No dia 20 de abril, em Paris, na França, um carro parou perto de um veículo policial na área central da cidade, que atrai milhares de turistas. Um homem saiu do carro atirando na avenida, o que resultou em um policial morto e dois gravemente feridos. O atirador foi morto logo em seguida.

Em 22 de maio, um ataque no Reino Unido deixou 22 mortos em Manchester, ao final de um show da cantora americana Ariana Grande, quando um jovem britânico de origem líbia detonou a si mesmo. Em 3 de junho, dois ataques terroristas em Londres deixaram 7 mortos e pelo menos 48 feridos.

Na última quinta-feira, 17 de agosto de 2017, o motorista de uma van matou 13 pessoas e deixou mais de 100 feridos em Barcelona na Espanha. O marroquino Younes Abouyaaqoub, suspeito de ter sido o motorista, ainda esfaqueou e assassinou outro homem horas após o ataque.

A autoria desses ataques tem sido reivindicada por extremistas islâmicos. Estes grupos terroristas muçulmanos objetivam a implantação de um governo sob o comando de um líder supremo, o califa, que acreditam ser o sucessor do profeta Maomé, e a imposição da sharia, seu código de leis.

Com todos esses ataques, as pessoas têm se sentido cada vez mais inseguras e vulneráveis. Nunca se sabe onde e quando será o próximo atentado. A quem podemos responsabilizar?

Em sua obra Deus, um delírio, o biólogo e escritor ateu Richard Dawkins acredita que a raiz de todo o mal que já se infligiu sobre a humanidade está na religião. Ele equipara o Islamismo ao Cristianismo, citando as mortes causadas pelas Cruzadas e pela Inquisição, apontando que não existem diferenças profundas entre essas duas religiões. O ódio e o fundamentalismo cego é o que estão por trás de todos os sistemas religiosos. Será assim mesmo?

Convém fazermos nesse momento alguns contrastes entre ambas as religiões, Islamismo e Cristianismo. Como surgiram e o que, de fato, ensinam?

O Islamismo surgiu no século VII depois de Cristo. Conforme creem os seus adeptos, chamados de muçulmanos, Maomé (ou Mohammad) foi chamado na Arábia por Alá, o deus único, como o último de uma longa linhagem de profetas, para corrigir as interpretações corrompidas do Judaísmo e do Cristianismo. Sendo perseguido em Meca, sua cidade natal, fugiu para Medina, um evento que marca o início do calendário islâmico. Lá, ele se tornou um líder espiritual, político e também militar. As revelações que Deus lhe teria feito foram assentadas por escrito no livro conhecido como Corão ou Alcorão.

Comandando um exército de quase 10 mil homens, Maomé retornou e conquistou a cidade de Meca, ordenando a destruição de todos os ídolos religiosos e proclamou o Islã (que significa “submissão”) como a religião dos árabes. Em poucas décadas, os muçulmanos ocuparam uma extensão de terra comparável ao império romano em seu auge. O avanço nas terras vizinhas foi ainda mais avassalador e sangrento durante o reinado de Omar, o califa seguinte.

O Cristianismo surgiu a partir dos ensinamentos de Jesus Cristo. Cumprindo centenas de profecias escritas séculos antes de sua vinda nas Escrituras Hebraicas, os cristãos creem que Deus se fez homem na pessoa Jesus, nascendo como judeu em uma pequena vila hebraica, iniciando aos 30 anos um ministério de ensino, pregação e cura. Jesus entregou sua própria vida na cruz, a fim de que os homens pudessem desfrutar do perdão de seus pecados e de um novo relacionamento com Deus. Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou dos mortos e encarregou os seus discípulos de proclamarem essas boas novas da salvação a todo o mundo, como um testemunho a todas as nações (Mateus 28:18-20).

Nos primeiros três séculos de existência da Igreja, o Cristianismo floresceu e se espalhou por todo o mundo. O sociólogo e historiador Rodney Stark, em sua obra The Rise of Christianity, estima que o Cristianismo passou de cerca de 1000 seguidores no ano 40 d.C., para mais de 6 milhões no ano 300 d.C., e mais de 33 milhões em 350 d.C. Mesmo sendo odiados, traídos, perseguidos e mortos, os cristãos fizeram de tudo para que os outros conhecessem sobre o amor de Deus conforme revelado pela vida, ministério e morte de Cristo. Em poucas décadas, a Igreja havia saído das circunscrições de Jerusalém e se expandido até Roma, atraindo discípulos até na corte imperial.

Infelizmente, quando o Cristianismo foi reconhecido como entidade legítima, e mesmo favorecida pelo império, iniciou-se um processo de corrupção interna, tanto doutrinária quanto política, o que levou às famosas Cruzadas e à Inquisição, onde pela força buscava-se espalhar o domínio da Igreja e impor as suas visões sobre os dissidentes. Contudo, Deus sempre teve servos que se mantiveram fiéis a Cristo e às Escrituras. Homens como Pedro Waldo, Savonarola, John Hus, Wycliffe e Tyndale adornam a história do Cristianismo como pilares em defesa da verdade.

