Banner da lição da escola bíblica vigentePara se se ter uma vida espiritual saudável, a busca diária através da oração e da leitura bíblica não é algo opcional. Se quisermos permanecer de pé espiritualmente, mesmo sendo bombardeados todos os dias pelo inferno e todos os tipos de tentações, é imprescindível buscar na fonte eterna, que é Cristo Jesus, forças para cada dia de batalha. Cada cidadão do Reino de Jesus deve tomar sua carne, suas vontades e lançar-se de vez, sem olhar as circunstâncias adversas.

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  Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes.    

Quem não gostaria de encontrar um tesouro de grande valor? Na história da humanidade, não foram poucos os que encontraram algo de muito valor e mudaram a rota de suas vidas. Grandes batalhas já foram travadas e reinos inteiros lutaram por um pedaço de terra, por mananciais de água ou até mesmo por um campo fértil. Mas na realidade, qual o valor que damos ao Reino dos céus? Nossa lição em estudo nos direciona a histórias consecutivas narradas por nosso mestre aos seus discípulos. Em suas narrativas, fazendo o uso de parábolas, Jesus mostra qual o real valor do Reino que Ele mesmo veio trazer. Essas parábolas irmãs tratam do valor do reino de Deus e da alegria de encontrá-lo. 

AS HISTÓRIAS QUE JESUS CONTOU

Como era bom ser discípulo de alguém muito além de seu tempo, alguém que conhecia todas as coisas. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3). Jesus tinha uma forma singular, única e precisa. Todos os Seus ensinamentos tinham um significado eterno e levavam Seus ouvintes a prestar atenção cada vez mais. Podemos ver claramente Seus discípulos felizes quando Jesus os ensinava diretamente e não por figuras de linguagem... “Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma” (João 16:9). Um pequeno descuido, e seus ouvintes poderiam perder a chance de obter um novo exemplo ou um complemento de vários assuntos pertinentes à vontade do Pai.

Quando Jesus usava figuras de linguagem, como parábolas, muitas pessoas na audiência não alcançavam total interpretação. Apesar das Parábolas serem baseadas muitas vezes em algo momentâneo e de conhecimento popular, pegar aquelas histórias e aplicá-las não era uma tarefa fácil. Observe os discípulos de Jesus, após Ele falar sobre a parábola do ‘Semeador’, Seus discípulos em um momento oportuno se aproximaram e perguntaram qual seria a real interpretação, aplicação do ensino: “E, quando se achou só, os que estavam junto dEle com os doze interrogaram-no acerca da parábola” (Marcos 4:10). Ser aluno deste mestre era uma aventura maravilhosa, principalmente quando Ele falava claramente, seus discípulos podiam mais rapidamente reconhecer o conhecimento e autoridade que Ele possuía1. Nós, também, precisamos tomar as devidas precauções para não distorcer as “verdades espirituais” contidas na parábola em estudo. 

O TESOURO ESCONDIDO, A PÉROLA E A REDE

O Evangelho de Mateus retrata a rejeição de Jesus com grande ênfase. Alguns queriam sinais “Mestre, queremos ver o Senhor fazer um milagre” (Mateus 12:38), outros, que Ele fosse embora de suas cidades “...quando o encontraram, pediram com insistência que fosse embora da terra deles” (Mateus 8:34). Não encontramos em nenhum outro evangelho a parábola do Tesouro escondido, a Pérola e a Rede. Podemos dizer que o autor esta fazendo um contraste, entre a forte rejeição a Cristo e o valor que deve ser dado ao Reino. Seus princípios são eternos, e aqueles que o aceitarem receberão o governo e a supremacia de Deus em suas vidas. Essa transformação alcançará e abençoará as pessoas em sua volta, no seu tempo atual, e terá efeitos para a eternidade. Nossas gerações serão transformadas, se estivermos dispostos a entregar tudo que temos, para fazer parte deste Reino.

O TESOURO ESCONDIDO (Mateus 13:44)

Depois de pregar a grandes multidões, Jesus agora volta para casa, a fim de ficar mais próximo de Seus discípulos (Mt.13:36). A mensagem agora é direcionada para aqueles que estavam envolvidos na caminhada. Começou, então, a explicar-lhes sobre a importância do Reino e como conquistá-lo. Para a compreensão do propósito de Deus, duas parábolas foram dadas em forma de um par: a do “Tesouro escondido e da Pérola de grande valor”. Essas parábolas foram construídas juntas e possuem apenas um texto, e de um modo geral ensinam a mesma lição: o valor que deve ser dado ao Reino dos céus. Como Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela (Ef. 5:25-27), toda pessoa que almeja tornar-se participante do Novo céu e Nova terra deve ter a mesma disposição. Na primeira parte desta parábola (13:44), Jesus fala de um homem que descobriu um tesouro enterrado em um campo. Este homem foi e vendeu tudo o que possuía para comprar aquele campo. Nos dias de Cristo era muito comum, especialmente por causa de guerras, as pessoas enterrarem seus tesouros familiares e pessoais.

