Banner da lição da escola bíblica vigentePara se se ter uma vida espiritual saudável, a busca diária através da oração e da leitura bíblica não é algo opcional. Se quisermos permanecer de pé espiritualmente, mesmo sendo bombardeados todos os dias pelo inferno e todos os tipos de tentações, é imprescindível buscar na fonte eterna, que é Cristo Jesus, forças para cada dia de batalha. Cada cidadão do Reino de Jesus deve tomar sua carne, suas vontades e lançar-se de vez, sem olhar as circunstâncias adversas.

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  E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?    

Na lição dessa semana serão apresentados relatos que demonstram o Poder de Jesus sobre a natureza e sobre os demônios. Foi surpreendente para os discípulos presenciarem a natureza se conter e se calar diante da ordem do Mestre. Até então, eles já tinham presenciado, ao lado do Senhor Jesus, sinais de curas e milagres, mas verem as forças da natureza e até os demônios, como no episódio do endemoniado gadareno, se renderem a Jesus, isso eles ainda não tinham presenciado. Tal manifestação deixou os discípulos maravilhados. Fatos esses que demonstram o quanto Jesus pode intervir para proporcionar o bem-estar ao homem.

O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA

Durante todo o dia Jesus esteve assentado num barco, anunciando o Evangelho por meio de parábolas. O barco que Ele usou como púlpito, agora seria o veículo a conduzi-los à outra margem. Já era noite, o Senhor deu a ordem: “Passemos para o outro lado”. Os discípulos estavam acostumados com as águas do mar de Tiberíades (mar da Galileia), sabiam das possíveis dificuldades a serem enfrentadas; ventos fortes e tempestades repentinas, por este lago estar abaixo do nível do mar, quase inteiramente cercado de serras, das quais se desencadeiam repentinamente grandes borrascas, o que poderia se agravar ainda mais por estar anoitecendo (Marcos 4:35). Na ocasião, se fossem questionados marinheiros ou mesmo pescadores, não diriam ser um bom momento para entrar no mar. Porém, Jesus sendo Senhor da terra e do mar, disse aos discípulos para partirem. Obedecendo a ordem do Mestre eles seguem e depois de um dia cheio de ensinamentos, o Senhor se recolhe na popa do barco e acaba dormindo. Esse fato salienta sua total humanidade; nosso Senhor era genuinamente humano, embora sem a horrível propensão para o pecado herdada de Adão (Romanos 8:3; Romanos 5:12; 2 Coríntios 5:21). Fazendo um paradoxo entre esse fato e o trabalho ministerial, pode-se afirmar que depois de um dia de estudos, pregações e simpósios acerca do Evangelho, o corpo humano se rende a um cansaço e por vezes até à exaustão. Depois de um dia inteiro, o corpo e a mente encontram-se cansados. Foi o que ocorreu com o Senhor Jesus naquele dia, porque como homem, em seu aspecto físico não era diferente de nós, sentia fome e sono como qualquer outros ser humano. Então naquela, noite na popa do barco, Ele adormeceu.

Sobre isso podemos afirmar que a compreensão sobre a humanidade de Cristo é essencial para fé cristã. Tanto que o apóstolo João condena severamente aqueles que negam “que Jesus Cristo veio em carne” (1 João 4:2; 2 João 7). Essas palavras foram dirigidas a uma forma antiga de heresia conhecida como docetismo (do termo grego dokeo, “parecer”). Os docetistas ensinavam que Jesus era divino (porém não o próprio Deus), mas que apenas parecia humano. Alegavam que Ele era uma espécie de fantasma, um mestre que, na verdade, não viveu e morreu como ser humano. As escrituras deixam claro que Jesus era um homem. Ele experimentou limitações humanas como fome (Mateus 4:2), o cansaço (João 4:6) e o desconhecimento de certos fatos (Marcos 13:32; Lucas 8:45-47). Experimentou a dor do choro (João 11:35-38), da aflição (Marcos 14:32-42; Lucas 12:50; Hebreus 5:7-10) e do sofrimento na cruz (Mateus 27:46; Marcos 15:34). Uma vez que era divino, Jesus não podia pecar; mas, uma vez que era humano, ainda podia ser verdadeiramente tentado (Hebreus 4:15). Jesus também precisava lutar contra as tentações, mais sempre resistia até vencê-las (Mateus 4:1-11).

