Por Que Sou um Batista do Sétimo Dia?

Desde que vim a conhecer a Cristo e as Escrituras de uma maneira pessoal, decidi que aceitaria em meu coração tudo o que Deus me ensinasse por meio de Sua Palavra. Por isso, durante anos, coloquei minhas convicções religiosas a teste, à luz dos ensinamentos da Bíblia. Muitas delas permaneceram, enquanto outras tiveram de ser reformuladas ou completamente descartadas, por não estarem de acordo com “tudo quanto está escrito na lei e nos profetas” (Atos dos Apóstolos 24:14).

Esse compromisso conduziu-me ao conhecimento da Igreja Batista do Sétimo Dia. Descobri que esta era um povo com uma longa história. Desde o século XVII, homens e mulheres piedosos entregaram sua própria vida para defender e preservar as verdades bíblicas ensinadas pela denominação. Pretendo nesse artigo apresentar essas convicções bíblicas a partir das duas partes do nome da Igreja: “Batista” e “do Sétimo Dia”.

Batista…

Como herdeiros da mesma tradição histórica e teológica, os Batistas do Sétimo Dia compartilham com os outros crentes Batistas uma série de distintivos doutrinários.

Primeiramente, cremos na suficiência da Escritura. A Bíblia é nossa única regra de fé e prática. Sendo inspirada por Deus, o Espírito Santo, as Escrituras são úteis para a instrução e edificação da Igreja (2 Timóteo 3:16-17). A Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Jesus Cristo a pedra angular (Efésios 2:20). Nós nada acrescentamos e nada retiramos a essa Palavra (Deuteronômio 4:2), nem deixamos de pregar todo o desígnio de Deus (Atos dos Apóstolos 20:27). A Bíblia contém tudo o que é necessário para nutrir a vida espiritual do cristão. Por isso, rejeitamos a autoridade de opiniões, concílios, decretos e tradições humanas, bem como a necessidade de profetas e apóstolos modernos.

Em segundo lugar, os Batistas crêem no Evangelho da graça. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados (Efésios 2:1-3), mas a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (Tito 2:11). Não são nossas boas obras que nos reconciliam com Deus, mas a salvação é um dom imerecido de Deus, ofertado a todos aqueles que depositam fé no sacrifício de Jesus na cruz por nossos pecados (Efésios 2:8-10).

Em terceiro lugar, cremos no sacerdócio de todos os crentes. Isso significa que, por causa de Jesus, temos livre acesso a Deus. Após a ressurreição, Jesus penetrou no Lugar Santíssimo da presença de Deus, oferecendo livre perdão e graça a todos os que por Ele se achegam a Deus (1 Timóteo 2:5 1 Pedro 2:9 Hebreus 4:16).

Em quarto lugar, defendemos a liberdade de consciência e a total separação entre Igreja e Estado (Romanos 14:1-23, 1 João 2:27). Nunca existiu um governo que tivesse princípios Batistas e perseguisse outros; nem jamais houve qualquer grupo Batista que considerasse lícito controlar as consciências de outros homens. Não cremos que deva existir uma religião ou igreja estatal. Os Batistas sempre estiveram prontos a sofrer mesmo o martírio por causa de sua fé, mas jamais fizeram aliança com qualquer governo para se beneficiarem politicamente ou receberem vantagens dos homens.

Em quinto lugar, cremos que seguir a Jesus Cristo é uma decisão individual. Logo, o sinal da aliança (o batismo) só pode ser administrado àqueles que livremente entraram em aliança com o Senhor, manifestando a verdadeira conversão por uma vida transformada que gera frutos (Gálatas 5:22-23). O batismo é a confissão pública de nossa fé na morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo (Mateus 28:18-20, Marcos 16:16). Assim como a Ceia do Senhor (em que examinamos a nós mesmos e renovamos o nosso pacto com o Senhor), ele é uma ordenança, não um sacramento ou meio de graça. É por isso que, ao contrário de outras denominações, não realizamos o batismo de bebês. Também em conformidade com o ensino bíblico, bem como com evidências linguísticas, históricas e arqueológicas da igreja primitiva, os Batistas realizam o batismo pelo método da imersão, e não pela aspersão ou efusão.

