Portanto, irmãos, estamos em dívida, não para com a carne, para vivermos sujeitos a ela. Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão, porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: "Aba, Pai".

Romanos 8:12-15

Na minha infância sempre questionei os assuntos da natureza, pois queria entender o porquê de tanta beleza - como as grandes árvores brotavam a partir de pequenas sementes, por exemplo. Eu muitas vezes ficava imaginando a vida embaixo da terra, naquele processo de germinação. Jogava sementes no quintal de casa esperando ansiosamente que um pé de laranja, maçã ou de melancia brotassem.

Com o tempo aprendi que para as plantas crescerem, muitas condições precisam ser favoráveis: o clima, o solo, a chuva, o sol, os nutrientes, etc. A semente possui uma estrutura básica: tegumento, radícula e embrião. Inicialmente o tegumento ou casca é imprescindível para a manutenção da vida do embrião, onde está contido o material genético da planta. Porém, para que o embrião germine, é necessário que essa casca seja rompida. Em grande parte dos casos, esse rompimento acontece quando a semente entra em contato com a água ou com uma grande umidade. O primeiro broto que emerge da semente é chamado radícula. Após o rompimento da casca a natureza divina se encarrega de nutrir e fazer crescer a planta, que se tornará uma árvore frutífera ou não, dependendo do propósito para o qual fora criada - nós fomos criadas para produzirmos muitos frutos.

Romanos 8 nos ensina a respeito da nova vida debaixo da graça. Em Cristo, Deus fez o que a lei não podia fazer (3-4). Jesus veio na carne para fazer o que a lei não fez por causa da fraqueza da carne. Deus, através de Jesus, condenou o pecado. Assim ele cumpre o propósito da lei em nós. A lei era oposta ao pecado (o condenou), mas não venceu o pecado. As pessoas sujeitas à lei ainda andavam na carne, sujeitas à morte. Em Jesus, Deus condenou e venceu o pecado. Aqueles que participam dessa vitória andam segundo o Espírito, não segundo a carne.

Entender o processo de germinação das plantas é também entender o nosso processo de “germinação” espiritual, de forma análoga, é claro. A obra de Cristo rompeu nossa casca, a casca do pecado e da morte; da fraqueza da carne; da condenação. Essa obra é definitiva e conclusiva para nossa nova vida no Espírito. Como deve ser, portanto, esse novo processo após o rompimento da casca?

Os que vivem segundo o Espírito pensam nas coisas do Espírito (vs. 5)

Após o rompimento da casca, emergimos para a vida debaixo da graça. Sabiamente o apóstolo Paulo instrui a respeito da mentalidade do cristão. O que pensamos é um ensaio para nossas ações. Nós mulheres pensamos muito e repetidas vezes sobre as mesmas coisas, não é verdade? Nossa tendência é interiorizar o que observamos no mundo, no movimento natural da vida, e em seguida, exteriorizar. É por isso que temos a fama de que “falamos demais”, obviamente, porque pensamos bastante. Mas, pensar bastante não significa que estamos nos elevando intelectual ou espiritualmente, na verdade, devemos ponderar a respeito da qualidade e finalidade de nossos pensamentos.

A Palavra de Deus nos instrui a pensar nas coisas do Espírito; “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8). Do contrário, o que será germinado? Vamos pelo caminho inverso e analisemos: se pensarmos em tudo o que é falso, desonesto, injusto, impuro, odioso, de má fama, sem virtude ou louvor... Sobre o que falaremos e que aspectos terão nossas ações? Logicamente, exteriorizaremos falsidade, desonestidade, injustiças, impurezas. Isso é o que será germinado, e emergirá o broto ou a radícula de pensamentos da carne que levam à morte. “Pois a mentalidade da carne é morte; mas a mentalidade do Espírito é vida e paz”. Lembre-se da semente. E lembre-se da obra de Cristo, que rompeu nossa casca. Devemos viver uma nova vida. E devemos pensar sobre as coisas lá do alto.

“Os que vivem na carne não podem agradar a Deus”. (vs. 8)

. O nosso propósito existencial é viver para o louvor da glória de Deus. Qualquer outra intenção e razão destoam do que Deus pensou e preparou para nós. Nossa nova vida, essencialmente, deve ser agradável a Deus, pois “não estamos sob o domínio da carne, mas do Espírito” (vs. 9).