Especificamente no Evangelho de Marcos, relata a respeito de outros barcos que foram junto do de Jesus (Marcos 4:36). Certamente os outros discípulos, possivelmente os 70, que andavam junto com Jesus, passaram por momentos onde sua fé fora testada de tal forma que excedia suas experiências e seus conhecimentos acerca do Mestre.

Não é diferente com as experiências pessoais que nos sucedem. Às vezes Deus leva-nos a grandes tempestades e a águas profundas, não para afogar-nos, mas para limpar-nos e ensinar-nos a vivermos e experimentarmos o que está além de nosso conhecimento ou recursos, situações pelas quais nós teremos que viver pela fé, como nos ensina o escritor aos Hebreus (Hebreus 10:38)

A Bíblia traz muitos exemplos de pessoas que passaram por situações extremas: Daniel na cova dos leões (Daniel 6), Hananias, Azarias e Misael, diante da fornalha de fogo ardente (Daniel 3), Moisés diante do Mar Vermelho (Êxodo 14:10-29), este são apenas alguns dos inúmeros relatados nas Escrituras, homens comuns que experimentaram e presenciaram de maneira sobrenatural a revelação do poder de Deus por meio de sua fé. Diante disso, fica clara a necessidade da Igreja do Senhor Jesus viver experiências profundas, para que tenha sua fé fortalecida em Cristo, Aquele que detém todo poder.

Voltando ao texto em estudo percebemos que por maiores que fossem suas experiências com relação a pescaria, tempestades e naufrágios, para os discípulos nada se comparava àquele momento que ia além de sua compreensão, talvez por alguns instantes teriam hesitado em despertar o Mestre. Quantos dos filhos de Deus têm se visto na mesma situação, hesitando em clamar pelo Mestre nos momentos difíceis. É comum tentar resolver com seus próprios recursos, até que se vejam sem saída e então se ouve o clamor: “Mestre, vamos morrer! ” (Lucas 8:24b, NVI). A tempestade era tamanha, mesmo tendo a presença de Jesus no barco, faltou-lhes fé para crer que tudo iria ficar bem, mesmo que as águas enchessem o barco, não seria permitido afundar a embarcação em que o Senhor estava a descansar. Ao despertarem o Mestre, “Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: Aquiete-se! Acalma-se! O vento se aquietou, e fez-se bonança”. (Marcos 4:39 NVI).

Muitas vezes, ocorre o fato de convivermos com pessoas ao nosso lado e não as conhecermos, como os discípulos, que a tempo estavam seguindo Jesus e ainda não tinham dimensão do poder Dele. Tamanho foi o espanto ao verem o domínio de Cristo sobre a força da natureza que exclamaram: “Quem é este que até aos ventos e ás águas dá ordens, e eles lhe obedecem?”.

Isso ocorre em muitas situações da vida, devido à direção em que se está olhando. Os discípulos, aquela noite, olhavam o vento, o balançar brusco do barco, os raios e a fúria do mar revolto. Assim, as lutas e provações passam à nós a aparência de que são maiores que Deus. E quando é possível, pelos olhos da fé e a infinita misericórdia do Senhor, assistir bem de perto Deus acalmar o vento, a tempestade e as ondas furiosas, ficamos surpresos com o  poder de um Deus que tem domínio sobre tudo e todos, até mesmo sobre a natureza.

É revelado pelo próprio Cristo que todo poder é detido em Suas Palavras e que tudo foi criado por Ele e para Ele (Colossenses 1:16-17) e que não há nada que não se sujeite à Sua voz.

A EXISTÊNCIA DOS DEMÔNIOS E O QUE ELES FAZEM COM O SER HUMANO

Depois dos discípulos terem presenciado tamanha manifestação do poder e autoridade de Cristo sobre as forças da natureza, prosseguiram viagem, o destino foi uma cidade chamada Gadara, que era uma das cidades de Decápolis (do grego; Dez cidades. Confederação de dez cidades gregas, situadas de ambos os lados do rio Jordão e ao sul do Mar da Galileia).

Ao desembarcarem na cidade, saiu ao encontro de Jesus um homem que há muito tempo estava possesso de demônios. Os relatos bíblicos descrevem a situação desse homem de forma assustadora: ele era atormentado dia e noite, clamava pelos sepulcros e montes, ferindo-se com pedras, andava despido e não habitava em casas, por vezes foi preso em cadeias e grilhões, tais quais não podiam prendê-lo, pois todas eram por ele despedaçadas. Era uma vida sem liberdade alguma, aquele homem andava sob o domínio de Satanás, tomado por um senso de autodestruição.

