Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas.    

2 Coríntios 11:28 NVI 

Amados irmãos e irmãs, graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo vos sejam multiplicadas!

Neste pequeno texto, tenho a pretensão de lançar à irmandade, de um modo especial, às cabeças pensantes da IBSD, uma singela, porém rara e oportuna reflexão sobre a educação que queremos em nossas Igrejas.

Minha preocupação parte do pressuposto de que, conquanto tenhamos a Bíblia como sendo a infalível e imutável Palavra de Deus, não podemos olvidar que a educação, em um sentido geral, tem se caracterizado como um movimento permanente de demandas decorrentes de diferentes conflitos.

O mundo dos dias atuais não é mais o mesmo de ontem. As mudanças ocorrem numa aceleração muito veloz. Em um recente programa de televisão (15/7/2019), o jornalista Pedro Bial entrevistava dois cientistas, um da UFRJ e outro da USP — o neurocientista Stevens Rehen e o filósofo e sociólogo especialista em inovação tecnológica Glauco Arbix — num exercício, com bases científicas, sobre a projeção do mundo para os próximos 50 anos. A tertúlia decorria de anterior entrevista feita pelo mesmo jornalista com o Professor Doutor Nick Bostrom, Professor da Universidade de Oxford e Diretor do Instituto do Futuro da Humanidade naquela instituição, a respeito dos riscos da inteligência artificial.

Um dos grandes questionamentos foi:

“Você sabia que a inteligência artificial é um dos riscos existenciais que podem levar a humanidade à extinção completa?”

Ora, no que se refere à educação eclesiológica nos seus múltiplos aspectos — doutrinários e éticos — não se pode fugir à constatação de que a Igreja cristã tem passado por uma verdadeira revolução, tanto sob o enfoque da “ortodoxia” quanto da “ortopraxia”.

Pois bem. Isso deve ser melhor explicado. Anote-se que o Regimento Interno da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira (RICBSDB), em seus arts. 56 e 57, preconiza que a IBSD terá em seus quadros de administração um Pastor responsável pela educação cristã abrangendo todas as faixas etárias.

Confira-se a dicção dos mencionados dispositivos regimentais:

“Art. 56 – A CBSDB tem um Departamento de Educação Cristã e Formação Teológica, responsável pelas diretrizes do ensino teológico, composto por um membro com experiência na área de educação ou teologia.

Art. 57 – Ao Departamento de Educação Cristã e Formação Teológica compete:

  1. viabilizar, funcional e eficientemente a prática educativas nas instituições de ensino teológico, ciadas e mantidas pela CBSDB;
  2. coordenar os projetos de formação e treinamento de Pastores e líderes;
  3. orientar o ensino teológico;
  4. preservar e enfatizar a unidade doutrinária, ética, teológica e filosófica do ensino cristão;
  5. aplicar na área da educação da CBSDB todos os princípios de fé por ela confessados e defendidos, de acordo com as Escrituras Sagradas;
  6. pronunciar-se sobre assuntos de sua competência, quando solicitado pelo Conselho Administrativo e/ou Diretoria Geral”.  

Não é ocioso lembrar que os arts. 91 a 98 do mesmo RICBSDB dispõem sobre a formação dos Pastores e dos candidatos ao ministério pastoral.

Ora, isso quer significar que o Pastor titular do Departamento de Educação envidará todos os esforços para que desde o pueril bebê da classe do “rol do berço”, até o mais vivido ancião de nossa igreja, seja alvo da sua preocupação, com o escopo de ver toda a igreja, nas mais diversas faixas etárias comprometida com as doutrinas e os ideais da fé bíblica proclamada pela Igreja Batista do Sétimo Dia.  

Com essa visão, não medimos esforços em buscar conselhos de outros pastores educadores (de nossa e de outras denominações evangélicas) para, junto com o Pastor Jarbas (Departamental de Educação Cristã), empreendermos a reformulação de nossos alvos de aprendizado, a começar pelo manual de estudos da Escola Bíblica Sabatina.

Anote-se que, conquanto os adventistas ensinem que a escola sabatina teve seu início em 1852, com Thiago (James) White, temos seguras informações de que a Escola Bíblica Sabatina é uma criação genuinamente batista do sétimo dia, datada de 1729.

Nesse cenário, desafiamos a toda a igreja a estudar com mais afinco as lições da escola bíblica sabatina. Estamos convencidos de que há temas mais difíceis. Contudo, nós os Pastores responsáveis pelo conteúdo dos temas estamos convictos da necessidade de um aprofundamento no aprendizado das Escrituras Sagradas.  

Assim, lançamos a sugestão de solidificar o hábito de modo que os estudos devocionais diários, antecedentes da lição da semana, sejam alvo de meditação matinal (ou vespertina, se preferirem). Mas, a lição da escola bíblica deverá ser estudada um pouco a cada dia e, por fim, no sábado, recapitulada com a classe na Igreja. De nossa parte, há o permanente esforço para apresentar os temas numa linguagem facilitada e acessível a todos. Entretanto, reconhecemos que em algumas situações, para além da oração e meditação reflexiva, é recomendável um dicionário que servirá como valioso auxílio à compreensão do texto.

