Milhões de bebês são abortados todos os anos no mundo todo. Os cristãos opõem-se a essa prática, por entenderem que toda a vida é sagrada, mesmo aquela que ainda está no útero de sua mãe (Salmos 139:16), e que retirar uma vida inocente é uma violação da Lei Moral de Deus, que condena o assassinato (Êxodo 20:13).

Apesar disso, muitos defensores do aborto (chamados de ‘pró-escolha’) argumentam que não há nada de errado no aborto, pois dizem que o embrião não está vivo; outros argumentam que está vivo, mas que não é um ser humano (é apenas ‘potencialmente humano’); outros ainda argumentam que o embrião só se torna um ser humano após o terceiro mês de gestação, com o desenvolvimento do sistema nervoso, e o aborto deveria ser permitido antes disso.

Alguns ainda discutem que em muitas situações o aborto é a melhor solução para a mãe, que só teria maiores problemas com o nascimento da criança. Seriam legítimas tais considerações? Ao longo desse artigo, vamos analisar 30 razões, de cunho científico e social, para você repensar a questão do aborto.

  1. No momento em que um espermatozóide penetra no óvulo, uma nova entidade entra em existência. ‘Zigoto’ é o nome desta primeira célula, formada na concepção, o estágio inicial de desenvolvimento do embrião humano, seguido dos estágios da ‘mórula’ e do ‘blastocisto’.
  2. O zigoto é composto de DNA humano e outras moléculas humanas, por isso a sua natureza é inegavelmente humana e não meramente ‘potencialmente’ humana.
  3. O DNA do zigoto apresenta um ‘projeto’ completo, guiando não apenas o desenvolvimento inicial, mas até mesmo atributos hereditários que aparecerão na infância e na idade adulta, desde a cor do cabelo e dos olhos até traços de personalidade.
  4. Não há dúvidas de que o embrião humano é biologicamente vivo. Cumpre os quatro critérios necessários para se estabelecer a vida biológica: metabolismo, crescimento, reação a estímulos e reprodução.
  5. O zigoto age imediata e decisivamente para iniciar um programa de desenvolvimento que, se não for interrompido por acidente, doença ou intervenção externa, prosseguirá pelo nascimento, infância, adolescência, maturidade e envelhecimento, terminando com a morte. Esse comportamento coordenado é a marca registrada de um organismo.
  6. Enquanto uma mera coleção de células humanas pode executar atividades da vida celular, ela não exibirá interações coordenadas em direção a níveis mais elevados de organização. Conforme Maureen L. Condic, Ph.D., professora associada de Neurobiologia e Anatomia na University of Utah, School of Medicine, ‘Embriões não são mera coleção de células humanas, mas seres vivos com todas as propriedades que definem um organismo como independente em relação a um grupo de células. Os embriões são capazes de crescer, amadurecer, manter um equilíbrio fisiológico entre os diversos sistemas de órgãos, adaptando-se a novas circunstâncias e reparando as feridas. Meros grupos de células não fazem isso em qualquer circunstância.’
  7. O período embrionário propriamente dito, ou período de organogênese, vai da terceira à oitava semana de desenvolvimento e é o período em que cada um dos folhetos germinativos (ectoderma, mesoderma e endoderma) dá origem a vários tecidos e órgãos específicos.
  8. O sistema cardiovascular é o primeiro sistema principal a funcionar. Cerca de 22 dias após a concepção, o coração da criança começa a circular seu próprio sangue e sua pulsação já pode ser detectada em ultrassom.
  9. O sistema nervoso inicia sua formação por volta da terceira semana de desenvolvimento embrionário e se estende por toda a gestação. Ao final da oitava semana, a estrutura básica do sistema nervoso está formada em um embrião com 1,6 cm de comprimento.
  10. Com quatro semanas de vida, inicia-se o desenvolvimento muscular, com brotos de braços e pernas visíveis. As células neocorticais aparecem.
  11. Com apenas seis semanas, os olhos e pálpebras, nariz, boca e língua se formam.
  12. Atividade cerebral elétrica pode ser detectada em seis ou sete semanas de vida.
  13. Dez semanas após a concepção, a criança pode realizar movimentos corporais. Todas as partes do corpo são sensíveis ao toque; o bebê pode engolir, apertar os olhos, franzir a testa e enrugar a sobrancelha.
  14. A medicina também confirma a existência da criança antes do nascimento como uma pessoa humana distinta. A cirurgia fetal tornou-se uma especialidade médica e inclui a provisão separada de anestesia para o bebê. Alguns exemplos de cirurgias realizadas em crianças antes do nascimento realizam desvios para contornar um trato urinário obstruído, remoção de tumores na base do cóccix e tratamento de cardiopatias congênitas.
  15. O aborto é uma forma de discriminação. Crianças não nascidas são privadas da vida - o direito mais básico de todos - simplesmente com base em sua localização (o ventre de sua mãe) e seu status de desenvolvimento.
  16. Qualquer método contraceptivo pode falhar. O melhor planejamento pode desmoronar. Mas a responsabilidade não deve ser evitada às custas da vida de uma criança inocente.
  17. As consequências do aborto jamais poderão ser apagadas. O aborto retira a vida de um ser humano inocente. O tempo não apaga nem atenua a realidade. Essa escolha permanece para sempre.
  18. O aborto apresenta uma série de danos às mulheres, nos aspectos físico, mental, emocional e relacional.
  19. Possíveis complicações ou riscos do aborto com qualquer método incluem: aborto incompleto que pode necessitar de aborto cirúrgico, infecção do útero, sangramento excessivo, colo do útero rasgado, infecção das tubas uterinas, útero perfurado, coágulos sanguíneos no útero, reação à anestesia e infertilidade (no caso de curetagem).
  20. O aborto induzido antes de 32 semanas de gestação aumenta a probabilidade de uma mulher desenvolver câncer de mama. Este risco é especialmente aumentado para adolescentes. Estudos epidemiológicos dos Estados Unidos, China, Índia e Romênia demonstram uma incidência crescente de câncer de mama com o aumento do número de abortos.
  21. Mulheres que passaram por um aborto têm um risco 81% maior de problemas de saúde mental subsequentes em comparação com mulheres que não fizeram um aborto. Ter um aborto não é melhor para a saúde mental da mulher do que dar à luz uma criança ‘não planejada’ (e, portanto, para a mentalidade de alguns, ‘indesejada’).
  22. Muitas mulheres que abortam apenas para convencer um homem a ficar com elas descobrem que são deixadas sozinhas, logo após o aborto. O aborto nunca é o caminho para um relacionamento bem-sucedido e amoroso.
  23. Nos últimos 25 anos, o Instituto Guttmacher conduziu dois grandes estudos estatísticos relacionados às motivações do aborto: apenas 7% das mulheres relataram que o aborto ocorreu devido a um motivo de saúde com elas ou com o bebê, e menos de meio por cento (0,5%) relataram que seu aborto foi porque ficaram grávidas como resultado de estupro. Esses dados vêm do próprio grupo de pesquisa ligado à indústria do aborto.
  24. Restringir o aborto não causa um aumento nas mortes das mulheres. O American Journal of Obstetrics and Gynecology , em 26 de março 2010, admite que a legalização do aborto não teve ‘maior impacto em [reduzir] o número de mulheres que morrem devido a um aborto nos Estados Unidos... o aborto legal é agora a principal causa de mortes maternas relacionadas com o aborto nos Estados Unidos.’
  25. Apesar de suas rígidas restrições ao aborto, a Irlanda tem a menor taxa de mortalidade materna do mundo, de acordo com um estudo feito por várias agências das Nações Unidas.
  26. Malta também tem limitações substanciais ao aborto e ainda tem uma das menores taxas de mortalidade materna do mundo, menor do que a dos Estados Unidos.
  27. Dados compilados por agências do governo polonês apresentaram uma redução acentuada nas mortes maternas desde que o aborto deixou de ser legal.
  28. Após o aborto tornar-se ilegal, em 1989, a taxa de mortalidade materna reduziu em 69,2% no Chile.
  29. Nenhuma pessoa com compaixão deseja que uma mulher sofra com a tragédia pessoal do aborto, seja realizado de forma legal ou ilegal. Como a organização ‘Feminists for Life’ (Feministas Pró-Vida) afirma, as mulheres merecem algo MELHOR do que o aborto. O moderno movimento pró-escolha está desesperado para proteger a imagem do aborto como positiva e pró-mulher, mas o aborto é um reflexo de que a sociedade não conseguiu atender às necessidades das mulheres. Mulheres e crianças não são ‘inimigos naturais’. Ser pró-vida é abraçar os princípios da não-violência e justiça igual para todos - os verdadeiros pilares do feminismo anunciados pelas primeiras feministas da América.
  30. Não é necessário assumir posicionamentos religiosos para perceber a relevância de tais argumentos. Organizações formadas por ateus e agnósticos, como a ‘Secular Pro-Life’ e a ‘Pro-Life Humanists’, são pró-vida. O falecido jornalista ateu Christopher Hitchens, em seu livro ‘God is not great’, defendeu que o embrião é uma entidade separada do corpo de sua mãe e com direito à vida: ‘Costumava haver feministas que diriam que [o embrião] era mais como um apêndice ou mesmo - isso foi seriamente mantido - um tumor. Esse absurdo parece ter parado. … As palavras ‘criança não nascida’, mesmo quando usadas de maneira politizada, descrevem uma realidade material.’ (pág. 220-221)