Durante muitos anos, antes de haverem cofres ou bancos, pessoas ocultavam seus bens de valor na terra, principalmente em tempos de instabilidade. Flávio Josefo, historiador judeu da antiguidade, ao escrever sobre os resultados da destruição de Jerusalém em 70 d.C., disse:

Ainda havia grande quantidade das riquezas daquela cidade entre suas ruínas, boa parte das quais desenterradas pelos romanos… Refiro-me a ouro e prata; e o restante do mobiliário mais precioso dos judeus, escondidos pelos donos no subterrâneo, por conta das incertezas da guerra2.

Como já disse, enterrar itens de valor não era uma prática incomum. Se um indivíduo (ou uma família) enterrasse seus pertences e morresse sem que os outros soubessem da localização do tesouro, este passaria a ser de posse de quem o encontrasse. Jesus não entrou na avaliação moral deste homem, por não ter revelado ao dono do campo a existência de algo valioso em sua propriedade. Segundo os escritos rabínicos sobre o tema, o fato de ele ter encontrado o tesouro o tornava seu legítimo dono.

Comprar aquela terra aumentava sua garantia de que ninguém disputaria sua posse. A essência da parábola é que esse homem ficou tão feliz por haver encontrado aquela riqueza, que vendeu tudo que tinha para adquirir aquele campo. Ele vendeu tudo que foi adquirido durante uma vida toda para trocar por um ‘novo tesouro’, provavelmente este ensinamento é muito duro para algumas pessoas porque desenvolvem com o passar do tempo um valor sentimental por seus bens, principalmente quando eles procedem de uma herança, passada por gerações.

A bíblia nos alerta sobre o amor por coisas temporais e limitadas, “pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês”. O apóstolo Paulo é um exemplo de como as pessoas devem agir ao encontrar este tesouro citado por Jesus. Ele mesmo fez uma explanação do quanto seu encontro com Jesus e o Reino mudaram suas perspectivas. Ele era um dedicado líder Judeu, perseguia a igreja e pensava que o cristianismo era uma crença herética e blasfema, porque Jesus não atendia as expectativas do Messias que ‘o povo judeu esperava’. Então, através de lutas e perseguições que realizou ao cristianismo, conquistou credenciais e boa reputação perante os judeus não cristãos. “Enquanto isso, Saulo não parava de ameaçar de morte os seguidores do Senhor Jesus”( At. 9:1-2). Já na sua carta aos Filipenses, faz um retrato da mudança de valor para tudo que possuía. Depois que avaliou o que havia conquistado em sua vida, disse que tudo aquilo era perda, ou seja “Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo e estar unido com ele” (Fl. 3:8-9). Jesus espera esta atitude de nós também.

A PÉROLA: (Mateus 13:45).

Ao contrário da parábola do tesouro escondido, a parábola da “Pérola” nos fala de uma pessoa que está procurando algo. Encontrar por acaso um tesouro e assumir os riscos necessários para adquiri-lo é uma história cativante. O mesmo se pode dizer da ideia de viajar a lugares exóticos, encontrar uma grande oportunidade e assumi-la com êxito. Essas histórias capturam a atenção e a imaginação das pessoas. Apesar de os meios de encontrar as preciosidades terem sido diferentes nas histórias — casualidade e busca intencional —, os dois homens tiveram de tomar uma atitude determinante para se apossarem das riquezas que descobriram. Além de encontrar os tesouros, tiveram de vender tudo o que tinham e comprar seus achados para se tornaram donos dos bens que tanto queriam. Nas duas parábolas, os protagonistas se viram diante de oportunidades singulares que os forçaram a tomar decisões importantes e assumir riscos que mudariam suas vidas para sempre.

O conceito de valor é definido pelo nosso desejo de realização e satisfação. E para ter, proteger e alcançar seus objetivos, certas pessoas são capazes de qualquer coisa. Todos querem segurança financeira, reconhecimento, fama e poder. Estas são algumas das pepitas de ouro do nosso tempo, e por amor a elas “nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm. 6:10).Jesus quer que Seus discípulos entendam o grande valor deste Reino, por isso precisava prepará-los para deixar tudo e obtê-lo. Nenhum desejo ou objetivo na vida do cristão deve ser maior que o Céu. Assim como aquele viajante era um negociador, todos nós negociamos diariamente.