Em sexto lugar, cremos que a grande comissão da igreja, entregue pelo próprio Cristo antes de Sua ascensão (Mateus 28:18-20), é a de fazer discípulos em todas as nações. Temos o propósito de pregar o evangelho de forma individual, em todas as nossas ocupações e interações sociais, e corporativa, apoiando as atividades de nossa congregação local e os esforços missionários em todo o mundo, por meio de nossas orações e ofertas voluntárias.

...do Sétimo Dia

Mas por que sou um Batista do Sétimo Dia? Primeiramente, porque o Sábado não era um elemento exclusivamente pertencente à dispensação judaica. No final da semana da criação, antes que houvesse qualquer judeu ou gentio, Deus descansou (= cessou o Seu trabalho criativo), abençoou e santificou o sétimo dia (Gênesis 2:1-3).

Ao entregar a Lei Moral para o povo de Israel, escrita pelo dedo de Deus, em tábuas de pedra e guardada no interior da arca da aliança, Deus mais uma vez apontou que o sétimo dia era um tempo especial de descanso e adoração para Seu povo (Êxodo 20:8-11).

Com a vinda de Cristo a esse mundo, a Lei Moral não foi abolida. O próprio Jesus afirmou que veio para cumprir, não para abolir a Lei (Mateus 5:17-18). Todas as suas curas e milagres realizadas no sétimo dia não tinham por objetivo demonstrar a abolição ou desvalorizar a Lei, mas eram um desafio à Halakhah (tradição oral) judaica, que adicionava mandamentos de homens à lei divina. Jesus declarou que Ele era o Senhor do Sábado (Marcos 2:28), que é lícito nos sábados fazer o bem (Mateus 12:12) e que seus seguidores deveriam orar para que não tivessem de fugir no Sábado (Mateus 24:20), nas vindouras revoluções judaicas contra Roma (66-70 d.C.).

Ao longo do livro de Atos dos Apóstolos, vemos os primeiros cristãos reunindo-se e evangelizando judeus e gentios no sétimo dia (Atos dos Apóstolos 13:14 , 44, Atos dos Apóstolos 16:13 Atos dos Apóstolos 17:2  Atos dos Apóstolos 18:4). Paulo declarou que a lei de Deus era santa, justa e boa (Romanos 7:12) e que a lei e a graça não são incompatíveis (Romanos 3:31).

Separamos o dia de Sábado para o nosso Senhor e para o serviço ao nosso próximo, não como uma forma de tentar obter a salvação (a qual já adquirimos pela graça de Deus), mas como uma resposta amorosa a Deus que nos amou primeiro.

Em termos históricos, o culto dominical surge na história da Igreja e se fortalece a partir dos séculos II e III d.C., por meio de complexas interações cristãs, judaicas e pagãs, políticas e religiosas. Mas o Sábado não foi de todo abandonado. Vemos, por exemplo, evidências da guarda sabática entre o Cristianismo Céltico (Irlanda, Escócia e França) até o século V d.C., quando foram forçados a adotar o Cristianismo católico romano (Leslie Hardinge, The Celtic Church in Britain, 1995).

Após a Reforma Protestante, com o renovado acesso às Escrituras, homens como James Ockford, William Saller, Peter Chamberlen, Francis Bampfield, Edward Stennet e Joseph Stennet perceberam que o Sábado do sétimo dia permanecia como um requisito de Deus à Sua igreja. Como declarou William H. Brackney, em sua obra The Baptists, “na busca pelas bases bíblicas da época, quando as Escrituras estavam sendo constantemente escrutadas como padrão de doutrina e prática da igreja livre, não causou admiração o fato de uma pessoa ou igreja chegar à conclusão de que a guarda do Sábado fosse um requisito inevitável do Cristianismo bíblico.” (p. 6-7)

Os Batistas do Sétimo Dia estão de braços abertos para recebê-lo em uma de nossas congregações locais e à sua plena disposição no que pudermos ser úteis. Entre em contato conosco para quaisquer dúvidas ou necessidades em que possamos ajudá-lo.

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