Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.

Colossenses 3:12

A bondade e a generosidade pensam à frente e dão o primeiro passo. Tais qualidades não ficam sentadas esperando serem estimuladas ou forçadas a saírem do sofá. O cristão bondoso e generoso cumprimenta primeiro, sorri primeiro, serve primeiro, perdoa primeiro.

Falar de iniciativa em um mundo imediatista é um tanto quanto controverso, pois há um mundo que exige o pensamento rápido, a atitude intrépida, a informação veloz. E há nesse mesmo mundo a procrastinação, o adiamento de intervenções necessárias no que se referem ao Reino.

Jesus descreveu de forma criativa a bondade e iniciativa do amor na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10). Ali, vê-se, um bom exemplo. Um homem comum, pertencente a uma etnia discriminada, que decidiu parar, enfaixar as feridas, carregar, ajudar um homem judeu que não  conhecia. Imerso em sua própria humildade e modéstia, Jesus mesmo, é o maior exemplo de alguém que agiu, que tomou a iniciativa e interveio nas situações que exigiam sua intervenção.

Então, para nós, o que realmente significa “tomar a iniciativa”? Podemos definir iniciativa como uma característica ou qualidade que leva as pessoas a se manifestarem e a fazerem o que é preciso ser feito, sem que alguém peça ou diga o que deve ser feito. A beleza da iniciativa é que ela está intimamente ligada ao caráter e ao desenvolvimento da missão de todo cristão. Sem iniciativa o Evangelho não poderá ser comunicado. Sem iniciativa os perdidos não poderão ser alcançados. Sem iniciativa, vidas não poderão ser tocadas. Iniciativa é faculdade do amor divino. É faculdade do Espírito. E deve ser, para todo cristão, imprescindível.

O apóstolo Paulo, na carta aos irmãos de Colossos, no capítulo terceiro, exorta à santidade e ao amor fraternal. Diz ele, no versículo 12: “Então, como santos e amados eleitos de Deus, revesti-vos de um coração cheio de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Bom, e o que isso tem a ver com iniciativa? Na verdade, tudo. Somente uma vida santa e entranhada de misericórdia e bondade é capaz de estar sensível às ocorrências que carecem de nossa intervenção. Digo isso, tanto quanto à nossa própria vida e relacionamento pessoal com Deus, quanto ao nosso relacionamento com o próximo, igreja, família.

A primeira grande dica é: PARE DE PROCRASTINAR. Confesso que no primeiro ouvir, essa palavra me causou estranheza, mas ao dissecá-la percebi em mim, o quanto eu a cultivava. Procrastinar significa deixar para amanhã aquilo que podemos fazer hoje. E, não é possível desenvolver a virtude da iniciativa enquanto estivermos nutrindo a procrastinação. Procrastinar não é apenas fazer de uma vez alguns itens urgentes, mas incluir coisas importantes na nossa vida. Parar de procrastinar é, também, saber trabalhar nossas prioridades de forma que saibamos o que é urgente e necessário.

Esse tema “procrastinação” me remete à Jonas em sua tentativa frustrada de tentar se desviar de sua missão, uma tentativa de adiamento. A missão havia sido dada por Deus, mas por razões suas injustificáveis, resolveu “deixar pra lá”. Vou “deixar pra lá” e não vou para Nínive! Nós bem sabemos o fim da história, a missão fora cumprida, mas Jonas teve de passar por uma terrível tempestade e permanecer no ventre de um grande peixe por três dias e três noites. Arcou com as dores da angústia, medo e solidão. Sendo que tudo poderia ter sido evitado, se tivesse dado ouvidos à voz de Deus no primeiro momento. Como santos e eleitos de Deus, devemos “deixar pra lá” a procrastinação.

Segunda preciosa dica: PRATIQUE A INICIATIVA! Estamos imersos em situações sobre as quais podemos intervir. Em quase todas as áreas e circunstâncias podemos exercer a iniciativa. Desde uma melhoria no trabalho, até ceder nosso lugar no ônibus a um idoso. Para tal, precisamos estar atentas e não esperar recompensa. Devemos fazer o que deve ser feito. Reconhecimento e congratulações são importantes, mas nossas ações não devem ser medidas nesses termos. A alegria, a satisfação e o prazer advém naturalmente. Voltamos ao exemplo do Bom Samaritano. E voltamos ao texto base. Intervenção necessária movida por amor. E, bem sabemos, amor não se mede e não busca seus próprios interesses.

Por fim, a terceira valiosa dica: SEJA UMA MULTIPLICADORA DE INICIATIVA! Uma vez que você conseguiu superar a procrastinação, praticou a iniciativa diariamente, agora é sua vez de ensinar e motivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Manifeste Cristo. Resplandeça Cristo. Comunique sobre Cristo. Imite a Cristo e seja uma multiplicadora de iniciativa.

Antes de finalizar, é preciso atentar ao fato de que uma ação vale mais que mil palavras. Se você não for exemplo para as pessoas, não adianta ter um belo discurso, pois será inútil. Sempre desenvolva o caráter cristão: “de um coração cheio de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência”. E, para poder influenciar, motivar, é preciso primeiramente, tomar a iniciativa e mudar a si mesma. Sem procrastinação. Tome a iniciativa. Se ainda lhe é difícil identificar quais mudanças são necessárias, tome a iniciativa de orar. E, em seguida, tome a iniciativa de mudar!

Perguntas para reflexão:

  1. O que significa “tomar a iniciativa” no contexto cristão?
  2. Você tem cultivado a procrastinação? Por quê?
  3. Quais as desculpas para usadas para adiar nossas ações?
  4. Sobre tomar pequenas iniciativas diárias. Faça um mapa mental e visualizar possíveis situações que necessitem de sua intervenção.
  5. Nosso chamado é para comunicar o Evangelho. O fato de não tomarmos a iniciativa implica em quais consequências para nossa vida cristã? O que o exemplo de Jonas lhe ensina?

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