Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.

1 Coríntios 10:31

No atual sistema educacional somos ensinados por professores que foram influenciados pela pós-modernidade e pelo marxismo cultural, e esses conceitos, na maioria das vezes, estão em contradição com a Bíblia. Sendo assim, a maioria dos professores no século XXI discordam dos moldes bíblicos. Nos debates que enfatizam a diversidade, todas as outras religiões são aceitáveis, mas o cristianismo, na maioria das vezes, é a religião que mais sofre intolerância nas salas de aula. Ao assumirmos nossa identidade como cristãos, somos denominados de retrógrados e preconceituosos, simplesmente porque defendemos os princípios que o Senhor nos ordenou. Diante desse contexto da pós-modernidade devemos refletir sobre a seguinte questão: Como o cristão deve atuar nesses meios?

Não é novidade que os ensinos acadêmicos seculares estão cada vez mais excluindo a possibilidade da existência de um Deus criador, da moral cristã, da Bíblia como sendo divinamente inspirada e de qualquer tipo de absolutismo. A negação de uma verdade absoluta é estrategicamente pregada para que se excluem os valores morais do cristianismo, ou para que Cristo seja simplesmente tratado como um homem respeitado que viveu na terra sem a natureza divina, e que se iguala a todos os líderes de outras religiões, como Buda, Maomé, etc.

Educadores que enfatizam a diversidade ideológica negam a existência de uma verdade, ou seja, defendem que "cada um tem a sua verdade", segundo suas próprias convicções. No entanto, a Palavra de Deus nos ensina o contrário do que ouvimos na universidade e na escola, a Bíblia nos revela a própria Verdade encarnada em Jesus Cristo, que não apenas se fez carne, mas que sofreu e morreu para nos limpar de nossos pecados, que ressuscitou ao terceiro dia, sem qualquer iniquidade e se tornou o nosso Redentor.

Os ateus estão convictos em uma ideologia que nega a existência de Deus, e a prática de suas convicções, baseadas em um discurso persuasivo, faz deles um grupo propagador do pensamento ateísta. E, a partir de suas convicções, eles querem impor o pensamento ateísta a todos os outros, passando a pregar uma mentira, supostamente científica, como se fosse verdade. Eles caem na contradição do próprio pensamento. Diante deste contexto, em que somos uma minoria cristã oprimida por uma maioria ateia, somos levados à Cruz e lembramos que Jesus sempre nos falou que seus seguidores sofreriam perseguições. Embora isso não seja motivo para a desistência de um curso ou para o isolamento social, precisamos compreender que é exatamente nestes ambientes de divergências ideológicas que devemos estar inseridos, como propagadores do Evangelho, para que possamos levar a Verdade até lá, mas se fizermos isso enquanto estivermos desprovidos de conhecimento, nossas palavras serão apenas parte de um discurso qualquer de uma pessoa "do contra" ou de alguém que gosta de atrapalhar a aula.

Certamente cremos na Bíblia como verdade absoluta, porque ela foi inspirada pelo Espírito de Deus, mas citar um versículo bíblico, apenas como argumento, não produz nenhum efeito no ambiente universitário. O cristão em um ambiente ateu precisa se esforçar em dobro, estudar, sabiamente, a Bíblia e buscar o conhecimento sobre os assuntos do âmbito ateu, buscar a compreensão sobre o que eles dizem e relacionar com as fontes históricas e, assim, teremos argumentos para nos posicionar criticamente, quando necessário, sobre cada frase dita pelo professor. Precisamos manter um equilíbrio sobre o contradizer tudo o que o professor diz e ficar calado sem nunca se manifestar. Este equilíbrio só pode ser encontrado se buscarmos conhecimento na Palavra de Deus onde encontramos sabedoria e o Espírito Santo vai nos mostrar como agir e nos capacitar para cada situação. Portanto, não podemos nos acovardar enquanto as verdades bíblicas estão sendo atacadas e o nome de Deus está sendo profanado.

Se fazemos tudo para a Glória de Deus, devemos estar incluídos nesses meios e fazer o melhor que pudermos, seja na escola, na universidade ou no trabalho. Os ímpios fazem para os homens, por isso podem fazer relaxadamente e sem qualquer preocupação, mas nós fazemos para O nosso Criador, porque "nEle vivemos, nos movemos e existimos" (Atos dos Apóstolos 17:28), portanto, tudo o que fizermos tem que ser bem feito, melhor do que fazem os ímpios, já que nossa motivação é muito maior que a deles.

Em suas Confissões, Agostinho discorre sobre a busca do homem pela verdade:

“Mas por que a verdade gera o ódio? Por que os homens olham como inimigo aquele que a prega em Teu nome, uma vez que amam a felicidade, que mais não é que a alegria nascida da verdade? Talvez por amarem a verdade de tal modo que tudo de diferente que amam, querem que seja verdade; e, não admitindo ser enganados, também não querem ser convencidos de seu erro. Desse modo, detestam a verdade por amarem aquilo que tomam pela verdade. Amam-na quando ela brilha, mas odeiam-na quando os repreende; e, como não querem ser enganados, mas enganar, eles a amam quando ela se manifesta, mas a odeiam quando ela os denúncia. Porém ela os castiga; não querem ser descobertos pela verdade, mas esta os denúncia, sem que por isso se manifeste a eles. É assim o coração do homem! Cego e lerdo, torpe e indecente: quer permanecer oculto, mas não quer que nada lhe seja ocultado. Em castigo, sucede-lhe o contrário: não consegue esconder-se da verdade, enquanto esta lhe continua oculta. Contudo, apesar de tão infeliz, prefere encontrar alegrias na verdade que no erro. Será, portanto, feliz quando, livre de perturbações, se alegrar somente na Verdade, origem de tudo o que é verdadeiro.”

Nós, que conhecemos o nosso Deus, sabemos onde encontrar a verdade, mas os ímpios estão cegos pela própria busca porque idolatram os próprios conceitos e não enxergam nada além de si mesmos. Nossa oração deve ser para que nunca venhamos nos render aos pensamentos errôneos que nos cercam. Nós precisamos eliminar essa imagem de que o cristão é um ser que não pensa, não estuda, que passa pela média porque não se importa tanto assim com seus estudos. Também precisamos cavar mais fundo e mergulhar na Palavra de Deus para que possamos ter uma base firme, de forma que não sejamos levados pelas filosofias vãs e enganosas (Colossenses 2:8), e, principalmente, precisamos desesperadamente da Graça de Deus para que possamos ser cristãos relevantes e fiéis justamente onde somos ridicularizados por amarmos a Deus, o Único que tem o poder de dizer que é a própria Verdade.

Que a nossa covardia seja vencida pelo absolutismo do Eterno, que é poderoso o suficiente para nos libertar do medo de julgamentos e de ridicularizações. E, que possamos praticar o que disse o reformador suíço Ulrich Zuínglio: "Faça algo corajoso por amor a Deus!"

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