Situações que parecem um deserto, que parecem ser o fim, que parecem não haver mais chances, para as quais, racionalmente, não há solução, em situações que causamos ou não, a “pancada” inicial geralmente vem acompanhada de desesperança. Lutamos, procuramos entender os “porquês”, planejamos estratégias e métodos para sairmos daquela situação, mas não conseguimos e nos frustramos, nos angustiamos.

A boa notícia é que não é a nossa força humana ou estratégias que irão resolver, mas o fato de Deus estar à frente de tudo é que podemos descansar na certeza de que Ele está verdadeiramente no controle. Parece algo clichê que estamos acostumados a ouvir, que pode parecer não fazer efeito algum na hora da dor profunda, mas será que inserimos isso, de fato, em nosso coração?

Em Jesus há compaixão e onipotência, Ele sente as nossas dores e age com poder verdadeiramente. Lendo o evangelho de Marcos no capítulo 5, a partir do versículo 22, vemos o centurião Jairo rogando a Jesus para que curasse sua filha que estava à beira da morte; nesse meio tempo surge a mulher do fluxo de sangue no meio da multidão e toca nas vestes de Jesus e Ele a cura dando-lhe a atenção que ninguém a dava e a chamando de filha com compaixão; quando Jesus volta para a questão de Jairo, chega a notícia da morte de sua filha, e não há outra motivação que não seja a compaixão de Cristo na situação para que ele diga a Jairo: “NÃO TENHA MEDO, TÃO SOMENTE CREIA” (versículo 36). Essa fala ecoa em nossos corações e deve ser sempre lembrada!

Jesus restaurou na mulher do fluxo de sangue não somente a sua saúde física, mas fez-Se conhecido a ela, restaurou sua vida por completo, reinseriu-a na sociedade e concedeu-lhe esperanças; com Jairo, Ele não somente ressuscitou a sua filha, mas mostrou-lhe que é o Deus do impossível, fortaleceu sua fé, fez-Se conhecido e assim, restaurou-lhe a esperança. Em tantos outros diversos relatos sobre a vida de Jesus nos evangelhos, podemos perceber que Cristo Se compadece das pessoas, sabe dos seus problemas. Porém não cura o emocional ou a doença somente, Jesus restaura por completo, em todas as áreas da vida, para que Ele seja conhecido e a esperança não seja o objetivo, mas apenas a boa consequência de conhecê-lO. Assim Ele faz conosco.

Creia que o Senhor se importa com você em meio à multidão, sente sua dor, vê suas lágrimas e sente, sim, compaixão! O amor de Deus conforta os desesperançosos, e é isso que devemos sempre recordar (Lamentações 3:21)1: todo o cuidado do Senhor com todos nós que somos seus filhos; por mais difícil que seja a situação, Deus não deixa de mostrar amor a Seu povo arrependido. Deparamo-nos com “desertos” em nossa vida para que sejamos moldados, firmados no Senhor e passemos a buscá-lO, não para obtermos satisfações materiais, sentimentais, emocionais ou esperanças, mas O buscarmos por quem Ele é. A tribulação é importante e o foco não está nas circunstâncias, mas no que Cristo fez por nós na cruz:

  E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.    

Romanos 5:3-6

Deus não está aqui para atender as demandas do aqui e agora, Ele não vem apenas para operar milagres em nosso favor, somente para satisfazer nossos desejos e necessidades, o Senhor enxerga uma necessidade muito maior que muitas vezes não enxergamos: a restauração da nossa vida por completo, tornando-a plena e satisfeita nEle, a restauração completa para que possamos desfrutar sem nenhum empecilho de sua doce e maravilhosa presença. Desfrutar da luz que vem de Cristo.

Quando parece que é o fim, mas nos apresentamos com o coração contrito diante dEle, Deus vem com uma chance, Cristo JAMAIS rejeita quem se aproxima dEle (João 6:37). Parecia que seria o fim da humanidade quando o pecado passou a ser parte de nossa natureza, pois o fim de todo aquele que persiste no pecado é a destruição, a morte, mas o que pode ser maior do que a providência de vida concedida a nós por Jesus Cristo na cruz? Que esperança é maior do que essa? Nós merecíamos a morte, mas para que não morrêssemos por causa de nossos pecados, Ele morreu em nosso lugar para que a morte não tivesse mais domínio sobre nós; nada adiantaria se um pecador morresse na cruz, seria mais uma morte “qualquer”, precisou ser Aquele que é perfeito e sem pecado se entregando à morte em nosso lugar; todavia Ele também ressuscitou para mostrar que é poderoso, que é Deus e se relacionar conosco. Apeguemo-nos a essa esperança: lembremo-nos dessa prova de poder, compaixão, misericórdia e amor.

