o autor do salmo nos ensina que é no temor ao SENHOR e no andar nos Seus mandamentos reside a fonte das estabilidades espiritual e emocional.

            Ainda, uma outra consequência dessa relação com Deus e Sua Palavra é a verdadeira generosidade que dota de poder para viver uma vida reta, justa e estável. Uma vida estável e justa está na intimidade com Deus. O justo diante de Deus é generoso, não temeroso e está seguro que a sua vida está no centro da vontade de Deus, conforme explicita o verso 8. Essa generosidade liga-se diretamente com a justiça que prevalecerá para sempre. Uma justiça que implica atos de misericórdia e amor. Ser justo é também repartir com quem tem menos. Não é meramente uma caridade, mas um “ato de justiça” de acordo com a vontade de Deus para os homens, estando ligada à redução da miséria e da desigualdade. Neste sentido, os versos 3 e.8 apontam que o desejo do justo (a justiça) prevalecerá, perpetuando-se para além de sua vida. Não se pode ler o Salmos 112 sem considera-lo como um texto que tem uma mensagem teológica predominante, qual seja: a justiça deve prevalecer para sempre. Essa justiça, vinda da parte de Deus, é manifestada principalmente na vida daqueles que amam e sentem prazer nos mandamentos de Deus.

            Assim, o homem íntegro andará sempre de cabeça erguida, não tendo nada do que se envergonhar. O SENHOR exalta aquele que O teme e tem prazer nos Seus mandamentos. Essa honra será expressa nas honrarias recebidas por todos que compartilham a vida com o homem considerado justo diante de Deus.

            Segundo comentário da Bíblia King James – Atualizada, há uma dificuldade em traduzir literalmente o versículo 9, pois “há um jogo de palavras envolvendo a expressão hebraica “chifre” como sinônimo de poder”, cujo sentido era baseado na atitude altaneira e dominadora dos touros selvagens”. Assim, tal sentido pode ser entendido, na atualidade, com sendo uma situação em que o homem íntegro anda de cabeça erguida, sem nada do que se envergonhar. Do mesmo modo, o mesmo comentarista, pontua o sentido de doar com generosidade, conforme está descrito em 2 Coríntios  9:7.

            Por fim, em contraste com o homem íntegro, o ímpio “observa irado, range os dentes e se consome de ódio”. Esse é o efeito causado pela justiça que emana dos “atos de justiça” do homem reto diante de Deus. Andar como luz em meio às trevas resulta em conflitos e lutas. A vitória, no entanto, é garantida pelo SENHOR.

 

CONCLUSÃO

            Podemos notar que o Salmos 112 descreve com riqueza de detalhes o caráter do íntegro ou justo, daquele que teme ao SENHOR e tem prazer nos seus mandamentos. O temor ao SENHOR e o prazer nos mandamentos revela a intimidade no relacionamento entre o homem justo e Deus. A lei espiritual embutida na mensagem teológica é de que a justiça é perene e gera prosperidade material e espiritual. O home que anda em justiça será abençoado ou feliz, pois haverá plenitude em sua vida de intimidade com Deus. A prosperidade material, a geração de uma linhagem íntegra, uma família abençoada e a paz são marcas da vida da dessa pessoa. Ainda que ande em um mundo decaído, andará de cabeça erguida, sem ter do que se envergonhar, pois o SENHOR o sustenta e exalta.

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