Eu sempre estive à procura do entendimento da perfeita vontade de Deus. Ao longo dos anos comecei a me perguntar o que significava ser cristão e qual seria a Sua vontade para mim. Eu sabia que Deus tinha um propósito, já florescido muito antes de eu nascer (Efésios 2:10). Mas eu me senti muitas vezes iludida, como se isso estivesse longe dos olhos e fora de alcance. Quando eu estava pensando em cursos para fazer, quais oportunidades aceitar e em qual direção deveria seguir, eu regularmente desejava que Deus fosse mais claro e mais franco sobre o que Ele queria que eu fizesse naquele momento em particular.

Talvez você esteja se perguntando a mesma coisa. De um jeito ou de outro, você sente como se estivesse apenas vagando, dando voltas sem rumo por semanas e meses e andando por aí com um enorme ponto de interrogação flutuando sobre sua cabeça. Você quer fazer a vontade dele, mas não sabe ao certo que vontade é essa. Primeiro, não temos um Deus omisso. Ele não nos omitiu sua vontade. Enquanto algumas coisas que Ele reservou para você e para mim ainda não são conhecidas, outras ele expressou clara e explicitamente: “Ele te declarou, ó mulher*, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8). 1. Pratique a justiça; 2. Ame a misericórdia; 3. Ande humildemente com o seu Deus. Claro que há muito mais a ser desenvolvido por nós, mas agora você já sabe o que ele te pede, pois ele ‘te declarou’. Os que vivem na carne não podem agradar a Deus.

Então irmã, eu pergunto: você está fazendo isso? Você está deliberadamente consciente e decidida a responder ao que você tem certeza que Deus lhe pediu para fazer? Está disposta e decidida a viver fora da casca uma vida que agrade a Deus?

Uma mulher decidida a praticar a justiça não se aproveita das pessoas, mesmo que ela tenha os meios e a oportunidade para fazê-lo. Você luta por justiça ou apenas por si mesma?

Só os que vivem pelo Espírito estarão sensíveis e inclinados ao compromisso de obedecer a Deus. Você já saiu da casca? Se sim, então não viva como se ainda estivesse envolta pelo pecado. E se, ainda vive sob a casca, hoje é o dia propício para germinar! Aceite a obra de Cristo! Permita que ele rompa o tegumento.

Uma mulher decidida a exercer o amor pela misericórdia tem um interesse sincero em fazer coisas que abençoem e impactem positivamente a vida de outras pessoas. Isso significa pensar nas necessidades dos outros acima de suas próprias carências, não apenas porque eles mereçam isso, mas simplesmente porque você ama fazer isso por eles. O que seu coeficiente de misericórdia revela sobre o seu relacionamento com Deus? Você apenas oferece aquilo que as pessoas merecem? Se você já saiu da casca, não viva como se ainda estivesse envolta pelo pecado.

Uma mulher decidida a andar humildemente é aquela que soube aliançar a justiça com a misericórdia. Ela apenas segue a vontade de Deus, confiando diária e fielmente que, o que Ele disse e ordenou merece o seu melhor empenho.

O rompimento da casca é o início da vida. A partir desse estágio iniciam outros mais que deverão ser vividos de acordo com as orientações de Deus, o nosso agricultor. Ele sabe das fases e dos processos. Dos nutrientes e dos recursos dos quais precisamos para crescermos. Já emergimos para a vida, através de Cristo, mas devemos continuar e crescer até chegarmos ao tamanho e condições perfeitas para produzirmos muitos e muitos frutos.

Perguntas para reflexão

  1. Você já passou pelo processo de rompimento da casca? Se sim, o que Deus espera de você? Se não, o que lhe impede de aceitar essa graça?
  2. Após o rompimento da casca, você se acomodou ou tem se empenhando e permitido o agir do Espírito em sua vida?
  3. Onde estão os seus pensamentos? Se você pudesse qualificá-los, como eles seriam? Releia Filipenses 4:8.
  4. Porque os que vivem na carne não podem agradar a Deus? E do contrário, como viver para agradá-lo de acordo com Miquéias 6:8?
  5. Analise sua vida e pense na justiça, misericórdia e no andar humildemente com Deus. Em quais situações tais procedimentos são requeridos? E em quais você já falhou?

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