É claramente notado o que Satanás e seus demônios fazem com a vida das pessoas. Aquele homem é a demonstração da destruição causada por Satanás. O diabo faz com que o homem perca o amor próprio, perca o sentido, perca o amor à vida, leva-o a um tormento existencial, ao fundo do poço, torna-o um capacho. Satanás destrói a vida do homem que não tem Jesus, tira a sua paz, tira sua harmonia, devasta sua dignidade, seu casamento, sua família, seu corpo e atormenta a alma. Tudo isso é relatado através da triste história daquele jovem de Gadara, que andava nu e se autoflagelava.  O diabo faz assim com o ser humano, ele tira a percepção do que é puro, do que é bonito, perfeito, do que é legítimo, ele deforma a existência da humanidade.

Gadara era uma cidade gentílica, por isso havia ali pessoas que trabalhavam criando porcos, animais considerados imundos pelos judeus. A princípio a sociedade daquela cidade se incomodava com a situação daquele jovem. Os relatos bíblicos nos contam que muitas vezes as pessoas o aprisionaram em cadeias e até grilhões, mas nada disso o detia, havia nele uma força extraordinária cedida por Satanás, na verdade as prisões daquele jovem eram invisíveis, espirituais. Mas depois de várias tentativas, a população da cidade decidiu apenas afastá-lo do convívio da sociedade. Antes o jovem os incomodava, agora nota-se certa acomodação por parte deles, diluíram o que causava transtorno a todos em meio a rotina do dia a dia daquela cidade. Talvez Gadara tenha ficado conhecida como a cidade dos demônios, uma cidade isolada, indesejada. Talvez não fosse mais visitada pela circunvizinhança. 

Satanás causa então um efeito de separação de Deus, e o que ele usa para esse fim é o pecado. Envolve cada vez mais sua rede de mentiras e submete o homem afastado da presença de Deus a essa situação avassaladora, como a que se encontrava aquele jovem. Totalmente dominado.

 A AUTORIDADE DE JESUS SOBRE OS DEMÔNIOS

Logo que aquele homem se encontra na presença de Jesus, ele se prostra diante dEle e faz uma declaração, O chama de “Filho do Deus Altíssimo”. Perceba que os demônios, apesar de lutarem arduamente contra o poder e a autoridade de Jesus, reconhecem quem está diante deles e estremecem com isso! Satanás sabe com quem combate, ele sabe quem nos defende, e naquele instante ele sabia que a presença bendita de Jesus seria a libertação daquela alma aprisionada. Era grande a tortura daquele jovem, seu sofrimento além de contínuo era intenso, pois ele era muito afligido.

O demônio, ao identificar-se perante de Jesus, denomina-se da seguinte forma: “Legião, porque somos muitos”. Legião era a grande unidade do exército romano composta das tropas de infantaria e cavalaria com um número de 6.000 soldados. É possível imaginar o tamanho da opressão que sofria o jovem gadareno! Tormento intenso, constante e infernal. Ele tinha uma vida sub-humana, sem esperanças, sem perspectivas. Mas ao deparar-se com Cristo sua história foi mudada. O fato é que apesar de Satanás ser nosso inimigo mais forte  e seus demônios trabalharem em conjunto e constantemente contra nós seres humanos, fica claro através do relato bíblico, que seu poder é limitado. A presença de Jesus incomoda, desestrutura, desestabiliza Satanás, porque ele conhece o Criador, sabe de Seu poder infinito, Sua Soberania e autoridade.

Segundo o texto narrado por Lucas, o demônio “legião” ele faz um pedido: “rogo-te que não me atormentes”. Trazendo à luz do próprio contexto, eles estavam pedindo a Jesus que não lhes incomodassem, ou seja, que Jesus não fizesse oposição a eles. No território de Gadara eles agiam em total liberdade sem qualquer tipo de oposição vinda de qualquer pessoa. Esse pedido provavelmente reflete o medo que os demônios tinham de que Jesus os expulsassem daquela região. Talvez seja por isso que preferiram habitar em porcos do que serem expulsos da cidade: “E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e lho permitiu” (Lucas 8:31-32).   E quando finalmente entram nos porcos, os animais se precipitaram no despenhadeiro do lago morreram afogados. Pode-se dizer que com isso, o jovem teria agora uma confirmação do afastamento total dos espíritos malignos.

