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Resenha de Livros
Acessos: 1464
Autor
Número de Páginas 261
Tipo de Livro Brochura
Formato 16x23cm
Editora Editora Sal Cultural
Sinopse do livro

A recente série de livros escritos pelos novos ateus trouxe a acusação de que o Deus do Antigo Testamento não é senão um valentão, um assassino e um abusador cósmico de crianças.

Este ponto de vista, às vezes, é compartilhado dentro da igreja.

  • Como os cristãos devem reponder a essa acusações?
  • E como vamos conciliar as feições aparentemente detectadas do Deus retratado nos dois testamentos?

Neste oportuno livro, o apologista Paul Copan encara algumas dessas acusações mais inquietantes do nosso tempo, incluindo:

  • Deus é arrogante e ciumento
  • Deus pune duramente as pessoas
  • Deus promove a limpeza étnica
  • Deus oprime as mulheres
  • Deus aprova a escravidão
  • O cristianismo causa violência
  • E mais...

Copan não só responde a críticos de Deus, ele também mostra com ler tanto o Antigo Testamento fielmente, vendo um Deus, justo e amoroso em ambos.

ISBN 9788567383156

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"Deus é um Monstro Moral?" na Livraria Erdos

“O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção.” Assim declara o ateu Richard Dawkins em seu livro “Deus, um delírio”, apresentando a seguir uma lista de adjetivos nada ... elogiosos.  Um dos principais argumentos do movimento neoateísta é sua reivindicação do desprezível caráter moral de Deus, conforme apresentado nas páginas do Antigo Testamento. Reivindica-se que essa parte da Bíblia está saturada de leis bizarras (pois quem se sentiria tentado hoje a cozinhar um cabrito no leite de sua mãe? – Êxodo 23:19), ou nos piores casos, intolerantes e violentas.

Uma das melhores respostas a essas alegações foi produzida por Paul Copan, professor de Ética e Filosofia na Palm Beach Atlantic University. Sua obra “Deus é um Monstro Moral?”, publicada em língua portuguesa pela Editora Sal Cultural (2016, 264 páginas) e com cerca de 400 referências, apresenta uma ampla perspectiva baseada em fundamentos históricos, filosóficos e teológicos. Apresento a seguir alguns dos pontos da obra que a recomendam como excelente fonte de pesquisa para todos aqueles que se interessam pelo estudo das Escrituras.