Este texto não pretende ser uma condenação àquelas pessoas que já se submeteram ou participaram de quaisquer atividades relacionadas ao aborto, mas trazer à tona alguns fatos sobre a questão. Não importa que tipo de más ações já tenhamos cometido, todas elas podem ser esquecidas e perdoadas em Cristo (Romanos 8:1) e o começo de uma nova vida é possível hoje mesmo (2 Coríntios 5:17).

REFERÊNCIAS

Campbell, N. et al. Biologia. 8 ed. Artmed, 2010.

Coleman, P. K. Abortion and mental health: quantitative synthesis and analysis of research published 1995-2009. The British Journal of Psychiatry, v. 199, n. 3, p. 180-186, 2011.

Johnson, R; Chien, F; Bleyer, A. Incidence of breast cancer with distant involvement among women in the United States, 1976 to 2009. JAMA, v. 309, n. 8, p. 800-805, 2013.

Ruse, C. R.; Schwarzwalder, R. The Best Pro-Life Arguments for Secular Audiences. Family Research Council, 2011.

Sadler, T. W. Langman Embriologia Médica. 12 ed. Guanabara Koogan, 2013.

South Dakota Departament of Health. Induced Abortion Methods & Risks. Disponível em: <https://doh.sd.gov/abor…/induced-abortion-methods-risks.aspx>.

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