Peço vênia, nesse passo, para expressar minha concordância com os professores (pedagogos, teólogos e filósofos) que, discorreram sobre o profeta Daniel, e sua integridade e coragem de fazer o que era certo, apesar das consequências.

Foi focando a estatura moral, intelectual e espiritual de Daniel em terras de exílio, que os servos de Deus, do “Ministério Pão Diário”, brindam-nos com a seguinte exortação:

“No passado, ainda que muitas pessoas tenham se afastado da sociedade, buscando isolamento cultural, outras se descobriram destinadas a mostrar que, nas mãos de Deus, uma vida pode provocar mudanças, mesmo cercado por uma cultura estranha.

Daniel viu sua nação assolada e sua vida desarraigada. Com um grupo de outros reféns judeus ele foi levado como cativo à Babilônia — uma cultura estrangeira, centenas de quilômetros distante de Jerusalém. Daniel experimentou o desafio de viver a sua fé em uma cultura dedicada a valores e prioridades muito diferentes dos seus. Enfrentou diversos desafios de fé diante de reis e, mesmo em um ambiente diferente do que que estava acostumado antes do cativeiro e com um estilo de vida totalmente contrário ao seu, ele manteve a sua pureza, integridade e humildade. Daniel percebeu que Deus abençoa a obediência. O Senhor lhe concedeu sabedoria, discernimento e força para que pudesse se destacar em diversos momentos de necessidade.

Vivemos num mundo semelhante ao da Babilônia, cercados por uma cultura que se transforma e que se deteriora constantemente. Mas é para esse mundo que somos chamados a ser o Daniel de nossa geração. Podemos nos moldar à nossa cultura ou usar as trevas como oportunidade para refletir a luz do nosso Deus.

A escolha é nossa! Como serviremos ao Senhor nesta geração? A coragem que Daniel teve para honrar a Deus é exemplo e legado maravilhoso para nós”.[1]

Com isso, concordamos com a salutar ideia de preservar as tradições, mas, estas, decerto, não podem ser confundidas com o tradicionalismo.

Foi precisamente, mirando esse viés interpretativo que o Pastor Charles R. Swindoll alertou: “Toda e qualquer pessoa que decidir alçar voo altaneiro e sublime, nas alturas luzentes e puras, bem acima da mediocridade, primeiramente precisa vencer o nevoeiro cerrado que se estende por todo o pântano da mesmice entediante. Não é incomum as águias terem que lutar pela sobrevivência.

Tenhamos muito cuidado ao identificar corretamente nosso adversário. Não é a tradição em si mesma; trata-se do tradicionalismo. O tipo certo de tradições fornece-nos raízes profundas — uma rede sólida de verdades confiáveis numa época em que tudo é descartável. Dentre tais tradições estão aquelas declarações e princípios fortes que nos amarram ao mastro da verdade, quando as tempestades da incerteza erguem ondas de mudanças amedrontadoras, sopradas pelos ventos da dúvida. Muitos desses princípios são essenciais: a crença na autoridade das Sagradas Escrituras, o conhecimento de Deus, o amor a Deus, o acatamento do senhorio de Jesus Cristo.

Há uma grande diferença entre tradição e tradicionalismo. Jaroslav Pelikan põe o dedo no âmago da questão: ‘Tradição é a fé viva daqueles que já morreram; tradicionalismo é a fé morta daqueles que hoje vivem’.

Por tradicionalismo quero chamar de modo especial àquela atitude que resiste à mudança, à adaptação ou alteração. É manter-se apegado a um costume ou comportamento que se conserva a força, e cegamente. É nutrir suspeitas contra o que é novo, moderno e diferente. Se você me permite mais uma definição, é preferir um sistema legalístico em vez da liberdade e renovação do Espírito — é estar mais interessado em guardar regras rígidas, de cunho humano, em vez de permanecer flexível, aberto à criatividade e à inovação”.[2]   

Antecipamos aos irmãos e irmãs, nesse ensejo, a meta de realizarmos, no próximo ano (2020), um encontro com todos os educadores batistas do sétimo dia, das mais diferentes áreas do magistério para discutirmos a educação em nossa Igreja.

Pois bem, amada igreja, empenhados em fomentar uma transformação com avanço sustentável, vale dizer, equilibrado, estamos buscando sempre uma maior conectividade da irmandade com a realidade dos dias atuais. Obviamente, isso deve ocorrer sem perder de vista nossa origem como Igreja, além da certeza, nos dizeres do Pastor Doutor Herbert Saunders, de que somos depositários de uma “verdade inegociável”.

Deus nos abençoe!

 

Bernardino de Vargas Sobrinho

Pastor Geral — Presidente da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira

 

 


[1] Extraído e adaptado do livro “Sucesso ou fracasso — uma jornada de fé no mundo moderno”. Publicações Pão Diário, 2010, Agenda Executiva Permanente.

[2] SWINDOLL, Charles R. Como Viver Acima da Mediocridade, 2ª ed., 3ª reimpressão. Belo Horizonte (Venda Nova/MG): Editora Vida, 1994, pp. 156/157.

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