Atualmente, a realidade dos jovens têm sido cercada e bastante influenciada pelo seguinte jargão: “o caminho é mais importante do que o destino”.

Pesquisa no Google por 'O caminho é mais importante que o destino'Com uma pesquisa rápida na internet sobre isso vemos diversos blogs, sites de coaches, sites de notícias[1] que tanto a geração Y (nascidos em 1980 a 1990), quanto a geração posterior, dado o contexto em que nasceram, passaram a repudiar a mentalidade da geração anterior (a geração de seus pais): que tinha uma maior preocupação com suas responsabilidades e profissão, acelerando a chegada da fase adulta madura, deixando um pouco de lado o tempo precioso com as pessoas e a família; por esse motivo é que o jargão inicialmente citado acaba influenciando as vidas da geração Y. Com base nisso, a geração nova tenta priorizar o prazeres momentâneos do presente como meio para as realizações e satisfações.

De certo modo, somos tolos em achar que essa fase de juventude nunca vai passar ou vai demorar bastante, pois nos leva a uma forma de vida muito comum entre nós jovens: “viver como se não houvesse amanhã”; a tolice está no fato de vivermos sem medo do que pode ocorrer no futuro, sem medo das consequências de nossas más escolhas do presente, o que, certamente, irá prejudicar nossa caminhada e nosso futuro.

Está em nossa natureza carnal e pecaminosa valorizar mais os “prazeres” e “curtições” momentâneas do que nos preocupar verdadeiramente com suas consequências e com aquilo que é eterno e definitivo, não há uma verdadeira preocupação com o destino final, o alvo; não é à toa que Salomão adverte bastante sobre essas coisas aos jovens no livro de Provérbios (capítulos de 1 a 10) e em Eclesiastes.

Por conta disso, diversas “deturpações” e “adaptações” têm sido feitas ao Evangelho, porque muitas pessoas não acreditam que um jovem possa, no contexto atual em que está inserido, viver em obediência real à Palavra de Deus, não acreditam que o jovem possa viver em santificação.

Assim, diversos métodos têm sido adotados para conquistar e manter os jovens na igreja. Muitas instituições acabam dando mais importância ao entretenimento do que ao Evangelho puro e verdadeiro, oferecem uma vida cristã “mais agradável” aos olhos dos jovens e adolescentes. E, deixando de pregar a Verdade, muitos líderes tentam “segurar” a juventude na comunhão da Igreja, pois, acreditam que os princípios bíblicos possam lhes parecer duro e confrontador com a vida de “prazeres” momentâneos e, se pregados, certamente, afastarão os jovens (João 6:66), por não suportá-los:

  Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos.    

2 Timóteo 4:3

A salvação vai muito além do que fazer parte de um grupo da igreja, usar camisetas legais com mensagens “gospel”, participar de eventos, “marchas pra Jesus”, danças, shows gospel e etc. Não digo que essas coisas sejam absolutamente erradas, mas, ao serem priorizadas, levam muitos jovens a pensarem que tudo isso é suficiente para ser um cristão e, desse modo, desviam o foco da real transformação que o coração precisa. “Crer” em Jesus nos faz viver uma vida de mudanças que nos leva ao caminho da salvação e transformação, é necessário vivermos uma vida de santificação, não basta somente acreditar em um Deus Criador (até o diabo crê e treme – Tiago 2:19), é necessário nascer de novo por obra do Espírito Santo por meio de Jesus (Tito 3:5-6; João 3:3) e, assim, renunciar a si mesmo e seguir a Cristo (Lucas 9:23).

O inimigo tem como estratégia nos fazer pensar que podemos estar errados em seguir o rumo contrário à maioria, digo maioria porque realmente o mundo jaz sob o maligno (1 João 5:19); os que estão na direção errada realmente pensam que estão certos e tentam nos influenciar para que andemos como eles. Sabemos também que se nos posicionarmos em favor da Palavra e contrários aos erros e pecados (até mesmo nossos) seremos isolados ou perseguidos ou tratados como “radicais”. Dessa maneira, a igreja se seculariza para ser mais aceita, absorve costumes mundanos e pode acabar transformando os jovens, que dela fazem parte, em apenas religiosos, o que é bastante perigoso, pois a amizade com o mundo é inimizade contra Deus (Tiago 4:4)[2].

Quem é melhor para saber como lidar com os jovens do que o próprio Deus criador? Se cremos que a Bíblia é infalível e inspirada por Deus (e devemos crer assim em defesa da nossa única regra de fé e prática) podemos confiar que a Palavra de Deus continua sendo viva e eficaz para os dias de hoje (Hebreus 4:12), podemos ter a certeza de que somos iluminados e recebemos discernimento por meio dela (Salmos 119:130) e que a fé e o entendimento vêm pela Palavra de Deus (Romanos 10:17). Por isso, não há necessidade de “adaptação” ou “distorção” do Evangelho para ser aceito; quem quer agradar aos homens não é servo de Deus (Gálatas 1:10).

