Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas.    

2 Coríntios 11:28

Amados irmãos e irmãs, graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo vos sejam multiplicadas!

Já faz algum tempo, venho me perguntando: como conciliar uma Igreja Viva e Relevante com a cultura de sua época? Seria possível o diálogo entre áreas tão distintas? Haveria um limite a ser traçado entre a prática religiosa e a cultura secular?

Por outras palavras, a indagação é: como pode a Igreja Cristã — em 2019 — herdeira da doutrina, vale dizer, dos alicerces e pilares da Igreja Cristã Primitiva, ser relevante na tão decaída sociedade atual?

E mais. Passados cerca de dois mil anos — de lá para cá, é dizer, da Igreja apostólica até nossos dias — como é possível preservar traços de identidade de sua vida, doutrina e práxis (ação)? Ademais, como também revigorar, aviventar, avivar ou reavivar outros traços da Igreja cristã primitiva que, aparentemente, se perderam nas brumas do tempo? É plausível e, além disso, possível, retornar à “fé primitiva, que uma vez foi entregue aos santos”?

A resposta é afirmativa. Sim, certamente.

Nessa linha de entendimento, julgo estar coberto de razão o Pastor Hernandes Dias Lopes quando, discorrendo sobre o Livro de Atos dos Apóstolos, assevera que ele trata do crescimento espiritual e numérico da Igreja e que, para alcançar esse alvo, a Igreja manteve, inseparavelmente, ortodoxia e piedade, doutrina e vida, palavra e poder. 1

Aliás, na concepção desse Pastor — e a ela presto anuência — ortodoxia sem piedade gera racionalismo estéril; já, a piedade sem a ortodoxia produz misticismo histérico. Ao longo da história, a Igreja várias vezes caiu num extremo ou noutro. Ainda hoje, vemos muitas igrejas zelosas da doutrina, mas áridas como um deserto; outras cheias de entusiasmo, mas vazias de doutrina. Atos é um alerta para a necessidade urgente de uma nova reforma e de um profundo reavivamento. Não precisamos buscar as novidades do mercado da fé, mas nos voltarmos às origens do cristianismo apostólico. 2 

Tenho pregado invariavelmente que vivemos tempos difíceis para anunciar a mensagem do Evangelho. Constato que não são poucos os que se apresentam como mensageiros de CRISTO. Verifico, porém, que entregam ao mundo uma mensagem desvirtuada do verdadeiro poder de DEUS, seja por ignorância das Escrituras, seja por desonestidade para com a Santa Palavra de Deus. Prega-se muito sobre bênção para a vida física, emocional e financeira. A chamada “teologia da prosperidade” ou, ainda, “teologia da confissão positiva”, tem sido a tônica das pregações dos neo-pentecostais e de outros imitadores baratos. Eles chegam ao absurdo de afirmar que qualquer sofrimento do crente significa falta de fé. Ou seja, para os proclamadores dessa falsa doutrina — verdadeiro engodo satânico — a marca do cristão cheio de fé é ser bem sucedido, ostentando plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material.

A Igreja Batista do Sétimo Dia não foi chamada à existência para pregar e ensinar um “evangelho caramelizado” assim.

Irmãos amados, esses falsários da Palavra, em desmedida má-fé e irresponsabilidade, chegam ao desatino de ensinar que a pobreza e a doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou que possui fé insuficiente.3 

Mas quando se pergunta por santidade, fidelidade às Escrituras e sobre as doutrinas cristãs nos decepcionamos com as respostas. Os pregadores modernos estão mais preocupados em saber qual a mensagem que tu queres ouvir? Qual programa (religioso) agrada mais? Neste moderno “evangelho delivery” os ministros não se mostram preocupados com a busca da “santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).

Em conversas informais, o Pastor André Garcia Ferreira, Pastor titular da novel IBSD/Paraíso, na cidade de São Paulo, costuma narrar sua visita a um culto de uma dessas igrejas que proclama a “teologia da confissão positiva”. Na hora da entrevista dirigida pelo “animador de palco”, digo, ministrador, em que várias pessoas contavam sua bênção (entenda-se sucesso material), um dos entrevistados, quando instado a contar a bênção, disse: “Eu fui salvo pela Graça de Cristo, com Sua morte na cruz! Aleluia!” O ministrador então lhe disse que isso era muito bom, mas que ele estava ali para contar a bênção e que deveria fazê-lo naquele momento. O entrevistado, então, reafirmou ser aquela a sua bênção. Com isso, a entrevista cessou.