Que diferença há então entre o Islamismo e o Cristianismo? A questão fundamental é: quando um muçulmano mata a outros em nome de sua fé, ele não está fazendo nada de incoerente com o exemplo do próprio fundador de sua religião. Quando um cristão faz o mesmo, ele está fazendo o exato oposto do exemplo e mandato de Cristo! Um muçulmano que impõe a sua fé aos outros é coerente, ao passo que um cristão que força aos outros a sua fé, está sendo incoerente com a própria fé que professa! Isso faz toda a diferença. Para comprovar isso, analisemos alguns dos textos do Novo Testamento, juntamente com alguns dos textos do Alcorão, contrastando os ensinos de Cristo e de Maomé.

Novo Testamento

“‘Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’ Respondeu Jesus: ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.’”

Mateus 22:36-40

“O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.”

João 15:12-13

“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.”

João 13:34-35

“Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra."

João 8:7

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

Lucas 23:34

“Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve.”

Mateus 11:28-30

Alcorão

“Matai-os onde quer se os encontreis. E expulsai-os de onde vos expulsaram. O erro é pior do que a matança. ... Combatei-os até que não haja mais idolatria e prevaleça a religião de Deus.” (2:191)

“... quanto àqueles que... sofreram pela Minha causa, combateram e foram mortos, absorvê-los-ei dos seus pecados e os introduzirei em jardins, abaixo dos quais corres os rios, como recompensa de Deus.” (3:195)

“Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Deus. Porém, se se rebelarem, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor.” (4:89)

“O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.” (5:36)

“Mas quanto os meses sagrados houverem transcorrido, matai os idólatras, onde quer que os acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os; porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho. Sabei que Alá é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (9:5)

“Em verdade, Deus aprecia aqueles que combatem, em fileiras, por Sua causa, como se fossem uma sólida muralha.” (61:4)

Embora muitos apologistas muçulmanos argumentem que a jihad ensinada pelo Islamismo é na verdade uma expansão pacífica de sua fé e que os atentados terroristas são realizados por pessoas que estão desfigurando o verdadeiro Islã, uma olhada no “Mapa da Perseguição”, produzido pela ONG Portas Abertas, revela que dos 50 países do mundo em que se encontram os mais elevados índices de perseguição aos cristãos, 37 são países de maioria islâmica. [1]

“A todos é permitido converterem-se ao Islã, mas a ninguém é permitido deixar o Islã por outra fé. Os cristãos convertidos do Islã nos dias de hoje enfrentam desapropriação de bens, perda da guarda dos filhos, aprisionamento, banimento de seu país natal ou mesmo a morte. Aqueles que deixam o Islã são considerados não apenas traidores de sua fé, mas também de seu país, no caso de viverem em um país muçulmano.” [2]

A propósito, o próprio Richard Dawkins repensou suas opiniões. Em 2016, declarou que “não há cristãos, pelo menos que eu saiba, explodindo edifícios. Não tenho conhecimento de quaisquer ataques suicidas dos cristãos. Não tenho conhecimento de qualquer grande denominação cristã que acredita na pena de morte por apostasia” e “o Cristianismo pode realmente ser a nossa melhor defesa contra as formas aberrantes de religião que ameaçam o mundo.” [3]

Esse texto não tem a pretensão de ser um ataque aos muçulmanos, e sim apontar as pressuposições por trás de suas ações. Os cristãos devem saber que os muçulmanos são pessoas por quem Cristo morreu, e de fato, cada vez mais muçulmanos têm abandonado o Islã para seguirem ao Senhor Jesus, enfrentando rejeição familiar e perseguição. Mosab Hassam Yousef, um palestino filho de um dos fundadores do grupo islâmico Hamas, abandonou tudo para seguir a Jesus.

“Converti-me ao cristianismo porque fui convencido por Jesus Cristo como um personagem, como uma personalidade. Eu o amei, amei sua sabedoria, seu amor, seu amor incondicional. Não deixei a religião [islâmica] para me colocar de volta em uma outra rígida estrutura religiosa. Ao mesmo tempo, é bonito ver que o meu Deus existe em minha vida e vê a mudança em mim. Percebo que, quando ele existir em outras pessoas do Oriente Médio, haverá mudanças.” [4]

Devemos estar preparados para orar por essas pessoas, amá-las e conhecer ainda mais profundamente nossa fé, para que estejamos preparados para dar a todo aquele que nos pedir a razão de nossa esperança (1 Pedro 3:15).

Referências

[1] Perfil de Países. Disponível em: <https://www.portasabertas.org.br/listamundial/perfil>

[2] Donald S. Tingle, Islamismo e Cristianismo, p. 25.

[3] Escritor ateu reconhece que o cristianismo é a “melhor defesa contra o Islã radical”. Disponível em: <https://guiame.com.br/gospel/noticias/escritor-ateu-reconhece-que-o-cristianismo-e-melhor-defesa-contra-o-isla-radical.html>

[4] Filho do Hamas: Os islâmicos precisam ser libertos de seu deus. Disponível em: < http://www.chamada.com.br/mensagens/filho_do_hamas.html>

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