O caminho das “facilidades” parece bom aos nossos olhos, mas é o que nos leva à porta larga e ao caminho amplo nos quais o fim é a perdição, poucos encontram a porta estreita que leva à vida (Mateus 7:13-14). Ademais, é o Espírito Santo quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Que possamos confiar nessa verdade.

Os eventos atrativos para os jovens cristãos devem ter como prioridade a edificação e, como consequência, podem oportunizar momentos para que jovens cristãos conheçam uns aos outros, façam amizades com outros jovens cristãos ou até mesmo para que encontrem um marido ou uma esposa que teme a Deus, pois é mais fácil encontrar nesse meio (ainda que muito falho e que haja alguns lobos em peles de cordeiros) do que fora da igreja. O entretenimento não pode ser prioridade e sim consequência, nem mesmo pode contribuir para separar os jovens dentro da igreja como se fossem parte uma “tribo” que não se mistura com os mais velhos e mais novos, os jovens devem ser integrados na igreja como parte de um único corpo.

O jovem também tem que contribuir na missão da igreja em fazer discípulos de Cristo, tendo sua disposição e energia aproveitados para isso. Eles devem demonstrar que ser cristão não é ser chato, e a partir do momento em que buscarem aperfeiçoamento na palavra de Deus e aconselhamento pastoral, por meio do discipulado, a diversão e o entretenimento serão exercidos com mais maturidade e aproveitados da melhor forma possível.

Paulo não enxergou a juventude de Timóteo[3] como empecilho para consagrá-lo e confiar-lhe o ministério em Éfeso (1 Timóteo 1:3), mas demonstrou a necessidade de acompanhá-lo como seu discipulador e encorajador, como um pai para ele (1 Timóteo 1:2; Filipenses 2:22). Ele exorta Timóteo sobre a importância de se lembrar e permanecer no que lhe foi ensinado nas Escrituras desde a sua infância (2 Timóteo 3:14-15), a não deixar que ninguém o desprezasse por causa de sua juventude (1Tm 4:12), a não negligenciar o dom espiritual do presbitério que havia recebido (1 Timóteo 4:14), a não se envergonhar de falar em favor do Evangelho (2 Timóteo 1:8) etc.

É a construção de um caráter piedoso (o conhecimento da Verdade é segundo a piedade: Tito 1:1) que irá servir a nós jovens para o resto de nossa vida, firmando-nos em Cristo e dando-nos um propósito: viver para a glória de Deus. Isso comprova que a mente do cristão deve ser moldada pelo conhecimento do Evangelho, pelo poder do Espírito e por interesse no porvir, nos deixando preparados contra as ciladas do maligno, as vãs filosofias deste mundo e as fortes tentações da carne que nos assolam nessa fase. Dessa maneira, não iremos viver “como se não houvesse amanhã”, desperdiçando nossa vida ao focar nos prazeres momentâneos e carnais que tornam a vida vazia e sem propósitos.

É a Palavra de Deus que iluminará nossos pés e nos guiará pelo caminho como peregrinos nesta Terra (Salmos 119:105), e não o entretenimento. Como já dito, sabemos que somos constantemente atacados pelo mundanismo, pela nossa carne e pelo diabo e, para que possamos nos defender contra todo esse mal, devemos constantemente renovar nossa mente no conhecimento do Evangelho, para que saibamos o que é realmente bom, perfeito e agradável (Romanos 12:2). Assim, saberemos lidar, da melhor forma, com nossos pais, nos nossos relacionamentos, no ambiente de trabalho e acadêmico (1 Timóteo 4:12), estaremos aptos a exercer nosso ministério na igreja (1 Coríntios 15:58; Salmos 133:1; Hebreus 10:25) e viver uma jornada traçada por Deus que, diferentemente do que pensam, não é nada monótona, mas prevalece a verdadeira paz, liberdade (João 8:36) e a consciência limpa.

  Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e antes que se aproximem os anos em que você dirá: "Não tenho satisfação neles";    

Eclesiastes 12:1

[1] https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/jovens-millennials-curtir-o-caminho-e-o-mais-importante

[2] Segundo comentários da Bíblia de Estudo de Genebra, no versículo citado trata-se de infidelidade espiritual a Deus.

[3] Comentários introdutórios e históricos acerca das cartas de Paulo a Timóteo na Bíblia de Estudo de Genebra não falam a idade de Timóteo, mas enfatizam que ele era jovem.

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