  1. Um dos principais equívocos dos neoateus é cometer a falácia “é/deve”, ou seja, confundir descrições com prescrições. Não é porque a Bíblia registrou um evento que ela está dando uma aprovação tácita a esse acontecimento. A Bíblia relata a mentira de Abraão, o incesto de Ló e o sacrifício que Jefté fez de sua filha, mas jamais aprova a mentira, o incesto ou o sacrifício humano. Na verdade, tais relatos apontam justamente a profundidade do pecado humano e a necessidade que todos temos de um Salvador.
  2. Outra falácia cometida pelos críticos é presumir que os cristãos creem que estão na obrigação de cumprir todos os requisitos da antiga lei mosaica. Os diversos preceitos civis e cerimoniais do Antigo Testamento foram dados a uma nação específica, vivendo em uma época específica. Essa lei serviu como “aio” (Gálatas 3:24; a palavra grega é “paidagogos”, de onde se origina nossa palavra pedagogo), um “professor” ou “tutor” que estava preparando um povo para a vinda do Messias.
  3. A própria Bíblia reconhece que a lei do Antigo Testamento não era perfeita. Quando questionado sobre a questão da carta de divórcio, que era aprovada na lei de Moisés, Cristo respondeu que essa não era a vontade original de Deus, mas que Deus havia assim permitido por causa da dureza do coração do povo (Mateus 19:8). Deus, que “não leva em conta os tempos da ignorância” (Atos dos Apóstolos 17:30), tolerou muitas coisas que não Lhe eram agradáveis, pois o povo, escravizado e embrutecido por tanto tempo, não estava preparado historicamente para acatar todos os Seus desígnios morais. Que a lei de Moisés não deveria durar para sempre estava previsto no próprio Antigo Testamento, quando os profetas Jeremias e Ezequiel profetizaram que Deus faria “uma nova aliança”, não conforme “a aliança feita com seus pais”.
  4. Mesmo não sendo perfeita, a legislação do Antigo Testamento é fantasticamente superior em termos morais aos demais códigos morais da época. Ao longo de toda a obra, Copan traça inúmeros contrastes entre as leis de Israel e as legislações dos demais povos, como as leis de Ur-Namu (2100 a.C.), as leis de Lipit-Ishtar (1930 a.C.), as leis de Eshnunna (1800 a.C.), o Código de Hamurabi (1750 a.C.) e as Leis Hititas (1650 a.C.). Para citar apenas alguns casos:
  • na lei de Israel, cada um levava sua própria culpa (Deuteronômio 24:16), não sendo permitido que outra pessoa fosse responsabilizada; nas Leis Assírias a pena para um estuprador era que sua mulher fosse estuprada por vários homens;
  • a pena para o ladrão era restituir em dobro o que havia roubado (Êxodo 22:4), enquanto no Código de Hamurabi o ladrão deveria ser morto;
  • a pena máxima na lei israelita se restringia a 40 chibatadas (Deuteronômio 25:3), enquanto outras leis antigas permitiam centenas, além da mutilação de olhos, nariz, orelhas, mãos e seios (aliás, mutilações eram comuns nas antigas legislações, mas não as encontramos na lei de Moisés);
  • um senhor que machucasse seu servo (“escravo” é uma tradução inadequada) deveria libertá-lo (Êxodo 21:26-27), enquanto nas demais legislações o servo era visto apenas como uma propriedade, não uma pessoa com valor e direitos (contraste com Jó 31:13-15), podendo até ser morto pelo seu dono;
  • além disso, era crime punível com a morte sequestrar uma pessoa para torná-la escrava (Êxodo 21:16), diferentemente do que ocorreu em nossa própria história com os “navios negreiros”; os servos em Israel (que trabalhavam para quitar dívidas) serviam por 6 anos (Êxodo 21:2), tinham um feriado semanal (o SábadoÊxodo 20:10) e diversos feriados religiosos ao longo do ano, e quando eram dispensados, não poderiam ir embora de mãos vazias (Deuteronômio 15:13-15).
  1. O capítulo 6 (“Misoginia: A Mulher em Israel”) deveria ser lido especialmente pelas feministas modernas que atacam o caráter “machista” e “patriarcal” do Antigo Testamento. Copan disseca alguns textos difíceis e demonstra de forma clara o valor e dignidade da mulher entre o povo de Israel, servindo mesmo como juízas e profetisas entre o povo.
  2. A principal “mancha” bíblica atacada no Antigo Testamento tem sido a matança, divinamente ordenada, dos povos cananeus por parte de Israel, o que Dawkins chama de “genocídio” e “limpeza étnica”. O tema é extenso (Copan dedica cerca de 50 páginas a esse assunto), mas destaco em termos gerais:
  • os povos cananeus não eram pessoas inocentes que foram mortas pelos “mauzões” israelitas; eram povos imersos em profunda impiedade e degradação moral, um “câncer” que precisava ser removido para o bem de todo o corpo (você não ficaria de braços cruzados ao ver seu vizinho cometendo um estupro ou queimando um bebê vivo!);
  • os mesmos castigos que Deus decretou sobre Canaã Ele também impôs a Israel, quando foram levados cativos pela Assíria e Babilônia, o que demonstra que em termos de Sua justiça, Deus não tem “preferências étnicas”;
  • com base em documentos egípcios, assírios, hititas e moabitas, Copan demonstra que os livros de Josué e Juízes foram escritos com a de retórica de guerra do antigo Oriente Próximo, uma linguagem carregada de hipérboles; assim, em um texto lemos que os cananeus foram “destruídos” e “totalmente aniquilados”, para alguns capítulos depois lermos que os israelitas estavam em novas guerras com os cananeus!;
  • As cidades destruídas pelos israelitas, como Ai e Jericó, eram fortalezas militares (lembre que Jericó foi circundada pelos israelitas sete vezes em um dia, antes da batalha), enquanto os demais civis (idosos, mulheres e crianças) habitavam em centros populacionais nas regiões montanhosas; assim, quando lemos que Josué matou “homens, mulheres e crianças” estamos mais uma vez diante da antiga linguagem estereotipada da guerra, para demonstrar que um exército foi totalmente derrotado.
  1. Apesar de Dawkins e outros neoateus condenarem a moralidade do Deus bíblico, a própria cosmovisão ateísta não oferece qualquer razão para tal condenação. Se a matéria é tudo o que existe e nossas mentes são apenas o resultado de reações químicas que ocorreram aleatoriamente ao longo de bilhões de anos, não existe tal coisa como um padrão moral objetivo, atemporal e universal. Só faz sentido reconhecer que o “bem” e “mal” existem se existir um Deus Criador e Legislador, a quem todos devem se sujeitar, em todas as épocas. O próprio Dawkins afirma em outra de suas obras (“O rio que saía do Éden”) que o universo é apenas “elétrons e genes egoístas” e que, portanto, “não há bem, nem mal, apenas indiferença”.
  2. Todos, sejamos crentes ou incrédulos, reconhecemos instintivamente a existência de valores morais universais, pois esse conhecimento faz parte da própria “imagem e semelhança” do Criador em nossa alma (Romanos 2:14-16). Reconhecemos também que não conseguimos viver perfeitamente. Essa incapacidade, que nos leva a quebrar as leis de Deus, é o que a Bíblia chama de pecado. Merecemos o justo castigo, mas Yahweh, o Deus que Se revelou no Antigo Testamento, fez-Se homem na pessoa de Jesus Cristo, viveu perfeitamente e morreu na cruz carregando os nossos pecados, para que todo aquele que nEle crer possa receber perdão e vida eterna. É olhando para Jesus que entendemos de forma completa o caráter e as obras de Deus. Eis nosso Salvador amoroso, um Deus que em hipótese alguma poderia ser comparado a um “monstro moral”.

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