Quando eu nasci, antes que meu pai pudesse me ver, ele estava lá, estendendo suas mãos sobre mim e adorando ao Senhor pela minha vida.

Alguns dias depois, na igreja, me lembro de tê-lo visto aconselhando meus pais, e segurando-me em seus braços, consagrou-me a Deus.

Passei minha infância contemplando aquele homem de terno e gravata, todos os cultos pregando aqueles longos sermões, e pra ser sincero, me lembro de apenas alguns deles. Mas eu ficava até o final, pois sempre ganhava um pirulito ou uma bala de suas mãos.

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Algumas vezes eu chegava mais cedo na igreja e podia vê-lo ajoelhado orando e chorando. Pensava que ele chorava por causa da posição desconfortável, pois às vezes ele passava um longo tempo assim.

Na minha adolescência não me lembro de muitos momentos ao lado dele. Acho que é porque eu parei um tempo de ir à igreja. Entretanto recordo-me que não foram poucas as vezes que ele foi até minha casa querendo conversar comigo, mas eu sempre dava um jeito para sair por um lado ou outro.

Tem uma parte da minha vida que eu não me lembro bem. Só recordo que eu estava meio tonto, com fome e com frio e ao longe avistei um carro encostando. De imediato reconheci os meus pais que desceram chorando e com eles um homem que me fazia lembrar alguém. Então, aquele homem me abraçou, colocou-me em seu carro e juntamente com meus pais levou-me para casa.

Na minha juventude ele sempre esteve presente. Quantas horas ele dedicou ouvindo as minhas dúvidas, me aconselhando e me animando. Perdi as contas de quantas Bíblias ele me deu. Lembro-me dos anos que passei longe de casa estudando, sem nunca deixar de receber em meu celular, todas as semanas, uma mensagem dele.

Quando decidi casar-me, fiz questão que ele estivesse presente, e quando eu quis divorciar-me, ele fez questão de não ser ausente, aconselhando-me e salvando o meu relacionamento.

Quando nasceu o meu primeiro filho eu me atrasei para chegar ao hospital, mas quando lá cheguei, aquele homem (já velho) estava lá. Com a Bíblia embaixo do braço ele saiu do berçário e me disse: “Deus de abençoe. Seu filho é lindo! Como ele vai se chamar?”

Com um sorriso de gratidão eu respondi: “Filipe, como o senhor, pastor.”

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