Mas não é sobre nós, não é para nós, é tudo para a glória de Cristo Jesus; e por que não ser para a glória dEle, de um Deus que é a própria bondade, misericórdia e amor? Por que não ser para a glória dEle depois de tamanha demonstração de amor na cruz do calvário? Jesus não foi um mártir, mas o Cordeiro Santo que tirou o pecado do mundo. Saber e compreender isso é maravilhoso, mas sabemos muito pouco sobre esse Deus tão sublime. Se não sabemos direito quem é Deus, se não O conhecemos, se não buscamos conhecê-lO, de onde poderá vir a esperança?

 Em ti confiarão os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, nunca desamparaste os que te buscam.    

Salmos 9:10

Quantas vezes para obtermos esperanças e entendermos o que está acontecendo, entendermos o “deserto”, a luta, a dor e o vazio, enchemo-nos de “porquês”, questionamos a Deus (nem sempre com revolta), como se tivéssemos o direito de questionar Seus feitos. Devemos confiar em Deus de todo o nosso coração e não nos apoiarmos em nosso próprio entendimento (Provérbios 3:5), ou seja, o plano final (e até do meio do caminho) é muito maior do que a realidade momentânea que estamos enxergando.

A partir do capítulo 38 do livro de Jó, Deus faz várias perguntas a Jó sobre a complexidade de todos os Seus feitos, Sua criação, Suas vontades, Suas maravilhas, e Jó percebe como conhece pouquíssimo a respeito de Deus e Sua majestade, mas se quebranta diante de tamanha maravilha, majestade e Senhorio, dizendo: meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito, mas agora os meus olhos Te viram, por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza (Jó 42:5-6). A vida de Jó demonstra que sua esperança estava em Deus e não na saúde, satisfações, livramentos, bens, conforto emocional que Deus poderia lhe proporcionar, e essa esperança se firmou quando Jó passou a conhecer verdadeiramente a Deus.

 Ele é um Deus que, ainda que Majestoso e Rei, se preocupa com tudo o que nos acontece     

Salmos 113:5-6

Continuamos a viver a vida sem saber numerosas outras questões, mas uma certeza temos: não podemos viver sem Cristo. A esperança não é sobre o que temos ou podemos ter nesta terra (seja questão material ou não), mas sobre contemplar e se maravilhar com a majestade da Glória de Deus. Tudo começa com a experiência de amar a Deus, com amar a Deus sobre todas as coisas (Marcos 12:33; Mateus 6:33), os olhos focados nEle e não no que Ele pode fazer por nós. Assim, ao contemplar as maravilhas dEle nascerá em nós a esperança.

 Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.    

Hebreus 10:23

Não existe outra maneira melhor de ter esperança no momento de aflição, dor, incerteza, medo ou vazio do que conhecendo e se dedicando a conhecer o Deus da esperança, o único e verdadeiro Senhor, Jesus Cristo. Quando nos aprofundamos em conhecer uma pessoa que consideramos boa, e cada vez que aprofundamos a amizade ou o relacionamento e descobrimos mais virtudes nessa pessoa, passamos a amá-la, passamos a solidificar o que sentimos por ela, não é? Quanto mais Deus que é perfeito e é Aquele que colocou em nós todas as virtudes que possuímos.

Portanto, a melhor maneira de conhecer esse Deus é por meio da Bíblia. Muitos cristãos se veem desesperançosos e falhando na fé porque dão mais valor às orações e à comunhão com os irmãos, mas essas importantíssimas práticas não podem prescindir da meditação e estudo da Palavra, pois é o próprio Deus falando conosco, Ele mesmo ressalta a importância de Sua Palavra (Oséias 4:6; Salmos 1:2; Josué 1:8; Hebreus 4:12 etc). Conhecê-lO nos leva a amá-lO e, dessa maneira, Seu Espírito habitará em nós e nos guiará em abundância de esperança:

 Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo.    

Romanos 15:13

1 Nos comentários da Bíblia de Estudo de Genebra a respeito desse versículo diz que o autor (desconhecido) recebia nova esperança ao recordar sobre a devoção anterior de Deus a seu povo. O poeta expressa sua confiança de que o amor de Deus pelo seu povo confortaria aqueles que experimentaram a queda de Jerusalém.

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