O VALOR DE UMA VIDA PARA JESUS

A visita de Jesus a Gadara não foi um acidente de percurso e nem ao menos um passeio turístico. Ele foi até aquele lugar com uma missão especial. Havia naquela cidade um jovem possesso de muitos demônios, alguém que há muito tempo sofria forte opressão maligna, se machucava com pedras, dormia em sepulcros, andava por lugares íngremes, deserto, caverna, etc. Um homem que andava nu pela cidade. Uma pessoa que ninguém conseguia ajudar, e ao que parece, havia sido abandoando pela sociedade.

Parece que a sociedade, os amigos e até a família daquele jovem haviam desistido dele. Mas Jesus não. Sua ida àquela cidade foi proposital. Quanto vale uma vida pra Jesus? Mesmo depois de um dia exaustivo, depois de enfrentar uma tempestade terrível Ele decidiu estar lá, decidiu ir até aquela cidade para salvar uma alma oprimida, para salvar aquele jovem possesso. Essa é na verdade a expressão do amor infinito de Jesus pelo homem. Satanás havia roubado tudo daquele rapaz: sua família, sua dignidade, sua saúde física e mental, sua liberdade, sua decência e sua paz.  Jesus foi a Gadara restabelecer tudo isso novamente ao jovem. Satanás e seus demônios escravizam a vida do ser humano, Jesus sendo infinitamente superior, liberta o homem da escravidão dos demônios.

Após esse magnífico encontro com o Senhor Jesus, esse jovem teve sua triste história mudada. Observe que aquele que vivia correndo de um lado por outro perturbado, em desespero e aflição agora é visto por todos assentado aos pés de Jesus, sereno, calmo e quieto ouvindo seu Salvador. Esse jovem que andava despido pelas ruas de Gadara, sem pudor ou vergonha, agora está vestido, Jesus lhe recobrou a dignidade, aquele que não tinha respeito por si próprio e nem pelos outros, agora é visto descentemente vestido. Aquele jovem insano que nem mesmo dizia seu nome, quem respondia por ele eram os demônios, era atormentado sem o menor sinal de sanidade, é visto em perfeito juízo (v. 35). Ele não é mais um perigo, nem para a família nem para a sociedade, ele não é mais violento. Todo o povo se encheu de temor (v. 35).

Quando Jesus está partindo de Gadara, para voltar as ovelhas perdidas da casa de Israel, o jovem que foi liberto se sente tão grato e desejoso de estar ao lado dAquele que lhe trouxe alívio e verdadeira libertação, pede a Jesus permissão para acompanhar Ele. A resposta de Jesus o surpreende, não só a ele, mas talvez a todos que estivessem ali, inclusive os discípulos: “Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti”. Porque não acompanhar Jesus? Porque não ser um de seus discípulos? Afinal os gadarenos pediram que o Mestre fosse embora de suas terras, pelo fato que havia acontecido com esse rapaz. Gadara não queria ser livre de suas impurezas, seus pecados, seus “demônios”.

Em qualquer outro lugar onde este jovem passasse e contasse sua história, seria só mais uma história em um lugar qualquer. Porém, em Gadara, onde todos haviam presenciado por anos sua trágica e sofrida rotina, todos os que o viram se ferir, fugir para o cemitério, arrebentar cadeias e grilhões, todos os que o viram nu, atormentado e sem juízo, agora iriam vê-lo limpo, vestido, quieto, em juízo perfeito. Todos os impuros daquela região testemunhariam o que acontece com vida daquele que se encontra com Jesus.

Aquela cidade que rejeitou Jesus e pediu que Ele fosse embora, teria que conviver diariamente com o testemunho vivo daquele que saiu das trevas para Maravilhosa Luz de Cristo.

Quanto vale uma vida para Jesus? Bom, nós custamos sua própria vida! Incalculável valor! Glória a Deus! Aleluia!

CONCLUSÃO

Jesus se revela Senhor sobre a natureza, nem toda fúria do mar e do vento são capazes de conter o Mestre que os acalma com uma só palavra. Seus discípulos ficam pasmos ao verem tamanha autoridade e poder, mas em seguida desse episódio, o Senhor os surpreende ainda mais. Jesus não só subjuga as forças da natureza como também Satanás e seus demônios. Na vida do endemoniado gadareno o Senhor Jesus se revelou Senhor absoluto e soberano. Aquele que nada nem ninguém pode impedir o seu agir. E ainda manifesta o seu amor, colocando em retirada tudo o que oprime e aflige a vida do homem.

[1]Ventania impetuosa e repentina, ger. acompanhada de chuva forte ou neve, e que amaina tb. de súbito; borriscada, procela; temporal com chuva e vento intensos, que agita o mar em demasia; procela. Substantivo feminino..

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