Temos as nossas pérolas, coisas que atraem nossa atenção, tempo e forças. Porém nem todos encontraram a de maior valor. Esses dois retratos colocados juntos, então, parecem representar diferentes aspectos de uma mesma verdade. Mas ambas as parábolas terminam em um mesmo ponto: a finalização do pro­pósito. Juntas, enfatizam duas ver­dades: o fato de que tanto o Tesou­ro escondido como a Pérola de gran­de valor não têm preço, e a alegria é do comprador3.

A Rede (Mateus 13:47-48).

Logo após falar da preciosidade do Reino, o Mestre quer mostrar aos Seus discípulos que mesmo sendo um Império de grande estima, ele está à disposição de todos. A parábola ilustra uma pesca, assunto do qual os discípulos de Jesus conheciam muito bem, pois a maioria deles eram pescadores antes de seguirem a Jesus. Eles entendiam bem da prática da pesca e sabiam que o pescador ao lançar a rede ao mar, depois de um tempo, saem puxando. Eles trazem todos os tipos de peixes, ou seja, trazem os pequenos, os grandes, os bons, os ruins, os úteis para serem comercializados e os que não servem para este fim. Devemos nos lembrar do que Jesus disse a Simão Pedro e André quando os chamou para segui-lO: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. (Mateus 4:19).

Assim podemos identificar que nesta parábola os peixes simbolizam os homens e mulheres deste mundo. O mar simboliza o mundo humano caído no pecado e enganado pelo diabo e a rede simboliza o Evangelho, as boas novas de Cristo Jesus para a salvação dos homens e a entrada no Reino. Assim acontece com a Palavra de Deus. Quando lançada para o povo, alcança todo o tipo de pessoa, mostrando “o caminho”, não deixando ninguém de fora, isto é, não existe nenhum tipo de discriminação, entretanto, Jesus deixa um alerta muito importante: assim como os peixes, os bons permanecerão e os ruins serão colocados fora, porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos (Mt. 22:14). Essa parábola se assemelha muito à parábola do Joio no mesmo capítulo de Mateus e trata acerca do julgamento e do dia do juízo do Senhor.

CONCLUSÃO

Hoje, somos convidados a olhar para nossas vidas e analisar se de alguma forma não estamos correndo o risco de ficar fora deste lugar, tão desejado pelos cristãos de todo o mundo. O pecado é um grande divisor de águas neste assunto, pois “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”. (Apocalipse 22:15). Até podemos ter entendido o valor deste Reino, a importância de procurá-lo com diligência e que suas portas ainda estão abertas. Mas a grande pergunta é: Nós estamos dispostos a “buscar primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça” (Mt. 6.33), ou existe outros tesouros e pedras preciosas que ocupam nosso pensamento, coração e tempo? Conhecer Cristo e fazer parte do Reino de Deus deve ser valorizado acima de tudo. O conceito de vender tudo remete à verdade de que nenhum custo é elevado demais para este fim. Entrar no reino vale a pena tudo. Manter Deus no centro de sua vida tem um custo, mas a alegria eterna e o valor incalculável do Reino são mais do que recompensador. Faça sua escolha hoje!

 

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO EM CLASSE:

1 - A parábola diz que um homem achou um tesouro escondido em um campo. O que ele fez para adquirir o campo e o tesouro? (Mateus 13:44).

2 - Nesta parábola também encontramos um negociante. O que ele procurava? E depois que encontrou, qual foi sua reação?(Mt 13:45-46).

3 - Na Sua ilustração, Jesus usou a figura de uma rede que é lançada ao Mar, por quê? (Mt 13:47).

4 - Se você fosse um peixe apanhado na rede de Jesus, seria colocado no cesto ou lançado fora?

5 - Você já encontrou este Reino de grande valor?

6 - Jesus comparou o Reino do céu a um tesouro. E você?


Referências

1 CHEUNG, Vicente. Parábolas de Jesus. Tradução de Felipe Sabino de Araújo Neto. Boston. Ed. Reformation Ministries International. 2003, p.5.

2 JOSEFO, Flavio.  Jewish Wars, 7:114–115.

3 LOCKYER, Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia. S. Paulo. Ed. Vida 1999, p. 244.

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