Queridos, qual a bênção maior que um descendente de Adão pode ter? Não é, precisamente, a Salvação eterna, com sua inclusão na vida perfeita do “segundo Adão”?   

Uma pesquisa feita por um instituto alemão mostra que 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam “ser profundamente” religiosos. Contudo, dessas pessoas, apenas 35% disseram viver de acordo com os princípios da religião. Já o censo do ano de 2000, do IBGE, revelou que para a pergunta “qual é a sua religião” foram encontradas 35.000 respostas diferentes.

O propósito de DEUS não é, exatamente, que tenhamos uma religião e nela estejamos integrados, mas que O conheçamos através do Seu FILHO JESUS como o nosso SALVADOR e o nosso SENHOR, ou seja, Seu propósito para nós inclui salvação e perfeição, redenção e qualificação.

Nesta breve e singela mensagem, tenho como alvo convocar a irmandade batista do sétimo dia para uma visão ampla e profunda de todas as demandas de um envolvimento pessoal com DEUS, sem abrir mão do envolvimento comunitário da igreja. Lembremo-nos que uma igreja viva é sempre uma igreja humana. E mais. A Igreja é uma instituição divino-humana. Do prisma divino, ela é perfeita. Sob o aspecto humano, ela traz as marcas da imperfeição. Entretanto, “o Senhor a amou e Se entregou por ela para apresentá-la como Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:27).

O desafio de ser uma Igreja viva só pode ser concretizado a partir de uma abertura ampla e irrestrita ao Espírito Santo, como fizeram os primeiros cristãos, os quais, revestidos de Seu poder, levaram o Evangelho até os confins da Terra.

Mas, não nos esqueçamos: “tudo deve ser feito com decência e ordem” (1 Coríntios 14:40). Tudo, é tudo. Logo, inclui a maneira como O adoramos coletivamente.

Busquemos, pois, ser uma Igreja — uma comunidade — que compartilha entre seus membros a sensível presença de Deus, por meio de Seu Santo Espírito, de tal modo que nos sintamos todos nivelados ao pé da cruz. Nosso empenho particular e coletivo é no sentido de reduzir as desigualdades, buscando a unidade no Espírito.

Que o Senhor, por meio do Seu Santo Espírito, prossiga agindo nos corações e mentes de cada crente batista do sétimo dia! Temos já empreendido uma grande marcha, cujo término dar-se-á por ocasião da Volta do Senhor Jesus Cristo em glória e majestade. Até que chegue esse dia, somos desafiados a preservar e proclamar “a fé que uma vez foi entregue aos santos”.  

Concordo com o Pastor Doutor Hernandes Dias Lopes quando proclama: “A Igreja militante, na sua caminhada milenar, tem enfrentado grandes batalhas. Perseguições externas e conflitos internos. Muitas vezes, parece anêmica e sem fervor; outras vezes, ressurge das cinzas e experimenta grandes avivamentos”.  4 

Cumpre-me, nesse passo, reiterar que os desafios postos à nossa frente são grandes; há escassez de recursos; e, a par disso, significativa falta de obreiros para esta “Grande Seara”. Estamos confiantes, todavia, de que o Senhor conduzirá Sua Igreja na melhor direção, de modo a cumprir fielmente o propósito para o qual foi chamada à existência!

Deus nos abençoe!

Bernardino de Vargas Sobrinho

Pastor Geral

Presidente da Conferência Batista do Sétimo Dia Brasileira


  1. LOPES, Hernandes Dias. Atos: A ação do Espírito Santo na vida da igreja. 1ª ed., São Paulo: Editora Hagnos, 2012, p. 14.
  2. Op, cit., p. 14.
  3. ROMEIRO, Paulo. Supercrentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade. São Paulo. Editora Mundo Cristão, 1ª ed., 1993, p. 05.

  4. LOPES, Hernandes Dias. Para Onde Caminha a Igreja?, 1ª ed., – São Paulo/SP: Editora Hagnos Ltda., 2017, p. 08.

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