Ano 2021
Autor
Número de Páginas 233
Disponibilidade Em estoque
Tipo de Livro Brochura
Formato 14x21cm
Primeiras páginas
ISBN 978-65-00-25408-2

Amados irmãos e irmãs, a primeira metade desse atípico ano de 2021 já está no passado. Nos dois primeiros trimestres do ano fomos agraciados por Deus com estudos bíblicos maravilhosos na Escola Bíblica Sabatina! Vejamos o que agora nos aguarda.

Ao ler esse manual de estudos, versando sobre a Segunda Carta de Paulo a Timóteo, cada um verificará que não elaboramos uma análise do Livro versículo por versículo. Certamente, estudaremos com atenção toda a Carta, sem, contudo, obedecer a uma sequência lógica e cronológica do Livro e dos fatos.

Nos próximos três meses descobriremos algumas particularidades da vida do então veterano apóstolo Paulo — o emissor da mensagem — e da vida do principiante e jovem Pastor Timóteo — o emissário ou destinatário, da mensagem.

Mas, não poderemos perder de vista o pano de fundo desse significativo cenário. Essa foi a última carta de Paulo, vindo, na sequência, o seu martírio em Roma. Alguns estudiosos veem nessa epístola uma carta de despedida. A Igreja cristã passava por duras e atrozes perseguições de todos os lados.

Eram dias difíceis. Era o período que transcorria entre os anos 64 e 67 a.D. A historiografia oficial confirma que na noite de 18 para 19 de julho de 64 a.D., Roma sofreu um grande incêndio. Há fortes indícios de que o autor do sinistro foi o próprio imperador Nero que, ao depois, diabolicamente, transferiu a culpa para os cristãos. Por via de consequência, nossos irmãos cristãos em todos os domínios do Império Romano passaram a ser alvo de sangrentas e desumanas perseguições.

E mais. A respeito das prisões do apóstolo Paulo em Roma, há de se lançar uma pequena, porém, relevante nota, que é: tanto do estudo do Novo Testamento, quanto da História Eclesiástica Primitiva, extrai-se a convicção de que Paulo teve duas prisões em Roma. A primeira é aquela em que ele ficou em prisão domiciliar (entenda-se, numa casa onde podia receber pessoas), por cerca de dois anos (Atos dos Apóstolos 28:30). Essa era uma prisão cautelar (sem qualquer condenação, ainda). O apóstolo estava, portanto, sob a custódia (guarda, proteção) da jurisdição de Roma. Ali, manifestou firme esperança de ser liberto e visitar novamente as Igrejas por onde havia passado.

Já, a segunda prisão decorria de uma sentença condenatória. Agora o apóstolo não mais está em uma prisão domiciliar (morando em uma casa, tendo apenas algumas restrições ao direito de ir e vir — Atos dos Apóstolos 28:30), como foi da primeira vez, onde passou cerca de dois anos e de onde escreveu algumas cartas — as chamadas “cartas da prisão” —, quais sejam, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom. Pior. Agora seu “alojamento”, resultante da iníqua e injusta sentença condenatória, passou a ser uma masmorra inadequada, indigna e humilhante. Dessa, o apóstolo sabia que não daria continuidade ao seu ministério. Sabia que sairia para a morte.

Estava chegando a hora de seu martírio. Vale a pena reiterar que o veterano e incansável apóstolo não mais está na mencionada prisão domiciliar — uma casa habitável — mas, sim, numa masmorra fétida e de precárias condições sanitárias, conhecida na história como Prisão Mamertina. A certeza da iminência de sua morte, despertou em Paulo o senso de urgência nas orientações ao jovem Pastor e à Igreja. Assim, de lá escreveu essa segunda carta a Timóteo.

Mas, o pano de fundo para a elaboração dessa segunda carta a Timóteo ainda não está completo. Acresce ressaltar que, afora os ataques dos inimigos externos, conforme mencionamos, a Igreja cristã vinha sendo sacudida e açoitada pelos ataques internos, por meio dos falsos Ministros da Palavra.

Igreja amada, alguns dos problemas enfrentados pela Igreja Primitiva ainda nos dizem respeito nos dias atuais. Ainda se levantam falsos mestres. Ainda há pessoas desanimando e desistindo da caminhada com Cristo. Somos desafiados, como membros da família de Deus, a nos fortificarmos na Graça, desempenhando com dedicação o desafio de um evangelista, reavivando sempre o dom que Deus nos concedeu. Tudo isso, sem nos envergonharmos do testemunho, lembrando que o nosso chamado não se origina nas obras, mas na Graça. Sim, porque essa Graça nos torna Combatentes, tendo por arma a Bíblia — a Inspirada Palavra de Deus. Com isso, não seremos influenciados pelas vãs filosofias e nem pelos falatórios inúteis. Ao contrário, seremos “vasos de honra” e não “vasos de desonra”, desenvolvendo continuamente as virtudes da Graça, sem dar margem às causas do abandono da Fé. Isso significará termos guardado a fé e o resultado será, ao fim da carreira, a Coroa da Justiça.

Em suma, amada Igreja, estamos combatendo o bom combate e, desde já, temos a certeza de que o Senhor, que é justo e reto Juiz, tem reservado a cada um de nós a coroa da justiça, totalmente diferente da coroa de louro dos vencedores guerreiros ou atletas do mundo antigo. Essa coroa murchava e, com o passar do tempo, desaparecia. Aquela, a coroa dos vencedores por Cristo, todavia, dura por toda a eternidade. Não é outro, aliás, o sentido da exortação do mesmo apóstolo Paulo, quando pondera: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível” (1 Coríntios 9:25). Que o Senhor nos fortaleça na graça para essa combativa jornada!

Pastor Bernardino de Vargas Sobrinho

Pastor Presidente da CBSDB

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